Esse é o meu sentimento hoje. Sou acometido por uma tristeza diferente, broxante. Queria estar irado com o time, indignado com a derrota em Minas Gerais. Mas não estou. Me sinto anestesiado, indiferente. Isso é, talvez, mais triste que a tristeza sentida em uma derrota dolorosa.
Sobre o jogo, nem tenho muito ânimo pra me prolongar. E se eu tivesse, que diferença ia fazer? Há tempos sabemos que nosso ano acabou. Há tempos temos a noção de que só nos resta focar desde já em 2012. Um prematuro e triste foco para um clube do tamanho do Grêmio. Ainda mais num campeonato como esse, repleto de times irregulares e frágeis no topo da tabela. Era só ter planejado um pouco melhor o ano e poderíamos estar entre eles.
Como eu queria estar irritado com a postura do time antes de tomar o primeiro gol. Como eu queria reclamar impetuosamente da atitude da equipe que, só resolveu jogar quando o placar já era desfavorável. O segundo gol foi mais casual, achei que o time passava por um momento melhor na partida, acontece, coisas do futebol. Mas o primeiro o Grêmio pediu pra tomar.
Mas o ponto não é esse. O ponto é: que diferença fez? E se fosse 5 x 0? E se fosse empate? E se tivéssemos vencido? Essa é minha tristeza. Nós, torcedores, somos movidos pela paixão. Não há razão nenhuma em torcer por um clube. Paixão pura. E a paixão é um sentimento. E o que uma anestesia faz é justamente ceifar a sensibilidade do indivíduo, fazer com que ele não SINTA nada. Se não há sentimento, até a paixão esfria. Nada mais triste para um torcedor do que essa anestesia.
Eu sei que podia ser pior. Podíamos estar brigando pra não cair, e aí os nervos estariam à flor da pele, do jeito que o torcedor gosta. Mas aí já é um pavor, e não aquela adrenalina boa de quem briga em cima. Óbvio que prefiro essa anestesia do que ficar namorando com o Z4. Mas eu preferia mesmo era estar triste com o sangue fervendo, e não com ele morno como está agora. Triste por ter deixado a liderança escapar, algo assim. Essa tristeza me serve muito mais do que essa indiferença pelo resultado.
Esse post foi tão triste que esmiucei os tipos de tristeza e cheguei a conclusão de que vivemos uma das piores. A tristeza por não estar triste. Esse é o resumo de 2011, amigos. Só nos resta esperar que no ano que vem estejamos debatendo se é melhor a alegria de ser campeão em casa, fora, de virada apertada, de goleada folgada e assim por diante. Feliz 2012 a todos nós. É o que desejo, desde já.
Saudações azuis, pretas e brancas.







