Os estimados colorados que frequentam o site oficial do clube devem ter observado uma matéria destacando a evolução do faturamento nos últimos anos. Pois bem, no que tange ao aspecto empresarial, o fato é louvável, sem dúvida. Aumentar receitas (com margens aceitáveis, evidentemente) é o objetivo de todo empreendedor que se coloca a frente de um negócio. E a gente sabe que, cada vez mais, o futebol caminha na direção da gestão profissional, em que se derruba práticas empíricas e improvisadas e se aplica a ciência administrativa através do aproveitamento de executivos capacitados para tal.
Porém, diferentemente de um negócio qualquer, cujo resultado visa o lucro e os dividendos que ele proporciona, um clube de futebol possui como meta a conquista de TÍTULOS. Faturar e lucrar, pura e simplesmente, não significa quase nada. O que a torcida quer é taça no armário. É claro que um clube financeiramente saudável gera um ambiente favorável para que isso aconteça. Porém, a parcela mais significativa da matriz de receitas da grande maioria dos clubes brasileiros é a chamada cessão de direitos federativos. Para bom entendedor, venda de jogadores. E com o Internacional não é diferente. Em 2008 e 2007, a rubrica representou 45% e 63% da receita bruta total. Que coisa, não?
Assim sendo, há um claro conflito de interesse entre faturamento e cumprimento das metas de um clube de futebol quando louvamos um balancete de tal forma. Afinal, fazer com que a venda dos melhores jogadores e a conquista de títulos andem juntas é o maior desafio de todo gestor esportivo, não tenham dúvida. Por outro lado, quando vemos um clube se desfazer de um atleta importante, os dirigentes e a comunidade futebolística costumam levantar a bandeira da reposição à altura... Mas será que não poderíamos também enaltecer um tema que o precede, de nome retenção de talentos?
Para refletir.
Fraterno abraço!
Postado por Filipe Gonçalves
