%22Repúdio às bestas-feras%22
Ocorrência de lesões corporais em práticas esportivas invariavelmente está associada ao desrespeito à normas reguladoras da modalidade. No caso de ontem, em que atletas profissionais experientes provocam ferimentos graves em colegas adversários, identificam-se dois fatores imediatos para o fatídico resultado. O primeiro, a atitude agressiva e violenta dos jogadores autores das lesões. O outro fator foi a omissão da arbitragem em coibir e punir tais comportamentos.
O episódio revela a pior faceta da chamada %22raça%22 no futebol. A pretexto de demonstrar autoridade em seu próprio estádio, os atletas gremistas cambiaram de modalidade, partindo do futebol para chegar ao pugilato. Essa atitude não deve ter sido por acaso, porém certamente respaldada pela direção técnica do time de quem lhes paga o salário para abstraírem-se de sua condição de seres humanos para, no dizer de Nelson Rodrigues, transmutarem-se em autênticas bestas-feras.
A selvageria instalada no espírito de tais indivíduos custou graves lesões a dois dos maiores craques do futebol brasileiro. Um, o artilheiro campeão, o outro, jovem convocado em todas as seleções de base em sua promissora carreira. Para recuperá-los, ambos tiveram que se submeter a uma internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. De lá virão transportados em UTI Móvel Aérea para submeterem-se ao final a cirurgias reparadoras que permitam que voltem aos gramados em um prazo mínimo imprevisível. A dor e o sofrimento dos jogadores, suas famílias, amigos, torcedores não poderão restar impune. Todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para esse infeliz resultado serão chamados à responsabilidade, doa a quem doer.
O árbitro. Tíbio, omisso, indiferente à desumanidade que cambiava à sua volta, será denunciado nos tribunais esportivos, igualmente os agressores, pela violência de seus atos, devem ser banidos do futebol. Outras pessoas ou entidades que de qualquer modo tenham relação com o episódio igualmente pagarão por isso, responderão na Justiça comum pelos danos causados à integridade física dos atletas e aos danos materiais e morais causados às vítimas e ao Clube Atlético Paranaense. Como intransigente defensor dos direitos do Clube Atlético Paranaense, adotarei pessoalmente todas as medidas necessárias para que Alex Mineiro e Evandro recuperem o quanto antes o seu bem-estar físico, emocional e psicológico. E de outra parte, processarei pelos meios legais toda a súcia de malfeitores que pretendem fazer do futebol um meio para extravasar o seu instinto animalesco.
João Augusto Fleury da Rocha
Presidente do Conselho Gestor do Clube Atlético Paranaense%22
Bestas-feras? Senhor João Augusto, muita cautela para se dirigir assim aos jogadores de uma das maiores autoridades do futebol brasileiro e mundial. Como fala assim de um time campeão do Mundo?
Concordo plenamente que futebol não é ringue de luta, mas ontem não foi isso que, nem eu, nem os milhares de gremistas que estavam no Olímpico presenciaram. Nas sábias palavras do Professor Ruy Carlos Ostermann, que comentava na Rádio Gaúcha o seguinte “esse foi um jogo sem violência, mas por incrivel que pareça, com muitas vitimas” se resume exatamente o que eu penso e o que eu vi.
Futebol é esporte de contato, e acidentes acontecem, tanto que nosso capitão tomou uma pancada no pescoço porque dividiu uma bola em mais um lance normal do jogo, e ficou sem respirar direito, assim como Carlos Eduardo também tomou poucas e boas pancadas, e nem por isso nosso presidente teve um ataque de %22sei-lá-oque%22 e escreveu palavras infelizes como essas.
Não vi nenhuma maldade nos dois acidentes que ocorreram no jogo. Por sinal, acidentes esses que foram prontamente atendidos tanto pelos jogadores em campo, quanto pela direção e departamento médico tricolor.
Agora chamar nossos tricolores de “bestas-feras” que pretendem fazer do futebol um meio para extravasar o seu instinto animalesco? Respeito meu senhor, respeito...
Postado por CaPu