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Posts com a tag "Flamengo"

Começo e fim

02 de dezembro de 2011 15

O Grêmio, junto ao Cruzeiro, é o maior vencedor da Copa do Brasil. São 4 títulos. Pra quem não sabe, ou não lembra, nas três primeiras conquistas do Tricolor TODOS os grandes times brasileiros participaram. Inclusive os que disputavam a Libertadores.

O ano de 2001, marcado pelo Tetra gremista em cima do Corinthians, foi o primeiro em que as equipes que disputavam a Libertadores não participaram. Nesse ano, por exemplo, ficaram de fora da competição Palmeiras, Cruzeiro, Vasco e São Caetano.

A notícia do momento é que em 2013 o calendário brasileiro sofrerá alterações e a Copa do Brasil não colidirá bruscamente com o período em que acontece a Libertadores. Ou seja, 13 anos depois, a Copa do Brasil passará a contar novamente com todos os grandes clubes. Certamente aumentará um pouco o brilho da competição. Voltará a ser um “Brasileirão em forma de mata-mata”. Hoje em dia ela anda um pouco menos valorizada em virtude dessas ausências.

O Grêmio venceu a primeira edição da Copa do Brasil, a de 1989. Depois a conquistamos no primeiro ano em que os da Libertadores caíram fora, em 2001. Nada mais justo do que vencermos no último ano desse formato. Que comece e termine com o caneco na Azenha.

E fica até de incentivo: em 2013 teoricamente esse “atalho para a Libertadores” ficará mais difícil. Em 2012 é a última chance de faturarmos esse título de uma forma UM POUCO menos árdua. Que o Grêmio se jogue de cabeça nessa competição ano que vem. Que o planejamento comece desde já.

Copa do Brasil sem as equipes que jogam Libertadores: começou com o TETRA, que termine com o PENTA.

Recordar é viver: o TRI no Maracanã em 1997



Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Carta para Ronaldinho

30 de outubro de 2011 124

Foto: Diego Vara

Oi, Ronaldo.

Vi no teu sorriso que te sentiu em casa ontem, né? Não por estar na cidade ou no Estádio onde te criou e cresceu, mas talvez pelas moedas arremessadas em teu ônibus e pelas notas de dinheiro com teu rosto que voavam pelo gramado. Afinal de contas, sei que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e o Estádio Olímpico não significam nada pra ti, já o dinheiro é o que rege tua vida.

Quando saiu do Grêmio em 2001, daquele jeito torto, muita gente acreditava que tu eras apenas um guri ingênuo. Que não sabia o que tinha feito e que fora prejudicado pela inexperiência e burrice do teu irmão e incompetente empresário. Muitos acreditavam que tu, lá no fundinho, te arrependias. Fez aquilo por migalhas que pouco depois já faturou mil vezes mais. Pensávamos que, se pudesse, tu darias um caminhão de dinheiro para reconquistar o torcedor gremista e, sobretudo, a paz no teu Estado e na tua cidade natal.

Te interpretamos muito erradamente. Nosso erro foi pensarmos com nossa cabeça, de pessoas honradas, dignas e de caráter sólido. Para nós fazia todo o sentido do mundo alguém que já tem talento e grana tentar buscar só aquilo que lhe falta: a paz e o respeito de seus conterrâneos. A dignidade. Com sorte, talvez até um pouco de carinho e admiração, mas não precisamos ir tão longe.

Por isso, em janeiro de 2011, a Nação Tricolor ficou tão irada contigo. Pensávamos estar te dando a oportunidade de ouro. Pensávamos que, ao te estender a mão, tu virias correndo, totalmente agradecido, fazendo juras de amor ao clube e até mesmo dando explicações referentes ao episódio-PSG de 10 anos atrás. Mas fomos ingênuos. Ignoramos o fato de que tua cabeça, assim como a do teu irmão, não é como a nossa. Pra vocês não importa nosso perdão, a paz no Rio Grande do Sul, o livre transitar pelo Olímpico, o respeito de milhares de pessoas. Pra vocês o que importa é a grana.

Agora fica claro que na cabeça de vocês nem havia o que ser perdoado, afinal de contas, não devem achar que erraram em 2001 ao sair do clube pela porta dos fundos sem deixar um centavo para quem o abrigou e acolheu por tantos anos. “Se for pra ganhar um troco a mais, tá valendo tudo, doa a quem doer”. Tá valendo até mentir e enganar o clube por uma segunda vez, nas tratativas de um possível retorno.

Mas não te preocupe. Se algum dia enfrentares o Grêmio de novo em Porto Alegre (seja pelo Flamengo ou pelo time que estiver pagando mais no momento), e eu ainda tiver algum espaço na mídia, juro que vou fazer uma campanha pra conscientizar o pessoal a te ignorar. Acho que foi válido o recado dado ontem no Olímpico. Ficou legal, de bom tamanho: deixamos bem claro que pessoas com o teu tipo de pensamento e conduta não são bem-vindas no Grêmio. Mas deu, chega. O recado já foi dado. Na próxima vez que te encontrarmos pelo caminho, espero do fundo do meu coração que a torcida ignore tua presença e finja que nem te conhece. Pois é isso que tu representa na história do Grêmio: nada.

Daqui a 50 anos meus filhos saberão que um traíra com muito talento passou por aqui, mas são os pés do Sandro Goiano que eles verão na calçada da fama. Saberão que outro “R. Gaúcho”, mais conhecido como Portaluppi, também foi criado no Olímpico e, ora vejam só, também jogou no Flamengo, mas é VENERADO pela Nação Tricolor. Esse grande NADA que tua burrice e ganância conseguiram carimbar na tua história dentro do Grêmio provavelmente não deve te incomodar. Principalmente se o salário estiver em dia. Mas já que teu QI não é dos mais avantajados e talvez não tenha se dado conta, a má notícia é que essa rejeição odiosa por parte da “metade” azul do RS, somada ao desprezo da “metade” vermelha, inviabiliza campanhas publicitárias no Estado.

Imagina uma cerveja daqui te usando como garoto propaganda. Ou um banco. Ia ser uma bolada em dinheiro. Mas não dá. E até mesmo campanhas nacionais ficam mais difíceis com essa bronca que tens aqui no Sul. Agora peguei pesado. Toquei na ferida, ou melhor, no bolso. Desculpa. Espero não ter estragado teu dia: seria covardia da minha parte pisar em quem recém caiu de quatro.


Um homem era tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro.” Chico Xavier.




Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Uma derrota certa

27 de outubro de 2011 50

Domingo teremos uma derrota CERTA no estádio Olímpico. Não falo do Grêmio, tampouco do Flamengo: o placar do jogo é uma incógnita. Mas teremos uma derrota de um homem. A consumação de um fracasso retumbante de um rapaz que tinha tudo para ser sucesso.

Dizem que o Ronaldinho está dando de ombros para o duelo com o Grêmio. Duvido. Até acredito que ele pouco se importe conosco e de fato só pense no seu dinheiro. Mas por mais frio e mosca-morta que seja um sujeito, e ele é as duas coisas, é impossível ignorar totalmente 8 milhões de desafetos. Ele finge que não é com ele, foge do assunto, tenta transmitir serenidade. Mas domingo vai ter que encarar a situação de frente. Vai sorrir bastante para as câmeras, mas duvido que o faça ao encostar a cabeça no travesseiro à noite, após receber a maior vaia de sua vida de um estádio com 50.000 indignados torcedores.

O mais difícil ele tem: talento. Mas cá estou eu, falando do FRACASSO de um rapaz milionário, campeão por seus clubes e sua Seleção e dono de um carisma ímpar. Na minha concepção de vida ele é sim um fracasso. Um cara que sequer é político ou exerce alguma outra profissão com maior facilidade de conquistar inimigos e não consegue caminhar de cabeça erguida na terra onde nasceu e se criou, pra mim é um fracasso. Isso ele não pode comprar com seu dinheiro.

A última partida de Ronaldinho no Olímpico foi contra o Figueirense. Vitória gremista com direito a golaço de falta do Moreirinha. Mas o jovem promissor já tinha feito sua primeira maracutaia com o irmão metralha: estava acertado às escuras com o PSG. Acerto esse que não contemplava ao Grêmio um tostão sequer. Recebeu duras vaias nesse jogo e torcedores arremessaram moedas no jovem. Recentemente o Assis foi a vítima no Monumental, na despedida do Danrlei: tomou vaia sempre que encostou na bola, inclusive quando marcou um gol. O episódio de 10 anos atrás ficou engasgado.

Não satisfeitos em fazer tudo que fizeram, os irmãos Assis procuraram o Grêmio para ensaiar um retorno triunfal, praticamente acertaram todas as cláusulas do contrato e, novamente por baixo dos panos, as negociatas com outros clubes rolavam soltas. Parece que até brinde de champagne entre Assis e Odone andou tendo para celebrar o acordo e, de repente, surpresa! “Uma vez do Grêmio, Flamengo até morrer”.

Alguns gremistas que não gostavam do R10 por causa do episódio PSG já estavam até relevando tudo, esperando explicações, declarações de amor e uma reconciliação bem-sucedida. Pois tomaram outra botinada na orelha, sem dó. Aí não sobraram defensores. Recebi mensagens pela internet ou celular de gremistas com quem eu tinha discutido por causa do Ronaldinho, todas com o mesmo teor: “tu tinhas razão. Agora tô contigo”.

Ronaldinho será recebido no Olímpico do mesmo jeito que se despediu: com vaias. Mas dessa vez vai ser pior. Aquelas vaias de 2001 não tinham a força de uma segunda traição. Não tinham o rancor de quem o defendera. Não tinham o constrangimento de quem se associou para vê-lo jogar e a decepção de quem sonhou com isso por alguns dias. Essas vaias não serão vaias, serão um recado: “Ronaldo, aqui não és bem-vindo porque tu não presta”.

Nenhum colorado recebeu ou receberá maior hostilidade no Olímpico. Não temos problemas com colorados. Temos amigos e parentes colorados. Amamos colorados e coloradas. É da vida. Hoje ganhamos um Gre-nal, amanhã perdemos. É do jogo. Mas as vaias que ouviremos domingo não dizem respeito a uma rivalidade sadia ou a uma opção clubística. A vaia e as manifestações contra ele serão pessoais. Dirão respeito à honra, à hombridade, ao caráter.

Por isso que eu digo, por mais que o Flamengo vença com 3 gols antológicos de Ronaldinho, ele ainda assim sairá de campo derrotado. O ser humano sempre busca se ancorar em ritos de passagem: casamento, velório, etc. Não basta dizer que agora os noivos estão juntos ou que algum ente querido morreu. Precisamos ver e sentir na pele pra que caia a ficha de vez. Pois esse será o “divórcio” oficial do Ronaldinho com a torcida gremista. Por mais que ele saiba que não deve ser bem quisto por aqui, no seu inconsciente ainda guarda boas lembranças dentro do Olímpico e com a torcida gremista. Agora a ficha vai cair. Agora ele vai entender e sentir na pele que uma Nação o despreza e o considera um desafeto.

“Mas o desprezo não seria a melhor resposta?” Não. Isso aqui não é caso de namorado e namorada. Talvez seja pior ser ignorado do que incomodado após o término de um relacionamento. Talvez doa mais mesmo. Mas nosso caso é diferente. A indiferença a gente já pratica com 99% dos jogadores que pisam no Olímpico. Fazer o mesmo com quem nos traiu duas vezes seria ridículo. Seria avisar ao mundo que não temos orgulho e que, quem quiser, pode nos sacanear à vontade, pois seguiremos indiferentes. Discordo desse pensamento. Temos que mostrar que não se pisa numa Nação gigante e apaixonada por um clube com mais de 100 anos de uma gloriosa história.

Por mais bobalhão que o Ronaldinho seja, ele vai sentir, podem ter certeza. Vai entender o recado, ainda que tente disfarçar com aquele farto e desalinhado sorriso. Sorria, Ronaldinho, sorria. Sorria: você é um derrotado.


OBS1: ontem saiu a notícia de que ele teria sentido um inchaço no olho. Até acho que vem a Porto Alegre e joga. Mas se tratando de um bunda-mole como ele, só acreditarei que não fugirá da raia quando entrar em campo. Mas caso ele venha, que seja mantida a paz no estádio, sem violência. Nossa resposta será nas faixas e na voz.

OBS2: aos colorados e principalmente flamenguistas que debocham do Grêmio e se divertem com o episódio Ronaldinho, indico a leitura de um texto que fiz há um tempo sobre esses casos do futebol. Para refletir: Temos culpa.

OBS3: para quem não acompanhava o Blog na época, ou queira relembrar, seguem dois textos que fiz no começo do ano. O primeiro logo que confirmaram seu destino rubro-negro e o segundo um pouco depois: 1- Vibre, torcedor gremista. 2- Compra isso, Ronaldinho.



Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


O outro domingo

20 de outubro de 2011 83

Parece que o Grêmio tem jogo nesse doming... Ah, é sábado? Ok. Tanto faz.

Sem hipocrisia: será bem legal vencer essa partida. E PONTO FINAL. Essa vitória pode empolgar alguns que ainda sonham com G4 ou G5, mas eu sigo cético no meu palpite: não cairemos, tampouco conquistaremos algo maior. E nem sei se quero essa vaga na Libertadores, pra ser franco. Mas isso é outro papo.

A verdade é que vencendo, empatando ou perdendo, nada mudará muito. Talvez só o fator anímico, afinal de contas, sempre é bom vencer. Além disso, sempre é um tanto chato perder para o lanterna da competição.

O fato é que 2011 se resume a 180 minutos para o Grêmio: Gre-nal da última rodada (mesmo supostamente não valendo nada, é Gre-nal) e a partida do dia 30/10, contra o Flamengo no Olímpico. Ou seja, sem meias palavras: o importante contra o América, além de tentar fazer um bom jogo, é não lesionar nem suspender ninguém. No outro domingo tem o rubro-negro carioca no Monumental.

Procurei mas não achei os pendurados do time. Acho que o Marquinhos deve estar. Talvez Escudero e Fernando também? Não tenho certeza. Se alguém souber, agradeço desde já se informar nos comentários. É bom se ligar nisso.

Apesar de o time mineiro ainda brigar pra escapar da degola, o clima do jogo deve ser de treino, o que vai ajudar a não criar uma atmosfera de guerra, de jogo pegado: por estar virtualmente rebaixado, acredito num estádio quase vazio (até porque é o América-MG) transformando a Arena do Jacaré praticamente em um campo neutro. Talvez ajude a tornar o jogo mais tranquilo, evitando maiores riscos de desgastes e lesões.

Como eu disse, nosso ano se resume a dois jogos. Um deles porque é Gre-nal e dispensa explicações, e o outro porque... Bem, vocês sabem.



Saudações azuis.

@lucasvon


A derrota que eu não aceito

29 de julho de 2011 163

Ganhar ou perder é do jogo. A derrota, por mais dolorosa que possa ser, faz parte. É indesejada, mas aceitável.

Outras coisas no futebol são bem maiores que isso. Esse esporte, forjado pela paixão e emoção, não pode deixar de estar acompanhado da honradez, da dignidade e do orgulho. Pelo menos para nós, torcedores. Ou nada disso tem razão de ser. Ou tudo isso se resumiria a onze marmanjos correndo atrás de uma esfera de couro. Ninguém se emocionaria com isso. Por trás daquelas três cores há muito simbolismo representando uma série de sentimentos.

Ele vai ser julgado, se não me engano, mas considerando que seja liberado, vos digo: o jogador gremista que tietar o mercenáR10 terá que ser cobrado pela direção. Terá que dar boas explicações e, sem exagero, é de se pensar até em multa. Tietar significa ficar babando-ovo do trairúcho, de conversinha mole cheia de sorrisinhos, cumprimentos carinhosos cheio de abraços e afeto, essas coisas. O jogador gremista que TROCAR A CAMISA com ele, por mim já pode procurar outro clube.

Digo isso porque sei como é boleiro. Eles não estão nem aí. A maioria é fã do mercenáR10, e a probabilidade de fazerem o que estou dizendo é LAMENTAVELMENTE grande. Não só os jogadores do Grêmio. Quase toda a boleiragem brasileira é semelhante. Não se importam se o cara em questão traiu duas vezes a Nação Gremista. Estão pouco ligando se os milhões de torcedores para os quais defendem o manto tricolor têm uma mágoa estrondosa com o ex-gaúcho.

Por isso venho pedir que alguém ligado ao futebol do Grêmio, se tiver acesso a esse texto, passe a mensagem ao grupo. Sei que ali são poucos os gremistas de verdade, se é que de fato existe algum, mas mesmo assim, que os demais FINJAM. Ignorem o trairúcho durante a partida, em respeito à Nação Tricolor. Depois do jogo podem ir a casa dele sambar e se abraçar. Não vou ser ingênuo de esperar que a boleiragem aja como estou pedindo de forma genuína. Eles não são assim, não adianta pedir para que mudem de pensamento. Mas que durante 90 minutos pelo menos, finjam. Durante esse período eles não são André Lima, Victor, Gilberto Silva... Eles são o Grêmio. Gilberto, inclusive, que foi colega dele na Seleção e não acompanhou de perto o episódio da segunda trairagem: orientem o rapaz.

No Rio de Janeiro tocam o Hino Nacional antes do jogo? Não lembro disso. Caso sim, seria épico se alguém não cumprimentasse o mercenáR10 após a execução. Rochemback seria uma esperança, mas acho bem difícil. Teria minha idolatria pra sempre.

Enfim, torço para que o Grêmio ganhe ou pelo menos empate essa partida, seria bem importante. Mas torço muito mais para que nenhum jogador gremista me envergonhe. Ver um deles venerando um cara que fez tudo que fez com o Grêmio e sua torcida, pra mim seria uma derrota mil vezes maior do que a do jogo propriamente dita. Pra mim seria pior do que ficar mais 10 ou 20 anos sem ganhar nada. O Grêmio é maior que títulos, pontos ou vitórias. Uma atitude dessas seria pisar e cuspir em tudo que representa a instituição Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.


Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Compra isso, Ronaldinho

11 de janeiro de 2011 1

A montagem acima é uma brincadeira: mas eu gostaria que fosse verdade.


DIÁRIO DO FUTURO

Porto Alegre, XX/YY/2011


Ontem os 50.000 torcedores que lotaram o Estádio Olímpico Monumental presenciaram um grande jogo. Grêmio e Flamengo protagonizaram uma das partidas mais esperadas do ano, e não fizeram feio.

Muitos duvidavam que Ronaldinho estivesse em campo. Gremistas não acreditavam que o desafeto aguentaria a pressão, imaginavam que simulasse lesão. Mas se enganaram: Ronaldinho esteve em campo ostentando a camisa 10 rubro-negra. Foi o tempero especial desse duelo que já tinha tudo para ser eletrizante.

A peleia começou bem antes de o juiz apitar. Depois das execuções dos hinos Brasileiro e Rio Grandense, a equipe do Flamengo fez a tradicional fila para cumprimentar o trio de arbitragem e os atletas do time local. Nenhum jogador do Grêmio estendeu a mão para Ronaldinho, que ficou visivelmente constrangido, nervoso e desconcertado.

Ao chegar ao último homem gremista, Paulão, Ronaldinho é surpreendido com uma mão estendida. Ele cumprimenta o zagueiro gremista que, enquanto aperta forte sua mão, diz em seu ouvido: “- Acabei de coçar o saco. Por dentro do calção. Sabe como é, micose”.

Ronaldinho sai limpando as mãos no calção, camisa, esfregando na grama. A cena fica esquisita, ninguém entende direito. Os dois times começam a aquecer com a bola: últimos piques, últimos chutes.

Adilson encosta em Ronaldinho e banca o tiete, dizendo que o viu surgir no Grêmio e torcia muito por ele na época. Ronaldo agradece, e Adilson completa dizendo que também é gaúcho, têm isso em comum. Ronaldinho apenas sorri. Adilson segue conversando enquanto os dois alongam e aquecem:

A: - Cara, sou jovem ainda, talvez um dia vá pra Europa. Lá rola muita grana mesmo?

Ronaldinho, meio desconfiado com a aproximação do jovem, que foi um dos que não o cumprimentou, responde meio sem jeito, quase sem olhar em seu olho:

R: - Bah, pode ter certeza que sim.

A: - Então tu tem muito dinheiro, pode dizer, tem, né?

R: - Hehehe, é, to tranquilo, deu pra juntar bastante.

A: - Um dia eu vou querer juntar fortuna também, viver tranquilo, podendo gastar bastante e comprar o que quiser, como tu.

R: - Tu chega lá sim, pode crer, hehe.

O árbitro manda Adilson voltar pro seu campo, onde o elenco gremista já se reúne para as tradicionais últimas palavras de ordem. Olímpico vai abaixo com os 11 tricolores abraçados, em círculo, vibrantes, gritando.

Começa a partida. Flamengo com a bola. Ela chega em Ronaldinho e o Olímpico não desaba em vaia: é um urro mesmo. Maior que vaia. É o maior bullying que o futebol já viu. O estrondo que paira sobre a Azenha é ouvido nas cercanias de Florianópolis, juram alguns gremistas de Santa Catarina. Ronaldo sente o baque. Nunca foi seu forte crescer na pressão, fora de casa, quando o bicho pega. O camisa 10 do Flamengo fica visivelmente atormentado, tenta um passe simples e a bola sai pela linha lateral. Olímpico quase vai abaixo literalmente. Sorte que a Arena tá encaminhada.

Aos 37 do primeiro tempo o menino Pessali cruza com perfeição, Jonas de voleio guarda: 1x0. Festa azul em Porto Alegre. Ronaldinho mal encosta na bola até então. Aos 42 ele dispara pela esquerda , ao som de vaias estrondosas, como sempre, e Rochemback chega lavrando o relvado e as canelas do dentuço. Ronaldinho cai nas placas publicitárias, Olímpico entra em colapso, juiz dá lateral. Pro Grêmio.

Na segunda etapa o Flamengo entra melhor, levando maiores perigos ao gol de Victor. Aos 14 minutos empatam. Léo Moura aproveita bola na área que sobra pra ele e não perdoa. Geral do Grêmio inflama, como é de costume. Olímpico cresce em apoio. Mesmo assim Flamengo segue mais esperto do que na primeira etapa.

Falta para o rubro-negro na entrada da área, 34 minutos da segunda etapa. Ronaldinho ajeita a bola. Gremistas de Curitiba juram que escutam as vaias vindas do Olímpico. Tensão total. Bola no ângulo: Victor busca com maestria e sai vibrando e batendo no peito. Estádio inteiro pula. Começa a cair farelo de cimento do anel superior. Grêmio retoma o controle da partida. Diretor da OAS ordena que acelerem obras da Arena.

Douglas dribla três adversários, e em jogada épica põe o time da casa na frente mais uma vez: 2x1 para o Grêmio. Torcida delira com seu camisa 10. Mano Menezes vê tudo dos camarotes e aplaude.

Ronaldinho resolve jogar. Vai pra cima. Na primeira investida consegue driblar um e perde pro segundo. Na segunda investida tenta driblar Paulão e quase perde a vida. O zagueiro gremista opera a perna de Ronaldinho, que cai estatelado no chão, gemendo de dor. Olímpico em festa. Paulão recebe amarelo. Flamenguistas protestam com árbitro: queriam o vermelho.

Não dá mais pra Ronaldinho. Será substituído. Sai de campo chorando. Olímpico se mistura entre vaia e festa. Descontrole total. Enquanto o colocam no carro-maca, Adilson se aproxima de Ronaldinho e diz:

A: - Hey, Ronaldo. Eu consigo andar de cabeça erguida aqui, na terra em que nasci e me criei. Compra isso com tua grana.

Ronaldinho fica 6 meses afastado dos gramados. STJD irá julgar Paulão, mesmo tendo tomado só amarelo, e poderá puni-lo com uns 6 jogos, provavelmente. O árbitro também deverá ser punido.

Antes de acabar a partida o Diego Clementino entrou e fez o dele, mas isso nem é preciso dizer, é meio lógico. Final: 3x1 para o Grêmio e torcida gremista de alma lavada.


Essa crônica fictícia e bem humorada foi pra encerrar o caso Ronaldinho Gaúcho por aqui. A partir de agora voltarei a falar de Grêmio e de gremistas.

Post inspirado numa twittada de @SandroScotta, do dia 09/01/11.



Saudações Tricolores.




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Com cara de coadjuvante

23 de setembro de 2010 39

O empate com o Flamengo ontem deixou praticamente confirmado o papel do Grêmio nesse Brasileirão: coadjuvante.

Ficou nítido: nosso time é qualificado demais para cair, mas se der muita bobeira o perigo surgirá. Nosso elenco até tem qualidade suficiente para brigar por uma vaga na Libertadores, mas se vacilar um pouco, já era. E é nesse meião insosso que nosso Grêmio deve ficar.

A boa notícia é que o time parece não voltar a errar tanto, a ponto de brigar para fugir do Z4. A má notícia é que os pontos perdidos naquele início turbulento estão fazendo falta para uma possibilidade de briga na ponta de cima. Somente uma arrancada quase impecável possibilitaria tal feito, mas o time vem demonstrando que não conseguirá. O que até é normal. A arrancada impecável seria quase histórica. Nossa campanha no 2º turno é ótima, mas precisava ser mais do que isso para que pudéssemos brigar lá em cima. Um ponto nos últimos 2 jogos em casa impossibilitam essa briga.

Não dá pra perder tanto gol assim. Não dá pra manter o Fábio Santos de titular. Tem que matar o jogo quando a oportunidade aparecer. Tem que colocar Lúcio ou até mesmo Neuton na esquerda. Errar um gol ou outro é do futebol, mas errar uma enxurrada de gols já é demais. Será ansiedade? Pouco treino de finalizações? E o Fábio Santos está muito mal. Até o considero um reserva aceitável, mas de titular não dá. Essas foram as duas más notícias que se repetiram no jogo de ontem em relação a partidas anteriores: finalizações e atuação do Fábio Santos.

Em compensação, outro Fábio fez falta. Confesso que estou gostando do Rochemback. Vem muito bem ultimamente e, nada contra o Ferdinando, mas acho que o Fábio fez falta ontem. Menos mal que era apenas suspensão e já deve estar de volta para a próxima partida.

Saudações azuis.

Gremista até debaixo d'água

22 de setembro de 2010 7

Hoje, quarta-feira, 22h, Estádio Olímpico Monumental: Grêmio x Flamengo. Talvez chova durante a partida, o que pode reduzir um pouco o público. Mas para quem mora no Rio Grande do Sul, sobretudo em Porto Alegre e região, vou dar motivos para irem ao jogo:

- Somos gremistas;
- Vitória elimina definitivamente qualquer risco de Z4;
- Somos gremistas;
- Vitória permitirá que comecemos a sonhar mais alto;
- Somos gremistas;
- Reencontro com Silas;
- Somos gremistas;
- Jogo começa e acaba bem tarde, o que pelo menos permite chegada sem correria;
- Somos gremistas;
- Promoção de ingressos segue vigente;
- Somos gremistas;
- Time vem de uma bela goleada fora de casa;
- Somos gremistas;

Talvez tenham até mais motivos que eu possa ter esquecido, mas mesmo se não tivesse nenhum eu pediria para que a torcida comparecesse em peso, afinal, não precisamos de muitos motivos: somos gremistas, e isso basta.

Saudações Tricolores.

Regra de três

14 de setembro de 2010 9

Esse post não tem nada a ver com aquela regrinha matemática conhecida como “regra de três”. Mas tem a ver com matemática.

Os próximos três jogos do Grêmio vão definir o futuro no Campeonato Brasileiro, e até mesmo 2011, para o Tricolor. É simples: são três partidas que definirão nossas reais pretensões daqui pra frente.

Pegando os extremos: se o Grêmio vence as três próximas partidas, dependendo de alguns resultados pode figurar até pela 6ª colocação. Posição que dá vaga na Libertadores, caso Inter e Santos estejam na frente. Se perder as três, provavelmente volta com tudo ao Z4. Se fizer uns 4 pontos, segue na mesma: buscando uma Sul-Americana, e ainda de olho na ponta de baixo.

Os jogos são complicados, mas futebol é futebol. Pegamos o Palmeiras em casa, o Avaí em Floripa e o Flamengo em casa. Dois jogos em casa contra times que não vêm muito bem. Felipão ainda não se acertou com o limitado grupo alviverde. E Silas recém pegou as rédeas do turbulento Flamengo. Avaí fora é sempre complicado, mas nosso elenco é superior, e os catarinenses estão numa fase bem ruim ultimamente. Tudo é possível.

Mas como toda grande caminhada começa com o primeiro passo, o foco agora é no Palmeiras. Aniversário do Grêmio, Felipão no Olímpico, milésimo jogo Tricolor na história do Brasileirão, Renato Gaúcho, promoção de ingressos. Enfim, TODOS OS CAMINHOS LEVAM AO MONUMENTAL.

Saudações azuis, pretas e brancas.

Empate com gostinho de... Empate

29 de maio de 2010 38

Poderíamos ter vencido. Mas ninguém do time teve uma atuação excelente. Ninguém esteve num dia inspirado. Atuação morna, resultado morno. Nossa sorte é que pelo lado do Flamengo ninguém conseguiu destacar-se também.

Poderíamos ter vencido, repito. O gol perdido do Jonas foi inacreditável. Aliás, adoro o futebol dele, mas sempre digo que ele tem essa característica peculiar: volta e meia acha uns gols do nada, marca golaços improváveis, e em contrapartida perde outros simples.

No final, o Maylson também perdeu uma bela oportunidade de gol, chutando pra fora. O mais indicado era ter colocado na área, para Jonas ou Bérgson, que estavam livres. Ele disse que tentou cruzar, mas as pernas já estavam pesadas. Sei não.

Mas também poderíamos ter perdido. O Flamengo também mordeu, foi jogo lá e cá, um tanto aberto. Aquela bola do Wagner Love, cara a cara com o Victor, quando estava 1x0 pra eles ainda, era pra ter definido o jogo. Escapamos. Podíamos ter perdido também.

Com desfalques, fora de casa, contra o atual campeão, um empate não é de todo o mal. Mas um time campeão não pode ficar se contentando com placares justificáveis. Tá na hora de começar a buscar o improvável.

Saudações Tricolores.