Vejo pessoas repugnando uma possível conversa da direção com o Roth sobre 2012. Nem sei se é verdade, tampouco o que teriam conversado exatamente. Mas o fato é que não acho justa tamanha revolta por uma possível renovação.
Na verdade eu queria FELIPÃO em 2012. Seria lindo: último ano do Olímpico, torcida ficaria em polvorosa, clima altamente favorável e um baita técnico na casa-mata gremista. MAS, não é tão simples assim ter um Felipão. Ele tem contrato com o Palmeiras (relação conturbada, é verdade, mas tem), está recebendo propostas do exterior e, além de tudo, é extremamente caro. Custa quase um milhão de reais por mês manter um Luiz Felipe Scolari na folha de pagamentos.
Ainda assim é meu preferido. Convertendo esses gastos em títulos, por mim pode gastar até o dobro. Sem falar que, se o marketing não for inoperante, dá pra fazer muito dinheiro com a presença dele no Olímpico. Mas enfim, como eu disse, não é tão simples. Não basta estalar os dedos para tê-lo no comando do Grêmio.
E, caso não seja Felipão (algo muito possível), meu nome para 2012 é CELSO JUAREZ ROTH. Aos críticos: quem vocês querem? Geninho? Nelsinho Batista? Cuca? Mancini? Gallo? Vou além: Roth é “Top 5” no país. Não existem 5 treinadores no Brasil melhores que ele, na minha opinião. Acho que o “princípio de pânico” externado por alguns ao ouvir a possibilidade de renovação já é quase uma cultura gaúcha. Faz parte do inconsciente coletivo do povo brasileiro até, mas principalmente gaúcho, criticar e debochar do Celso. Talvez por ser meio turrão, teimoso, não ser um ícone do carisma. Mas ele sem dúvidas é muito subestimado. Mesmo com suas limitações e erros, coisa que todo técnico (e ser humano) tem, no frigir dos ovos Roth é um bom técnico.
Repito: Felipão dando sopa, acho muito válido abordá-lo. Não sendo possível, vejo no Roth uma boa opção. E poderá começar um trabalho do início, com pré-temporada, etc. Não será uma intervenção emergencial pra salvar o time. Na última vez em que teve um tempo longo no clube, era o atual vice-Campeão Brasileiro e liderava a Libertadores do ano seguinte, invicto.
Sendo curto e grosso: que tentem o Luiz Felipe. Se não der: Roth neles!
O artigo 66 do Estatuto do Grêmio prevê algo parecido com isso: “cairá FORA do Conselho Deliberativo aquele conselheiro que não comparecer a três reuniões seguidas sem justificativas ou cinco no período de um ano”.
Ou seja, está previsto que o conselheiro precisa participar, ter certa assiduidade na vida do clube. Até aí, perfeito. O problema é na prática: não fiscalizam, tampouco punem os “fora da linha”. Por causa disso, o gremista Thiago Locatelli projetou um site com a parceria e contribuição dos conselheiros Minwer Daqawiya e Giuliano Vieceli: o Transparência Tricolor.
A iniciativa desses três gremistas é fantástica. Agora o torcedor gremista, que já estava interessado nos votos e atitudes de cada conselheiro, vai poder ficar por dentro também da frequência deles.
Acho importante uma ressalva: o fato de o sujeito ter muitas ausências não significa que é um “safado desinteressado pelo clube que só está lá por ego ou interesses”. Há casos de gremistões que realmente não conseguem conciliar seus compromissos com as reuniões, é compreensível. O que questiono são dois pontos: por que não justificar a ausência ao menos? Isso sim denota desinteresse. E outra, por mais gremistão e bem intencionado que seja, se não tem uma vida compatível à demanda que o Conselho exige, será que não é melhor deixar sangue novo agir em seu lugar?
O Transparência Tricolor não quer mudar regra nenhuma, quer apenas dar notoriedade ao que acontece para que seja cumprido o que JÁ É previsto. Conversei com o Minwer sobre o projeto e lá pelas tantas ele tentou me explicar os motivos pelos quais esse artigo do Estatuto não é cumprido: “falta de vontade política, além de gente com rabo preso e o medo de melindrar grandes nomes. Hoje, se o artigo fosse cumprido, faltariam suplentes”.
Será que é um começo de faxina no Conselho Deliberativo que pode estar surgindo? Pelo menos a tentativa está lançada:
Gostei da negativa do Mário à Seleção. Podem me xingar.
Não sou ingênuo: sei muito bem que ele não se negou a viajar a Belém por amor ao Tricolor. Aquele papo de “foco no Grêmio” é o famoso discurso politicamente correto. Foi a desculpa mais fácil e “bonitinha” que conseguiram dar no momento. Mas sei que alguma coisa tem nessa história.
E, vindo do Mário “el loco” Fernandes, pode-se esperar qualquer coisa. Talvez ele realmente esteja estressado e sem cabeça para dar o seu melhor à Seleção. Talvez ele tenha um campeonato de vídeo game do condomínio na quarta-feira. Talvez esteja apaixonado e vá ficar com saudades dela. Talvez o problema dele seja sério. Ou talvez ele simplesmente tenha ficado com preguiça de viajar até o Pará para esquentar o banco da Seleção do Mano. Tudo pode ser.
A única coisa que com certeza não explica essa história é a balela de que o guri “resolveu focar no Grêmio”. A torcida adorou, mas, repito: tem coisa nessa história. O estranho é que, pelo que entendi, ele perdeu o vôo das 5h, mas CHEGOU A IR ATÉ O AEROPORTO. Então disseram que ele só poderia pegar um avião no início da noite e chegaria atrasado na apresentação. Em seguida surgiu a informação de que alguém da CBF teria conseguido um vôo pra ele às 15h MAS ELE TERIA SE RECUSADO A IR. Como assim? Por que só agora desistiu? Estranho.
Por causa dessa estranheza toda na história, eu sigo com um pezinho atrás, pois o Grêmio pode ter alguma coisa a ver com isso ou, principalmente, questões psicológicas do próprio Mário podem prejudicar sua carreira: há quem diga que ele sofre de depressão. Mas como iniciei o texto dizendo, ainda não sei o que aconteceu, mas já gostei. Salvo o caso de a explicação ser surpreendente e totalmente negativa, minha tendência é simpatizar com o acontecido.
Tu tens um compromisso chato e não está nada afim de comparecer, mas já se comprometeu. Sei lá, qualquer evento ao ar livre. Começa a chover e é cancelado. Obviamente tu ficarás feliz. A chuva não caiu com a intenção de cancelar teu compromisso, ela simplesmente caiu, sem saber de nada. Mas não interessa a intenção dela: fique feliz. Sei que o Mário não negou a Seleção por amor ao Grêmio, tampouco por ser O VINGADOR, mas a verdade é que ele disse NÃO a quem já nos tirou o Paulo Nunes na reta final de uma Libertadores pra ficar mofando no banco. O mesmo ocorreu com o Victor em 2009 enquanto pegávamos o Cruzeiro. Exemplos pra essa negativa do Mário ter um gostinho de vingança não faltam. O próprio Ricardo Teixeira já é uma figura que merece ser desprezada. Óbvio que o Mário não pensou nisso tudo e resolveu se vingar da CBF. Claro que não. Mas que é emblemático ver um atleta do teu time dizendo não a esse povo, isso é. Mesmo sem essa intenção, ele me deixou um tanto feliz.
Sem falar que essa loucurinha dele, se bem administrada, pode ser até positiva, conforme já escrevi no texto O Guri de Gelo. E um pouco de rebeldia no futebol não faz mal a ninguém. Não gosto de jogador muito bonzinho: pra ser bobo é dois toques. O próprio Mário teve que FUGIR logo que chegou ao clube para ser notado e promovido ao time principal. O Walter, do Inter, teve que ficar recluso e incomunicável em seu apartamento para ganhar chances no time, e quando ganhou correspondeu e foi decisivo em alguns jogos da Libertadores. Já que falei do co-irmão: sempre elogio o caráter e o futebol do Damião. Mas se ele fosse mais rebelde e tivesse feito algum protesto ano passado, talvez não tivesse assistido do banco de reservas ao Mazembaço.
“No futebol não existe SE”. Discordo. SE o Ademar do Náutico não tivesse batido tão mal aquele pênalti defendido pelo Galatto, talvez o Mano Menezes estivesse treinando o XV de Campo Bom hoje. E o destino do próprio Grêmio poderia ter sido bem mais tenebroso. Existe sim.
Sobre a importante vitória em território catarinense: deu a lógica. O Grêmio é muito melhor que o Avaí. Não é à toa que os donos da casa seguem na vice-lanterna do Brasileirão. O Grêmio é isso, não surpreende ninguém ao perder pros times que brigam lá no topo, e não precisa parir uma bigorna pra vencer os lá de baixo. Somos médios. Eu diria que mais pro topo do que pra baixo, mas alguns erros de gestão nos empurraram um pouco mais pra baixo do que merecíamos.
Mesmo com certa superioridade, o fim do jogo foi um pouco tenso. Ficou perigoso. Não tomamos muitos sustos, mas dava pra ter construído um placar mais elástico e deixado o jogo mais tranquilo SE... Bom, vamos a eles:
SE nossa zaga fosse mais qualificada. Não quero colocar a culpa nela pelo lance do gol especificamente, mesmo sendo um golzinho meio chorado e evitável. Mas acho que o próprio escanteio só surgiu por causa da bateção de cabeça do nosso sistema defensivo, não? Enfim, acho que muita coisa se resolveria com uma dupla mais confiável. Acredito que Vilson e Saimon já melhorarão muito esse quadro.
SE nosso ataque fosse melhor. Ok, concordo que o André Lima isolado fica um pouco prejudicado, mas suas limitações também não ajudam. A quantidade de chutes de longa distância, especialmente dos nossos meias (observo isso desde o jogo com o Botafogo), parece ser um sinal claro de que nem eles confiam no nosso ataque e preferem tentar resolver dali mesmo. E aí sai André Lima e entra Brandão: me desculpem os que botam fé nele, mas me parece farinha do mesmo saco.
SE outros jogadores tivessem recebido chances do Roth. Ainda sobre o ataque, será que Leandro e principalmente Miralles não poderiam ter dado resposta melhor no segundo tempo? Brandão foi mal, André Lima já tinha sido antes. Acho difícil o gringo conseguir ser menos eficiente que essa dupla. Merece ao menos umas chances pra ver o que acontece.
Enfim, acho que estamos bem de goleiro, laterais, volantes e meias. Claro, até mesmo algumas dessas posições podem receber reforços quando se fala em 2012. Mas vejo a zaga e PRINCIPALMENTE O ATAQUE como nossos maiores problemas. SE tivéssemos zagueiros mais seguros e um ataque mais eficiente, essa vitória na Ressacada teria sido mais natural e tranquila, e nossa campanha nesse Brasileiro muito mais promissora.
Mas vencemos e estou criticando. Então, pra ser menos amargo, vai um elogio na mesma linha: SE o Roth fosse esse cara tão horrível que muitos acreditam, a vitória não teria vindo nem mesmo no sufoco. Com um ataque limitado e uma zaga temerária, qualquer time vira presa fácil para os adversários. O Celso claramente conseguiu ajeitar a equipe. Os tropeços seguirão ocorrendo: os altos e baixos vão permanecer até o fim da temporada. Sem qualidade não dá pra tirar leite de pedra.
No último sábado, 17 de setembro, participei da gravação do programa do blog Grêmio Libertador. É um projeto novo, fui recém o 4º convidado: antes de mim conversaram com o jornalista Eduardo Cecconi do Globoesporte.com e com os dois gremistas Campeões do Mundo, Tarciso Flecha Negra e Mazaropi. Só gente importante e eu no meio pra estragar, hehe.
Mas a ideia deles é bem interessante. A quem não viu as outras edições, recomendo muito.
Abaixo os três blocos da edição que participei. Foram debatidos temas como Conselho Deliberativo, o polêmico caso Guerreiro, esquema tático do Grêmio, pretensões do time, etc. Vale a pena conferir:
Dia 22 de setembro é o Dia da Amante. Perfeito pra eu começar o post dizendo que “o Botafogo aprontou fora de casa”. Mas dizer isso seria uma inverdade. Eles não aprontaram nada. Vieram até aqui comportadinhos, um tanto tímidos até. Fizeram o crime porque o Grêmio deu MUITO mole. Não tiveram culpa.
Sem muito esforço o time carioca transformou o Olímpico em Motel Botafogo e, mesmo tendo chegado sem muita maldade, acabou fazendo o serviço.
E o que mais me assusta: o Grêmio não jogou mal. Me preocupo quando o time vai bem, não falta vontade dos jogadores, mas a vitória passa longe. Vou ser curto e grosso: falta qualidade. Tem muito comentarista CHEIO das teorias, numa punheta mental complexa e enrolada, tentando explicar os motivos da vitória, da derrota, do empate. Nem sempre tudo tem uma explicação tática, teórica, blá blá blá. O Grêmio foi bem. Venceu quem tem mais time. Simples.
Olhem aquele Inter de 2008, campeão da Sul-Americana. O Tite não fez nada de excepcional. Teve a sorte de pegar adversários desinteressados pelo caminho e, sobretudo, tinha Nilmar e Alex. Aqueles joguinhos truncados, com cara de empate, volta e meia se resolviam com uma arrancada fatal do atacante Nilmar, ou uma bomba certeira de fora da área do meia Alex. Esse mesmo Grêmio de hoje, acrescentando apenas Lugano na zaga e Damião no ataque, acho que brigaria pelo título. Com André Lima e Edcarlos... Vocês sabem. Qualidade RESOLVE jogo. O Mourinho na casa-mata gremista ontem provavelmente não venceria o Botafogo.
Nos falta qualidade especialmente na zaga e no ataque. Mas ali atrás acho que a dupla Vilson e Saimon pode segurar bem as pontas. Já o ataque... André Lima não se antecipa em UMA bola, se mexe pouco, erra lances cruciais. Enfim, bom reserva, NÃO MAIS QUE ISSO. Longe de ser a solução. Miralles é melhor que ele? Pode ser, mas vão por mim: não ia mudar muita coisa. Não sei se o gringo é TÃO melhor que alguém.
Não sou oportunista: não é porque o Borges tá jogando muito e foi pra Seleção que vou pegar no pé da Direção por ele ter saído. O problema não foi esse. Borges estava numa fase HORRENDA (como o time todo, é bem verdade), foi irresponsavelmente expulso num momento decisivo da Libertadores, errou pênalti bisonho nas Finais do Gauchão e SE RECUSOU a bater outra penalidade na partida seguinte. Nos deixou nas mãos (ou nos pés) de batedores como Viçosa e Adilson. Sem falar no corpo-mole: dizem que chegava atrasado aos treinos nessa época, enfim, louco pra sair. Tinham que repassá-lo mesmo.
O problema não foi mandar o Borges embora. O problema foi a SOLUÇÃO encontrada: Brandão. Se a Direção tivesse trazido alguém do naipe de Luís Fabiano, até mesmo Dagoberto, eu estaria dando de ombros para o Borges na Seleção. E falo em trazer alguém desse calibre lá no começo do ano ainda, quando perdemos o Jonas! Quando saiu o Borges nem se fala. Mas, repito: na época, envolver Borges em negociação por Marquinhos não parecia ser das piores ideias do mundo. Pelo contexto, não era.
Enfim, chega de falar do passado. Borges é passado. É hora de falar do futuro. E eu falo em 2012 mesmo: hora de planejar o ano. O último do Olímpico. Espero que na Série A. Espero que na Sul-Americana. Espero que com contratações interessantes. Espero que com um ataque eficiente.
No dia da amante não fomos traídos pelos ex-gremistas Caio Junior, Herrera, tampouco pelo autor do gol, Loco Abreu: perdemos para nós mesmos. Não só a partida, mas o ano. Que o fim dessa trama não seja trágico.
Há quem diga que ainda podemos sonhar com G4. Muitos outros insistem que nossa briga será até o fim contra o rebaixamento. E um terceiro grupo está resignado, conformado com um iminente e morno meio de tabela. Nenhum desses grupos é completamente louco: qualquer um tem lá sua parcela de fundamento.
Eu confesso que o medo do rebaixamento já tinha sido superado quase que totalmente por mim. Eu via, ainda que distante, o G4 com algo mais próximo do que o Z4. Não só pela pontuação, mas pelas últimas empolgantes partidas do Tricolor. Aí veio a goleada do Vasco e balançou tudo isso.
Vejo semelhança entre esse Grêmio x Botafogo e aquele do ano passado, última rodada do Brasileiro. Em ambos só a vitória nos interessa. E nos dois casos, depois de vencer: ver o que acontece.
Em 2010 o Goiás venceu o Independiente, em Goiás, no primeiro jogo da Final da Sul-Americana. Antes da partida em território argentino tínhamos esse Grêmio x Botafogo pela frente. A vitória gremista nos garantia o G4, mas não a vaga na Libertadores: tínhamos que contar com o fracasso dos goianos no jogo de volta. Só nos restava fazer nossa parte e aguardar. Era vencer e ver o que aconteceria.
Esse ano o contexto é outro, mas a moral da história a mesma: é vencer o Botafogo e ver o que acontece. Antes de qualquer coisa precisamos dessa vitória, aí sim, depois vemos até onde vai esse Grêmio. Ano passado vencemos por 3 x 0 (gols de Douglas, André Lima e Jonas) e a espera valeu a pena. Se esse ano parece improvável esperarmos algo de bom para o Grêmio, ano passado parecia ainda mais. Fomos do Z4 ao G4 e vimos o Independiente buscar um placar improvável contra os Esmeraldinos. Que esse jogo com o alvinegro carioca sirva novamente como um marco para a “virada gremista”.
O horário FINALMENTE é bom: 20h30min. Assim como no ano passado, o Grêmio precisa de ti, torcedor. Todos ao Monumental!
Não sou professor de história, portanto, se eu falar bobagem me corrijam. O fato é que o Rio Grande do Sul INDISCUTIVELMENTE tem uma história linda. História forjada por um povo de virtudes, aguerrido e bravo. Há quem diga que o Rio Grande do Sul só pertence ao Brasil porque os próprios gaúchos assim quiseram: foram inúmeras batalhas defendendo as fronteiras brasileiras. Um povo que sempre lutou, ou melhor, “peleou” por seus ideais.
Mas uma peleia em específico é polêmica: a Revolução Farroupilha. Justamente a que deu origem ao nosso Hino e bandeira. O Hino Rio-Grandense basicamente conta essa história; e nossa bandeira, além de contar com os dizeres “República Rio-Grandense” (um dos ideais revolucionários) possui o verde e o amarelo separados pelo vermelho: já ouvi falar que significa “o Brasil separado pelo SANGUE”.
Mas a maior polêmica que envolve tal Revolução é no que diz respeito ao desfecho da mesma. Em suma, a gauchada fazia algumas exigências ao Império canarinho, pretendendo se separar do país em definitivo caso tais exigências não fossem aceitas. Sendo curto e grosso é possível dizer que perdemos a Guerra: as exigências não foram aceitas e tampouco nos separamos de fato. Mas, ponderando algumas questões, dá pra ser mais otimista: éramos nós contra O RESTO DO PAÍS, e conseguimos levar a peleia bem longe (por 10 anos de muita resistência). Além disso, tudo acabou numa espécie de ACORDO entre as partes (Tratado de Poncho Verde), o que transmite uma pitada de “braço a torcer” também por parte dos imperiais. É bem verdade que TODAS as exigências não foram aceitas, mas alguns pedidos foram acatados (afinal, era um ACORDO de paz).
Enfim, é polêmico. Mas indiscutível é o modo como o gaúcho encara tudo isso: com ORGULHO. Aliás, o gaúcho é um orgulhoso nato. Não é à toa que hoje é feriado no Estado. Portanto, se tu és gremista, tens uma pitada de orgulho no teu sangue. Mesmo que não seja gaúcho: o gremista também é um orgulhoso nato.
O historiador e gremistão Eduardo Bueno (o Peninha) sobre a Guerra dos Farrapos: “é uma Guerra que na verdade os gaúchos PERDERAM, dizem que deu EMPATE, e comemoram até hoje como se tivessem GANHO”. Genial. Aí um “estrangeiro” de outro estado pode dizer: “ah, que ridículo comemorar uma coisa que nem ganharam”. Aí é que tá. Eu acho fantástico. A gente não comemora só o resultado. A gente comemora NOSSA HISTÓRIA. A luta, os ideais, a honra, a intenção. O italiano Giuseppe Garibaldi liderou guerrilhas no mundo todo e declarou: “jamais vi guerreiro tão valente como o gaúcho”. A gente comemora até isso. A gente canta o Hino hoje nos estádios, nas formaturas e demais eventos como se fosse uma espécie de CUSPE NA CARA DO MUNDO. “Somos gaúchos e adoramos isso, falem e pensem o que quiserem: não precisamos de aprovação, tampouco de modéstia. Boa tarde, passem bem... DE MODELO A TODA TERRA”.
Assim como a história do Rio Grande do Sul (anterior aos Farroupilhas) é heróica e linda, a história do Grêmio antes da Batalha dos Aflitos, por exemplo, também é gloriosa e maravilhosa. Estar na Série B é uma DERROTA para qualquer time. Subir de volta não passa de um EMPATE: não fez mais que a obrigação, voltou pro lugar de onde nem devia ter saído. Mas nós comemoramos tudo isso como se fosse uma bela, honrada e maravilhosa VITÓRIA. Não comemoramos pelo RESULTADO FINAL. Realmente, analisando por esse lado só voltamos à Série A. Mas aquela Batalha dos Aflitos foi uma das partidas mais incríveis da história do futebol. Pobre do gremista que não comemora isso. Claro que é passado, bola pra frente, que venham títulos maiores novamente. Mas o comparativo que faço ao Rio Grande do Sul é justamente esse: a polêmica. “Vocês comemoraram SEGUNDONA?” – “Sim, comemoramos. Não interessa o que vocês pensam e digam, temos orgulho do nosso clube, da sua história linda e até mesmo desse episódio que tinha tudo pra ser feio e nós o transformamos em algo digno. Além do mais, não precisamos da tua aprovação, tampouco de modéstia... COM O GRÊMIO ONDE O GRÊMIO ESTIVER”.
Por anos e anos ouvi outros torcedores dizendo que todo gremista é “petulante, convencido, mimimi”. Na verdade somos ORGULHOSOS. Nosso passado glorioso e nossa história riquíssima nos enchem de orgulho. Por causa disso, qualquer coisa é motivo para estufar o peito e empinar o nariz: SOMOS O GRÊMIO. Isso basta. Hoje a hashtag “#RSmelhoremtudo” entrou nos Trend Topic MUNDIAIS do Twitter (assuntos mais comentados na rede). Foi uma espécie de brincadeira exaltando qualidades do Estado. Muitos colorados que nos acusavam de orgulhosos, petulantes, blá blá blá, participaram efusivamente desse “RS melhor em tudo”. Apesar de ser uma brincadeira, todo gaúcho EXALA orgulho de sua terra. Orgulho dos seus antepassados, da sua história, de suas belezas naturais, dos seus costumes, da sua cultura, DE TUDO. E o gremista é um reflexo disso.
Talvez, depois desses últimos anos vitoriosos, as novas gerações de colorados passem a nos entender melhor e até a agir de forma semelhante. Mas a verdade é que nós, gremistas, somos orgulhosos MESMO. Temos a mesma REBELDIA dos Revolucionários Farroupilhas. Tomamos 4 x 0 da Anapolina e saímos na rua no dia seguinte COM O MANTO SAGRADO. Vencemos um jogo de SEGUNDONA e cantamos aos 4 ventos que foi o maior jogo que a humanidade já viu. Somos exagerados sim: a paixão é exagerada. E o futebol é paixão. Poucas vezes vi tanta camisa do Grêmio nas ruas quanto no dia seguinte à derrota na Final da Libertadores de 2007. É como se disséssemos: "não importa o resultado, SOU GREMISTA COM ORGULHO". Nós gaúchos não precisamos de muita coisa pra aflorar ainda mais esse orgulho: já nascemos com ele. Nós gremistas não precisamos empilhar mais títulos para termos orgulho de ostentar o manto: ser gremista já é um orgulho natural.
Como diz o Hino Rio-Grandense e o vídeo abaixo comprova: SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO A TODA TERRA.
Não sou da turma dos terra-arrasada pós goleada sofrida em São Januário. Acho que o time foi especialmente mal nessa partida sim, mas nada muito excepcional. Primeiramente porque as deficiências gremistas evidenciadas na partida não foram nenhuma novidade, e segundo porque também vi muito mérito do Vasco: o atual Campeão da Copa do Brasil e líder do Brasileirão foi muito bem na partida. Atuação de destaque para nosso conhecidíssimo Diego Souza, que muitos gremistas ainda sonham vê-lo novamente com o manto Tricolor.
Como eu disse, existe um time do outro lado. Nem sempre tudo se explica por erros do derrotado: às vezes as qualidades e méritos do vencedor fazem a diferença. Acho que foi por aí que se desenrolou a partida no Rio de Janeiro. Os problemas do Grêmio que contribuíram para a elasticidade do placar sempre existiram, mas noutras partidas não comprometeram. Todo mundo sabia que nossa zaga não é sinônimo de confiabilidade. Bateu cabeça em alguns lances, foi prejudicada por falhas de cobertura dos laterais em outros, talvez tenha faltado um pouco de qualidade também, enfim, nenhuma novidade. E a inoperância do ataque segue na mesma linha, nenhuma novidade: nem mesmo após a goleada contra o Atlético-PR algum gremista passou a acreditar que o André Lima é craque. Sabemos de seus limites. Contra um time ajustadinho essas carências ficam mais evidenciadas e podem custar caro.
Em suma, o Grêmio não é o timaço que venceu as últimas 3 partidas, tampouco o timinho que tomou 4 do Vasco. Somos um meio termo. Um time MÉDIO, sujeito a altos e baixos. Um time que não serve pra horrível, nem pra ótimo, e com lampejos de sorte e competência pode emendar várias vitórias seguidas, inclusive goleando, e com pitadas de azar e desatenção pode sofrer um revés igualmente pesado.
A verdade é que esse resultado foi um banho de água fria. Os gremistas que já falavam em G4 e puxavam a calculadora para sonhar, certamente tomaram um choque de realidade: provavelmente nosso papel nesse Brasileirão (e nesse ano como um todo) será de coadjuvante. Mas, pra quem há pouco tempo PROTAGONIZAVA uma briga tensa para fugir do Z4, acredito que encerrar o ano como um mero coadjuvante de meio de tabela não será tão ruim assim. Pelo tamanho do Grêmio, esse nosso provável destino não ser tão ruim é muito triste. Mas estou mentindo? É só o time perder mais duas seguidas e vai ter gente REZANDO para voltarmos a ser coadjuvantes.
Lupi, um dos maiores compositores brasileiros e autor do Hino do Grêmio, estaria comemorando hoje seu 97º aniversário.
Em vez de escrever sobre ele, vou simplesmente indicar a leitura do texto que fiz após a conquista do primeiro turno do Gauchão 2011. Fica como minha homenagem a ele:
A seguir, um vídeo muito interessante resumindo a história do surgimento de um dos mais belos hinos do Brasil, talvez do mundo, e quem sabe da galáxia. Parabéns e obrigado, Lupicínio Rodrigues!