
Quem não tem culpa pela derrota de ontem: torcida gremista e os 13 jogadores que estiveram em campo.
A torcida gremista fez sua parte. Colocou quase 40 mil no estádio às 19h30min. Eu, sem fazer enquete alguma, por acaso sei de duas pessoas que não puderam ir ao jogo devido ao horário. Todo mundo deve conhecer alguém com o mesmo problema. Mesmo assim a Nação Tricolor conseguiu se fazer presente e fazer barulho. Mas infelizmente, apesar de ajudar muito, não é SEMPRE que a torcida ganha jogo. Outros setores têm que ajudar também.
Borges não joga nada há um ano. Essa é a verdade. Está me lembrando muito o Alex Mineiro: sujeito que já jogou bem, mas atingiu uma idade crítica. Sempre fui relativamente tolerante com ele, até mesmo nutrindo uma esperança de que desencantasse e voltasse a ser matador. Só que ontem meu limite de paciência se esgotou. Fez pior que o Rodolfo no jogo passado. Deixou o time na mão no jogo de IDA e de VOLTA. Obrigado, Borges. Bem inteligente da tua parte.
Ao todo, com as 3 substituições, 14 jogadores gremistas pisaram em campo na derrota por 2 x 1 para a Universidad Católica. Exceto pelo Borges, os outros 13 não tiveram culpa alguma pelo resultado. Arrisco-me a dizer que a maioria jogou BEM. Sobretudo o meio-campo. Douglas muito bem, Adilson participativo e desarmando muito, Rochemback chamando a responsabilidade, enfim, as individualidades não foram mal. Até mesmo Gabriel deu sinais de ter acordado e o próprio Marcelo Grohe, uma das maiores preocupações de alguns gremistas, evitou aquele que seria o terceiro e fatídico gol dos chilenos. Ontem nossos problemas não passaram diretamente pelos jogadores. Fora o Borges, insisto.
E isso é o que mais me assusta: o time não foi mal. Significa que é isso o que temos a oferecer. Não muito mais. É a realidade, amigos. Quem acompanha o Blog assiduamente pode me achar um tanto repetitivo em alguns pontos, mas vou tentar apontar questões que acredito estarem erradas no Grêmio, justificando de certa forma a derrota de ontem, e com isso será necessário repetir algumas coisas que já foram ditas.
Qualquer técnico do MUNDO vai ter seu trabalho contestado aqui ou acolá por jornalistas e torcedores. E provavelmente seriam contestações distintas: cada um iria achar problemas e soluções diferentes. Por exemplo: pra mim, HÁ TEMPOS está claro que Neuton é nosso lateral-esquerdo titular. O guri é melhor que Collaço e Gilson e joga mais na lateral do que na zaga. Mas ok, esse tipo de análise vai muito da opinião. Outros vão querer o Mário no time, alguns insistirão em mais chances ao Escudero, etc. Se formos entrar nesses méritos, até mesmo nomes como Mithyuê vão acabar surgindo. Não vou entrar nesse debate. Não é por aí que vejo a(s) grande(s) falha(s) do Renato.
A questão é estrutural e/ou anímica, no meu ponto de vista. Estrutural no sentido de armar o time. Vejo o Renato com dificuldades de diagnosticar problemas sérios da equipe. Nosso setor defensivo está PERDIDO. E não é problema SÓ de qualidade. Rafa Marques em outros tempos já fez dezenas de jogos sem falhar. De repente ele tinha uma cobertura melhor, de repente outras engrenagens funcionavam melhor. Já tivemos um sistema defensivo mais sólido com jogadores como Patrício, Pereira, Evaldo, Ozéa, Paulo Sérgio, Wellington, Bustos, Jean e por aí vai. A questão não é SÓ qualidade. Tá uma bagunça, um Deus nos acuda. E não é só bola aérea não: foi constrangedora a facilidade com a qual a U. Católica entrou na nossa área naquele que seria o terceiro gol dos chilenos, não fosse a intervenção crucial do Marcelo. E a questão anímica é um tanto subjetiva, mas, sei lá, vejo um Renato mais desanimado, sem a mesma pilha do ano passado, parecendo até mais desinteressado. Digo isso porque não o considero um técnico ruim. Ele tem seus limites, o que é natural, mas já mostrou em outras oportunidades que não é bobo. Agora parece estar sem foco, ou algo do tipo. Mas isso pode ser só impressão minha.
E o ataque também, parece avançar meio que no “bumba-meu-boi”, sem muita consciência tática. Na base do “seja o que Deus quiser”. Renato não achou soluções estruturais na equipe pós-saída do Jonas. Não adianta fazer o mesmo que fazia em 2010, o time não é o mesmo, essa é a verdade. Sem Jonas, o jogo é outro. Renato parece não ter percebido.
E na entrevista ele diz que a gente toma muitos gols, mas normalmente faz mais. Não é coisa que se diga. Tinha que tentar SOLUCIONAR isso, e não ficar empurrando o problema com a barriga fingindo que está tudo bem. MAS, apesar de ter dedicado cinco parágrafos a ele, Renato está longe de ser o MAIOR culpado. Acredito sim que ele tem sua parcela de responsabilidade, mas vamos combinar, o que a direção fez de bom em 2011?
Isso é o que me deixa mais triste. Minha empolgação ao fim de 2010 era GIGANTESCA. A Libertadores era um sonho MUITO viável. Conseguiram deixá-lo bem distante. Mesmo jogando a vida em Santiago e voltando com a vaga, ainda será distante. Pela primeira vez nos últimos sei lá quantos anos o Grêmio se classificou pra uma Libertadores E NÃO MELHOROU O TIME em relação ao ano passado.
A direção trouxe duas apostas: Escudero e Carlos Alberto. E uma certeza: Rodolfo, que tem qualidade sim, mas não é nenhuma 8ª maravilha do mundo. E SÓ. Não preciso citar todos os nomes que perdemos. Um menino de 17 anos, que em janeiro não servia nem pro Gauchão, em abril virou a ESPERANÇA gremista. Foi jogado na fogueira, em meio a uma oitava-de-final de Libertadores. Era previsível que ele fosse sentir e não fosse resolver nada SOZINHO. Mas é o que temos.
Ao fim do jogo Odone veio falar em imortalidade, Aflitos e o escambau. Que raiva que me deu. CHEGA DESSE PAPO! Quem tem que sustentar místicas, sentimentos e devaneios somos NÓS, torcedores! Dirigente tem que ter mais os pés no chão! E ainda fica mandando SMS pra convocar os sócios a irem ao jogo. Seria mais útil canalizar essa energia pra ter um Dagoberto no ataque, um Coates na zaga, etc.
A direção do Grêmio está LAMENTÁVEL em 2011. Salvo o improvável caso de vencermos essa Libertadores, ficarão marcados esse ano apenas por terem ficado 2 meses de papinho com Ronaldinho, pois foi só o que fizeram. Não agregaram NADA ao time. Era uma Libertadores MUITO possível, que se tornou improvável e quarta-feira que vem pode ficar impossível. Por isso, mesmo com algumas falhas, Renato não pode ser apontado como o grande culpado, pois olhar para o banco e ver o Lins como salvação é um tanto desalentador.
Óbvio que não joguei a toalha. Futebol é futebol e o Grêmio é o Grêmio. Tudo pode acontecer. Mas estou desanimado porque tornaram complicado algo que podia ser bem mais tangível. E já cansei desse papo de “com o Grêmio tudo tem que ser difícil”. Chegou a hora de sermos humildes o suficiente para olharmos para nosso rival e vermos que um elenco qualificado faz a diferença. Com Perea não é impossível, mas com Nilmar fica bem mais fácil. A imortalidade não faz um Gilson jogar a bola de um Kléber.
Por mim, vamos de juniores ao Beira-Rio domingo. Levem o time pra Santiago AMANHÃ. Fiquem concentrados lá fazendo uma espécie de retiro espiritual misturado com treinamento do BOPE. Uma semana mergulhados no jogo de quarta-feira. TUDO OU NADA. Dane-se o Gauchão. Se perder domingo, pode ir de juniores de novo nas duas finais. O pulso ainda pulsa. Ainda queremos a Copa.
Saudações azuis.
@lucasvon
