
Nós torcedores, eternos insatisfeitos. Vale pensar sobre.
O futebol é aquele mundo em que eu, tu, nós, vós precisais ser melhor. E pra ser melhor, temos que ter alguém pra debochar. Um inimigo, em palavras mais bélicas. Aliás, "batalha", "guerra", são palavras que usamos diariamente em nossas elucubrações sobre o jogo da pelota. Eles? Eles são os inimigos. Temos que destruí-los. Massacre! Porque assim vivemos essa "vida loka" de querer ser melhor que um amigo. E meter o dedo na cara da timeline dele!
Somos apaixonados e, como tais, temos pouca razão. Assim funciona com todos que acompanham. E assim procede: nós damos 500 opiniões futebolísticas por semana. Pra nós mesmos, no bar e agora no twitter e facebook. Acertamos 10. As outras 490 ficam no limbo. No nosso limbo, e quase ninguém lembra. E assim seguimos levantando as taças das 10 certeiras. Da minoria.
Eis o problema ao contrário de quem é profissional do futebol. Quem move. Exemplos: Bolívar e Dorival. Esses foram os dois mais atingidos pelos comentários da rapaziada aqui no Blog. "Bolívar falhou" e "Dorival não dá mais" foram escritos aos monte e nas diversas formas possíveis de se dizer. E eis o futebol.
O zagueiro está na nossa história. Bolívar é bicampeão da Libertadores. Numa das finais, no México, fez gol, vibrou com os punhos, feliz da vida, estava no auge da carreira. E como em toda carreira, hoje não é o auge dela. Basta um pulo mal calculado e o gol de Tejada pra desabar o mundo. Sem problemas: Bolívar é pago para cabecear aquela bola. E se um dia foi - e é - ídolo, deve saber ler isso. O lugar no Hall of Fame do Inter já tá garantido.
Dorival, o treinador. Bueno: pra quem escreve em blog e libera comentários, posso afirmar com 100% de certeza que todos os treinadores que passaram na história do Inter enquanto escrevemos por aqui foram xingados, vilipendiados, massacrados pelos torcedores que aqui comentam. Todos. Roth, Falcão, Tite, Abelão, Gallo, Muricy, e agora, claro, Dorival. Pra ser criticado basta treinar. Não adianta. E todos que citei levantaram taças com o Inter (Dorival pegou um barco errante ano passado e colocou ele na libertadores desse ano). Pero, a rivalidade é diária. E sendo assim, a cobrança também a é. É uma conta simples nessa matemática de coração. Os locos por fútbol não sabem esperar, não vivem de paciência, não a querem. Eles querem taças, e taças, e taças e mais taças.
E assim se move tudo. Se fiquei envergonhado por ontem? Absurdamente. Se acho que tá tudo errado? Não acho. O Inter precisa mudar sim. Lá dentro. Não é o momento de viver "a la anos 90": cada dor um treinador novo. Assim não se faz. Eis: 2006, começo de Libertadores, Abel criticado. 2010: mudança correta. Mas, havia algo diferente: a Libertadores parou por quase um mês e meio (Copa na África do Sul). E o Brasileirão seguiu. E assim Fossatti caiu. E era claro: os jogadores não eram apaixonados pelo senhor de cabeça branca. Veio Roth e a azeitada pra segunda placa do Inter na Copa.
Pois que aqui paira minha única dúvida desse momento: o grupo está com Dorival? A resposta só quem vive lá dentro sabe. Luigi, Anápio e Fernandão. Isso precisa ser analisado às pressas pelos 3. Se sim, labuta é a saída e usar essa posição 16 que só não é menos vergonhosa que a posição número 17 a nosso favor. Usar o favoritismo do Fluminense como motivação.
Porém, se um grupo de futebol não quer mais um técnico, aí, pode pedir missa, flores, aéreas e as carpideiras. Na espera da avaliação dos responsáveis. E torcendo pela lógica fria e que traz mais resultados no mundo da bola: a não mudança.