Domingo foi um dia de boas notícias. Ao contrário do que a esmagadora maioria das manchetes jornalísticas fez questão de exaltar, acredito que a boa atuação do time com a afirmação de alguns atletas tenha sido a melhor de todas as notícias do dia.
Após uma partida sem brilho em Curitiba e um apagão em pleno Olímpico, algumas desconfianças voltaram a surgir. O segundo papo mais clichê do mundo veio à tona novamente: Roth tem prazo de validade. O mais clichê do mundo é que ele é um técnico horrível. Até uma criança de 4 anos, principalmente no Rio Grande do Sul, já sabe repetir esses mantras. Virou uma falácia urbana presente nos inconscientes populares.
Que o Roth é horrível vocês já sabem que discordo, não preciso repetir meus argumentos. Quanto ao prazo de validade, pode ser. Todo mundo, de certa forma, tem um. Mas a partida de ontem deu indícios de que ainda não foi agora que se esgotou o do Roth. O time mostrou-se ainda organizado e focado: as derrotas das duas últimas rodadas tiveram mais cara de exceção do que a histórica e convincente vitória na Vila Belmiro.
E, justamente pelo fato de ter sido histórica, a imprensa esportiva deu maior importância a esse fato: a quebra do tabu. Nenhum time gaúcho havia vencido o Santos na Vila Belmiro pelo Campeonato Brasileiro. O Grêmio não vencia lá desde 1999, numa Seletiva da Libertadores: 1 x 0, gol de Itaqui.
Legal quebrar esse tabu. Mas, repito: pra mim foi melhor ter visto uma boa atuação do time e alguns nomes se afirmando na equipe. Fernando está simplesmente impecável. Júlio Cesar é o fim de outro tabu que também durava anos: enfim temos lateral esquerdo. Mário reforçou seu status de coringa: da lateral à zaga com a naturalidade de quem atravessa uma rua em Coqueirinhos do Sul. Posso estar esquecendo de outros nomes, mas pra não me alongar vou ao ponto, ou melhor, ao gringo: Escudero. Um dos melhores em campo.
O argentino se soltou de vez desde a chegada do Celso e, além de protagonizar bons lances no jogo, foi o autor do gol histórico. Um dos destaques da rodada e, por que não, da história. Até onde sei não há renovação encaminhada. Seria bom definir logo seu futuro e tentar negociar sua permanência junto ao Boca Juniors.
Eu podia ficar muitas outras linhas falando da bela vitória, da atuação, do tabu, etc. Mas como repito há tempos, não cairemos, tampouco pegaremos zona de Libertadores. A vitória, portanto, foi legal e ponto final. Não mudou muito nossa situação. Por isso vou mudar de assunto e falar do outro gringo que teve destaque no domingo: Miralles.
Sigo dizendo: quero Felipão para 2012. Não sendo possível, QUE FIQUE O ROTH. Não vejo nomes melhores no mercado. Entretanto, não é por ser defensor do trabalho dele que não vou enxergar possíveis erros do Celso. Preterir o gringo a uma cambada de inoperantes é MUITO estranho.
Ouvi dizer que Miralles estaria fazendo corpo-mole nos treinos, rendendo pouco, etc. Olha, a menos que ele tenha desrespeitado o Roth ou algum colega, alguém da direção, não é motivo para sequer relacioná-lo no banco. Ou essa história está mal contada, ou é uma teimosia lamentável do Roth. Brandão e André Lima são farinha do mesmo saco (e um saco de onde não se pode esperar muito). Clementino é mais rapidinho, mais interessadinho, volta e meia incomoda e tal, mas é ainda pior do que os dois primeiros. Ontem Miralles foi preterido a esses três “craques” e a um guri da base. É motivo para se revoltar mesmo.
Fora o tal do Everaldo, que veio da base e ainda não tenho opinião formada, é impossível o Miralles render menos no ataque do que os outros TODOS. Seja fincado, como homem de referência, seja atacante de movimentação vindo mais de trás, caindo pelos lados, caindo do céu, brotando da grama, não interessa: provavelmente renderia mais que as outras opções. E não acho o gringo NADA DE EXCEPCIONAL, longe de ser o atacante dos meus sonhos e a salvação da lavoura. Mas que é estranho tudo isso, de fato é.
E já que estamos falando da vitória contra o Santos e em quebra de tabu, lembro a todos que, ao ser anunciado, o Miralles protagonizou outra vitória tricolor frente ao Santos: os dois clubes disputaram o atleta do Colo-Colo e nós levamos a melhor desembolsando cerca de 2,3 milhões de dólares. Era minha esperança para a quebra de outro tabu: finalmente teremos um atacante eficiente em 2011, coisa que não se viu desde a saída do Jonas. Pois o gringo quase não teve chances e, ao que tudo indica, tampouco terá mais daqui pra frente. Estranho, no mínimo.
Por mais que por vezes o Roth tenha suas teimosias, e sei que tem, essa tá demais. Ou o gringo aprontou/falou algo que desconheço, ou estamos colocando fora aquela que provavelmente é uma das melhores opções ofensivas do nosso plantel.
Saudações tricolores.
@lucasvon
