Salve. Presenciei nos anos noventa grandes embates entre Grêmio e Palmeiras, inclusive fora das quatro linhas. O panorama era o seguinte, o poderoso Palmeiras, patrocinado pela multinacional Parmalat, contra o pragmático Grêmio, treinado por Luiz Felipe Scolari. O Palmeiras disparado o time mais caro e talentoso do Brasil. Jogadores como Roberto Carlos, Rivaldo, Cafu, Edmundo, Muller, Flávio Conceição, Luizão e Djalminha desfilavam pelos gramados do país encantando os torcedores inclusive das equipes adversárias. Mas havia uma pedra no caminho. Um time encardido, formado por jogadores aplicados taticamente e que tinha um treinador que sabia como poucos a arte de jogar as competições chamadas de mata-mata, fórmula que caracteriza a Copa do Brasil e as fases finais da Libertadores da América. Dizia-se que Felipão jogava com o regulamento embaixo do braço. Essa equipe era o Grêmio. Alguns comentaristas do centro do país chamavam o Grêmio de violento e diziam que o Tricolor representava o futebol feio jogado pela Seleção Uruguaia, em contrapartida ao futebol vistoso e exuberante apresentado pela equipe do Palmeiras. E assim foi até quase o final daquela década.
Foto: Diego Vara

Hoje, quase duas décadas depois, os treinadores daquelas duas equipes voltam a se enfrentar. Só que agora em papeis invertidos. O panorama é outro. O Palmeiras deixou de ser aquele time poderoso que foi nos anos noventa, e o Grêmio tenta achar novamente aquela cara que o caracterizou tão bem naquela época. Analisando os elencos das duas equipes, o Grêmio hoje leva vantagem. Vai ter a importante volta do Gladiador, que poderá ter a chance de eliminar o seu ex-time, e se encontra num momento muito bom no entrosamento do time. O jogo contra o Bahia mostrou uma equipe coesa e sólida, tanto na defesa como na saída para o ataque. Vai ter gente dizendo que o Bahia não é parâmetro para uma análise mais aprofundada e que o Grêmio não pegou um adversário realmente forte até agora na Copa do Brasil. Ok, concordo. Mas é por isso que temos cem por cento de aproveitamento na competição.
Estamos fazendo a obrigação, que é ganhar todos os jogos considerados mais fáceis. O adversário, por sua vez, possui um elenco menos qualificado que o nosso. Assisti aos jogos da equipe paulista nas fases anteriores da Copa do Brasil e pude ver um time deficiente na defesa e dependendo demais de jogadores como Marcos Assunção e Valdivia. Aliás o chileno está fora do primeiro jogo da semi final, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. O que torna o Palmeiras ainda mais frágil na primeira partida. Outro ponto importante que deve ser levado em consideração numa decisão é o mando. Escrevo este post ainda sem saber onde será o primeiro confronto, mas já sei que o Palmeiras não jogará em casa. O Palestra está interditado por causa das obras e a equipe paulista costuma mandar os seus jogos para a Arena Barueri, praticamente um estádio neutro. Mais uma vantagem para o Tricolor Gaúcho. O grande trunfo do Palmeiras está sentado (ou em pé) no banco de reservas. Chama-se Luiz Felipe Scolari, aquele mesmo que foi citado acima como um treinador que sabe como poucos jogar este tipo de competição. O especialista em Copa do Brasil. O único que pode tirar o nosso sonho do Penta Campeonato foi o técnico mais vitorioso da história do Grêmio. Assim é o futebol. Quatro partidas é o que falta. Eu acredito! Saudações Tricolores, Cagê Lisbôa.