Dia 18 de dezembro de 2006, segunda-feira, o dia seguinte ao que nosso co-irmão pintou o mundo de vermelho. Nesse dia, senhoras e senhores, a loja Grêmio Mania do Estádio Olímpico estava lotada. Pessoas que lá estiveram me falaram que estava transbordando de gente, produtos faltando, quase um caos.
Em 2006 o Inter, que até então vivia às nossas sombras, segundo a própria FIFA, finalmente deu um passo gigantesco em sua história. Depois de 97 anos de existência, finalmente fez jus ao seu nome: faturou um título internacional. Não satisfeitos com a América, foram ao Japão com Gabiru e voltaram de lá com o mundo. Dias difíceis para a Nação Tricolor. Dias BEM difíceis, eu diria.
Mas o torcedor gremista não tem como característica sucumbir. Não faz nosso estilo se entocar na dificuldade, se esconder, guardar o manto no armário. O gremista é orgulhoso, quase soberbo. Sua história de glórias o obriga a ser assim. O gremista é chato. Ele perde de goleada e desfila com a camisa do Grêmio nas ruas. Louco pra ouvir uma corneta e responder à altura. O gremista prefere ouvir corneta a ouvir elogio. Ele sabe que todo mundo pega no pé do Grêmio porque no fundo respeita. Porque algum dia já sofreu em nossas mãos.
A Libertadores de 2007 foi uma prova disso. Vou ao Olímpico quase que regularmente desde 1990. Vi títulos gigantescos, vi rebaixamento, vi tudo. Nunca vi a torcida gremista tão alucinada e empolgante como em 2007. Um ano que tinha tudo para ser de ressaca pós-2006 dos rivais. Mas não, foi um ano em que a gremistada não se intimidou, quis dar uma resposta imediata. Chegou a uma Final de Libertadores com um time bem limitado. Jogamos uma semi-final, na Vila Belmiro, com Ramon e Douglas no ataque. Lembram? RAMON E DOUGLAS. Carlos Eduardo sentiu algo e Tuta tava suspenso, se não me engano. E olha que ele já era o TUTA, nosso grande titular.
Chegamos àquela Final perdendo quase todas fora de casa e transformando o Olímpico em um inferno. Destroçamos todos em nossos domínios. A torcida estava enlouquecida. Só o Boca não deu pra reverter. O tombo foi grande demais na Bombonera. E Riquelme tava voando. Acontece.
Esse ano já começou com a Nação Tricolor tomando um soco no estômago: traídos pela segunda vez por Ronaldinho e Assis. Eu, particularmente, fiquei feliz com a notícia, mas sei que muitos gremistas estavam dispostos a abraçá-lo, dando uma segunda chance ao dentuço. Foi uma decepção, eu sei.
A direção gremista deu por encerrado o caso e mostrou nítida dificuldade em contratar outros nomes. Os gremistas ficaram ressabiados. Desconfiados. Será que vem alguém? Mas no fundo tinha aquele sentimento de que o time já está quase pronto, não precisava de muita coisa. Goleiro de Seleção, artilheiro do Brasieirão... Opa. Eis que tomamos mais um cruzado de esquerda no queixo.
Foi-se o artilheiro. Pra mim agora fica claro que a ceninha do jogo com o Zequinha era de um cara que já estava com a cabeça longe da Azenha. Jonas rejeitou uma bolada do Grêmio para ir atrás de seu sonho europeu. Não o condeno, mas achei meio burrada da parte dele. Aqui iria ganhar rios de dinheiro (bem mais do que eu acho que ele mereça), e estaria mais próximo da Seleção, no meu ponto de vista. Sem falar que poderia participar do projeto Tri-América, que não tem preço. Ser ídolo de uma Nação, imortalizado com um caneco da Libertadores, é algo que nenhum dinheiro do mundo paga. Mas isso na minha ótica. Na do Jonas talvez seja melhor ser banco do Valência e ficar em 4º no Campeonato Espanhol.
Acho que as duas direções erraram, mas não tanto. A gestão do Duda estipulou essa multa ridícula, mas as pessoas esquecem que o Jonas não era valorizado na época. Ele exigiu tal cláusula, toparam. Acho que a própria gestão Odone, antes disso, cogitou dar o Jonas e mais sei lá quem para o Goiás em troca do lateral direito Vitor. Mas mesmo assim a gestão Duda errou. Essa multa nem juniores têm.
E a atual gestão deixou de renovar no fim do ano, e deixou de renovar agora, enquanto acertava mundos e fundos para Ronaldinho. Mandaram o irmão e procurador de Jonas esperar, pois estavam envolvidos com o dentuço pilantra. Isso é amadorismo também. Não tem gente suficiente pra ver tudo ao mesmo tempo?
Mas enfim, errinhos de duas direções que, mesmo assim, se o Jonas quisesse, teria continuado. Fomos trocados, essa é a verdade.
A torcida gremista tinha tudo pra começar o ano acomodada, graças ao belo fim de 2010 do time, graças ao Mazembe, graças às perspectivas que se apresentavam. Assis fez o favor de chacoalhar e indignar a Nação Azul dos Pampas. Jonas acaba de pisar um pouco mais na torcida tricolor.
Só nos resta torcer para que cheguem alguns reforços. E aí, que façamos nossa parte. Vamos transformar essa ira em descontrole. Transformar o Olímpico num inferno novamente. Transformar 2011 no ano do Tri. Cutucaram o leão com vara curta. O Olímpico vai rugir.
Saudações azuis.








