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Posts com a tag "Olímpico"

Recado à direção

10 de fevereiro de 2012 27

Aos dirigentes do Grêmio,

Este é o último ano de Olímpico. Sou defensor pleno da associação, mas existem pessoas que, por sua classe social, foram excluídas do convívio com nosso Tricolor. Os valores cobrados para entrar no estádio são incrivelmente caros para o Gauchão.

Foto: Tatiana Lopes / Agência RBS

O Monumental é do torcedor Gremista

É preciso uma redução gritante do valor dos ingressos. Novas pessoas irão ao estádio. Assim se forma um torcedor, indo ao estádio. Foi assim que firmei meu gremismo. Dentro da cancha, com meu pai, tios e amigos. As pessoas tem que ter o direito de assistir ao Grêmio e ver seus ídolos. Assim surgirão novos sócios. O pátio do estádio é o melhor plano de marketing existente. Temos o exemplo de 2005, quando a Geral do Grêmio comandou um grande movimento de associação através do bate-papo entre torcedores nos bares ao redor do Olímpico.

Revejam os custos e vamos lotar o Monumental. Repito, é o último ano do nosso estádio e TODOS TÊM O DIREITO DE PARTICIPAR. O Olímpico é torcedor. Não prive o Gremista de estar em seu local favorito.

Rodrigo Adams

www.facebook.com/rodrigoadams

Pelo MAIS

21 de novembro de 2011 106

Mais um jogo morno e desmotivante presenciei no Olímpico. Um pouco pela falta de qualidade do time, e muito pela falta de ambição do mesmo. Retrato de um time de férias.

Quando vi o árbitro da partida, no último minuto de jogo, marcando um pênalti a favor do Grêmio, pensei: “pelo menos vai ser 3x2, e não 3x1”. De repente me dei conta: “meu Deus do céu... Estou tomando 3x1 do Ceará em casa! Nada pode servir de consolo, nem esse golzinho de descont...” Bola na trave. Fim de papo, 3x1 para os visitantes.

A que ponto chegou esse Grêmio? Um Grêmio que eu já vi faturando América, Brasileiro, Copa do Brasil, e tantos outros títulos. Um Grêmio que já conquistou o MUNDO, e eu, que nasci sabendo dessa grandeza do meu time, por um instante, PERDENDO PARA O CEARÁ EM CASA, consegui pensar em “pelo menos blá blá blá”.

E não precisamos ir tão longe. Não precisamos ir até Tóquio, ou até 2001, ano do último título de expressão gremista. Se olharmos para um passado mais recente, já podemos ver um Grêmio que ficou tempo recorde invicto em casa. Mais de 50 jogos, se não me engano. Jogos de Brasileirão, Gauchão, Libertadores, Copa do Brasil, Sul-Americana. INVICTOS. Tudo bem que estamos de férias, mas me espantei com a naturalidade com a qual encarei a derrota do sábado. Eu e os 7mil gremistas presentes. Ninguém ficou abismado: isso é abismante.

E há 10 anos é por isso que o Grêmio vem jogando: pelo menos. Buscando glórias menores. Gauchão, vitórias pessoas contra desafetos ou contra o Inter, vagas que nunca viram canecos, etc. É chegada a hora do “pelo mais”. É chegada a hora de lutarmos por canecos expressivos. Se brigarmos fortes por TODOS que disputarmos, mesmo que uns 2 ou 3 batam na trave, uma hora algum vira realidade. Mas é preciso planejamento e time forte. Com menos imortalidade e mais competência.

Esse ano a coisa está tão ruim que nem temos a quem culpar pela derrota de sábado. Bons tempos em que colocávamos a culpa no Presidente por não fazer um time forte, ou no técnico por escalar mal, ou no Victor por ter falhado, ou na zaga por ser insegura, ou no ataque pelo desperdício. Hoje em dia acontece tudo ao mesmo tempo. Dá pra ganhar do Ceará com o time que temos. Dá pra ganhar do Ceará com o Roth errando, com o Victor falhando, com a zaga batendo cabeça, com o meio-de-campo apagado e com o ataque desperdiçando gols. Só não dá pra ganhar do Ceará quando acontece tudo, ou quase tudo, ao mesmo tempo.

Sobre o Roth, sigo dizendo: querem demiti-lo? Ok, não me oponho. Mas que venha alguém melhor. Sou contra o demitir por demitir, só pela implicância, mesmo que seja pra vir alguém pior. E outra: que o demitam depois do Gre-nal. Agora não tem sentido. Acho errado e arriscado jogar o Clássico sem técnico, ou com um recém caído de paraquedas. E se for pra demitir, que seja no dia seguinte a esse Gre-nal: não adianta fazer pré-temporada com o Celso pra anunciar outro nome em abril.



Saudações tricolores.

@lucasvon


O retorno do bageense

11 de novembro de 2011 51

Lembram do gremista de Bagé? Ele voltou. Tirem as crianças da sala. Corram para as colinas.


*A narrativa abaixo é fictícia

* O texto a seguir é repleto de palavrões, se não gostar, não leia


De passagem pela Capital, a figura resolveu dar um pulo no Olímpico. Pra resolver umas “questãs”. E lá foi ele, pilchado como sempre, indignado como poucas vezes já estivera. Aproximou-se de uma porta de serviços e foi interpelado por um segurança. O guasca não gostou da desconfiança e já saiu soltando as patas:

- Mazoquê que foi, hôme? Não pode entrar de chapéu? Ah, já sei, não pode entrar de barba, é isso? Talvez seja, porque aí dentro o que não falta é vivente que não honra o fio do bigode.

O segurança explica que ele precisa se identificar para entrar. Ele responde de pronto:

- Mazeu me identifico! Desde piazito me identifico com o Grêmio. E é por isso que quero entrar.

- Ok, mas com quem o senhor deseja falar?

- Olhaqui, seu guaipeca (empunhando seu velho facão de guerra), não quero falar com ninguém. E, olha que merda, já tô falando contigo! Então me poupe saliva e sai da minha frente.

Deixando o atônito segurança para trás, o gaudério adentra o recinto, sem saber ao certo onde queria chegar, tampouco com quem falar. Mas com as passadas largas e firmes da pessoa mais decidida do mundo.

Ele ouve um burburinho vindo de uma porta, identifica a voz de um ou outro figurão e, sem pestanejar, a derruba com um bom e velho chute. É seu cartão de visitas: BLOOOOOOM!!!

- Buenas e me espalho. No Pelaipe dou de prancha (apontando pra superfície plana do facão). No Odone dou de talho (agora apontando pra lâmina e sorrindo).

Que sorte do gaúcho. Era reunião geral. Tava o Presidente, vices, marketing, muita gente. Todos se levantam assustados. Odone  grita:

- Mas o que é isso?? Que absurdo é esse? Peraí, tô te reconhecendo... Tu de novo?!

- É, Paulinho. Eu falei que se precisasse ia voltar. Infelizmente precisou. Ainda bem que tu tá me reconhecendo. Mas sabe por que eu vim até aqui? Porque EU NÃO TÔ RECONHECENDO O GRÊMIO.

Verardi, o mais próximo do vivente “em chamas”, tenta acalmá-lo e contê-lo, mas o bageense nem o deixa começar a falar e, olhando pro Odone, continua:

- Ô, presida. Diz aí pro moço que não adianta mimimi pra cima de mim. Vou falar tudo que quiser e vocês vão ter que escutar! (fazendo movimentos bruscos com o facão)

Odone faz sinal para todos sentarem e abre caminho para que o gaúcho solte o verbo.

- Olhaquí ô BANDO DE CAGALHÃO. Vocês não duram 5 minutos em Bagé. Tudo frouxo. Vocês e todo esse bando de incompetente que enfiou as bunda gorda nessas cadeira noutras gestões. Tudo bunda-mole. O Grêmio não é mais o mesmo há tempos.

Todos ouvem atentos, mais por medo do que por interesse.

- Sou do tempo em que a gente não queria nem saber se o Palmeiras tinha uma SELEÇÃO. A gente patrolava, metia 5 no rabo deles em plena Libertadores. E depois tomava 5 e se classificava, era um esculacho sem fim. A gente brincava com esses guaipecas. Hoje todo mundo brinca com o Grêmio. Tudo culpa da POSTURA de vocês.

A maioria dos presentes corrige a postura, estufando o peito e se ajeitando na cadeira.

- Não adianta empinar o rabinho! Não tô falando dessa postura! Falo do clube como um todo! PORRA, ISSO AQUI É O GRÊMIO OU NÃO É, CARALHO??!!! Que Grêmio é esse que televisão, CBF, jogadores, empresários, jornalistas, TODO MUNDO FAZ O QUE QUER E NADA ACONTECE? O Grêmio é um gigante, seus porquêra! Quem o comanda tem que assumir essa postura de grande, ou vão ser pisados por qualquer paunuzóio.

Pelaipe tenta indagá-lo:

- Amigo, o que o senhor quer exatam...

- Amigo?? Amigo de mulher é cabeleireiro! E é isso que vocês são: MULHERZINHAS. Até aqueles avermelhados tão com postura mais certa que nós! Os hôme foram ganhar um título que preste só ONTEM, não conseguem nem construir um estádio, mas tão sendo mais GUASCA que vocês tudo junto!

Todos os presentes ficam de cabeça baixa, enquanto o vivente caminha em volta da mesa e continua o discurso.

- O Grêmio tem que voltar A AGIR como um gigante, pra de fato voltar a ser um. Olha um exemplo: a tal da Topper ofereceu uns trocadinho a mais depois que a Puma caiu fora e vocês foram CORRENDO, balançando o rabinho. Tudo por um trocado a mais. Nada contra a Topper, é boa empresa, mas me digam: é mais legal pro Grêmio ter a Topper ou pra Topper ter o Grêmio? Acho que a segunda opção. Eles sabem que somos gigantes. E nós é quem fomos correndo se abraçar neles. Sem exigências, sem nos fazermos de difícil. Puta que me pariu, hein.

- Mas tinha o contrato com a FillOn que...

- Aaaah, Verardi, me poupe! Meu sobrinho de 8 anos que mexe no paintbrush tem mais visão desse tal de marketing do que vocês! Já começa por aí, fazer um contrato torto com uma tal de FillOn. Que bosta é essa? Isso aqui virou XV de Jaú? Os avermelhados lá da beira do rio tão querendo fechar com a NAIQUE, uma baita marca, com mega-lojas em todas as mais disputada esquinas desse mundão de Deus, e numa reunião já questionaram os naiquense sobre ações em parceria com o clube, mencionaram falta de sintonia que tiveram com o Flamengo, enfim, COBRARAM. Chegaram pra NAIQUE e botaram o pau na mesa! Nós vamos fechar com a Peruso por dois reais e uma bala Xaxá e vamos pra Goethe comemorar! Francamente!

- As coisas não funcionam bem assi...

- Ah, Pelaipe! Não me enche os tubo! Olha o caso do Kleber! O rapazote veio pra cá de jatinho, sapateou em cima da bunda de vocês, ESNOBOU GERAL e voltou pro seu pago, pra refletir. QUE PORRA É ESSA? Puta que o lambeu! Isso aqui é o Grêmio! O cara tinha que dar graças a Deus que podia jogar aqui! Mas não, hoje em dia é assim. O jogador é quem exige, esnoba, reflete. E nós corremos atrás. Ficamos magoadinhos quando não conseguimos e balançamos o rabinho como cusco que ganhou bife quando alguém resolve NOS AMAR um pouco.

O silêncio paira no ar. Ele prossegue:

- E não é culpa do Kleber, nem da Topper, nem de ninguém que pisou no Grêmio. A gente tava rastejando no chão, eles não tinham escolha. Nós é que nos jogamos afoitos e abobados nas coisas. Nós é que não nos damos ao respeito. Esse tal de Kleber aí, por exemplo, é hora de O GRÊMIO botar o pau na mesa! Faz a proposta, dá um dia de prazo pra resposta e ele que lamba os beiços! Quer ponderar propostinha do Curintia? ENTÃO MORRE, DIABO! Vai carregar viga no Itaquerão e não me enche o saco! Cadê nosso orgulho? Vamos ficar sonhando com a guria que tá apaixonada por outro cara? NÃO! Se ela não quer, PROBLEMA É DELA! Isso aqui é o Grêmio! Nem é bom aceitar jogador sem noção dessa grandeza. Por isso gosto do André Lima: é pior que meu cunhado que usa uma prótese, mas pelo menos sabe onde tá pisando. Mais do que vocês!

Alguém puxa um aplauso. Antes que ele pudesse se alastrar, o vivente interrompe apontando o facão para a mesa:

- Pshhh! Para com essa palhaçada! Aplaudindo o quê? Esse é o problema de vocês. Tomam mijada dum barbado e acham jóia. Tomem vergonha na cara! Entrem em negociações com o pau na mesa! Pensem grande! Exijam, se façam de difíceis, SE VALORIZEM! Vocês são o Grêmio! São eles que têm que se esforçar pra fazer parte dessa história, seja jogadores, empresas, o que for! Ah, e parem de papagaiar qualquer tentativa pra imprensa. Ou tem linguarudo dos infernos infiltrado, ou vocês são mais burros que meu cavalo Onório. Trabalhem na surdina. Hoje até que fui bonzinho. Mas se eu tiver que voltar... Aí vocês vão ver quem é o gladiador.



Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Uma derrota certa

27 de outubro de 2011 50

Domingo teremos uma derrota CERTA no estádio Olímpico. Não falo do Grêmio, tampouco do Flamengo: o placar do jogo é uma incógnita. Mas teremos uma derrota de um homem. A consumação de um fracasso retumbante de um rapaz que tinha tudo para ser sucesso.

Dizem que o Ronaldinho está dando de ombros para o duelo com o Grêmio. Duvido. Até acredito que ele pouco se importe conosco e de fato só pense no seu dinheiro. Mas por mais frio e mosca-morta que seja um sujeito, e ele é as duas coisas, é impossível ignorar totalmente 8 milhões de desafetos. Ele finge que não é com ele, foge do assunto, tenta transmitir serenidade. Mas domingo vai ter que encarar a situação de frente. Vai sorrir bastante para as câmeras, mas duvido que o faça ao encostar a cabeça no travesseiro à noite, após receber a maior vaia de sua vida de um estádio com 50.000 indignados torcedores.

O mais difícil ele tem: talento. Mas cá estou eu, falando do FRACASSO de um rapaz milionário, campeão por seus clubes e sua Seleção e dono de um carisma ímpar. Na minha concepção de vida ele é sim um fracasso. Um cara que sequer é político ou exerce alguma outra profissão com maior facilidade de conquistar inimigos e não consegue caminhar de cabeça erguida na terra onde nasceu e se criou, pra mim é um fracasso. Isso ele não pode comprar com seu dinheiro.

A última partida de Ronaldinho no Olímpico foi contra o Figueirense. Vitória gremista com direito a golaço de falta do Moreirinha. Mas o jovem promissor já tinha feito sua primeira maracutaia com o irmão metralha: estava acertado às escuras com o PSG. Acerto esse que não contemplava ao Grêmio um tostão sequer. Recebeu duras vaias nesse jogo e torcedores arremessaram moedas no jovem. Recentemente o Assis foi a vítima no Monumental, na despedida do Danrlei: tomou vaia sempre que encostou na bola, inclusive quando marcou um gol. O episódio de 10 anos atrás ficou engasgado.

Não satisfeitos em fazer tudo que fizeram, os irmãos Assis procuraram o Grêmio para ensaiar um retorno triunfal, praticamente acertaram todas as cláusulas do contrato e, novamente por baixo dos panos, as negociatas com outros clubes rolavam soltas. Parece que até brinde de champagne entre Assis e Odone andou tendo para celebrar o acordo e, de repente, surpresa! “Uma vez do Grêmio, Flamengo até morrer”.

Alguns gremistas que não gostavam do R10 por causa do episódio PSG já estavam até relevando tudo, esperando explicações, declarações de amor e uma reconciliação bem-sucedida. Pois tomaram outra botinada na orelha, sem dó. Aí não sobraram defensores. Recebi mensagens pela internet ou celular de gremistas com quem eu tinha discutido por causa do Ronaldinho, todas com o mesmo teor: “tu tinhas razão. Agora tô contigo”.

Ronaldinho será recebido no Olímpico do mesmo jeito que se despediu: com vaias. Mas dessa vez vai ser pior. Aquelas vaias de 2001 não tinham a força de uma segunda traição. Não tinham o rancor de quem o defendera. Não tinham o constrangimento de quem se associou para vê-lo jogar e a decepção de quem sonhou com isso por alguns dias. Essas vaias não serão vaias, serão um recado: “Ronaldo, aqui não és bem-vindo porque tu não presta”.

Nenhum colorado recebeu ou receberá maior hostilidade no Olímpico. Não temos problemas com colorados. Temos amigos e parentes colorados. Amamos colorados e coloradas. É da vida. Hoje ganhamos um Gre-nal, amanhã perdemos. É do jogo. Mas as vaias que ouviremos domingo não dizem respeito a uma rivalidade sadia ou a uma opção clubística. A vaia e as manifestações contra ele serão pessoais. Dirão respeito à honra, à hombridade, ao caráter.

Por isso que eu digo, por mais que o Flamengo vença com 3 gols antológicos de Ronaldinho, ele ainda assim sairá de campo derrotado. O ser humano sempre busca se ancorar em ritos de passagem: casamento, velório, etc. Não basta dizer que agora os noivos estão juntos ou que algum ente querido morreu. Precisamos ver e sentir na pele pra que caia a ficha de vez. Pois esse será o “divórcio” oficial do Ronaldinho com a torcida gremista. Por mais que ele saiba que não deve ser bem quisto por aqui, no seu inconsciente ainda guarda boas lembranças dentro do Olímpico e com a torcida gremista. Agora a ficha vai cair. Agora ele vai entender e sentir na pele que uma Nação o despreza e o considera um desafeto.

“Mas o desprezo não seria a melhor resposta?” Não. Isso aqui não é caso de namorado e namorada. Talvez seja pior ser ignorado do que incomodado após o término de um relacionamento. Talvez doa mais mesmo. Mas nosso caso é diferente. A indiferença a gente já pratica com 99% dos jogadores que pisam no Olímpico. Fazer o mesmo com quem nos traiu duas vezes seria ridículo. Seria avisar ao mundo que não temos orgulho e que, quem quiser, pode nos sacanear à vontade, pois seguiremos indiferentes. Discordo desse pensamento. Temos que mostrar que não se pisa numa Nação gigante e apaixonada por um clube com mais de 100 anos de uma gloriosa história.

Por mais bobalhão que o Ronaldinho seja, ele vai sentir, podem ter certeza. Vai entender o recado, ainda que tente disfarçar com aquele farto e desalinhado sorriso. Sorria, Ronaldinho, sorria. Sorria: você é um derrotado.


OBS1: ontem saiu a notícia de que ele teria sentido um inchaço no olho. Até acho que vem a Porto Alegre e joga. Mas se tratando de um bunda-mole como ele, só acreditarei que não fugirá da raia quando entrar em campo. Mas caso ele venha, que seja mantida a paz no estádio, sem violência. Nossa resposta será nas faixas e na voz.

OBS2: aos colorados e principalmente flamenguistas que debocham do Grêmio e se divertem com o episódio Ronaldinho, indico a leitura de um texto que fiz há um tempo sobre esses casos do futebol. Para refletir: Temos culpa.

OBS3: para quem não acompanhava o Blog na época, ou queira relembrar, seguem dois textos que fiz no começo do ano. O primeiro logo que confirmaram seu destino rubro-negro e o segundo um pouco depois: 1- Vibre, torcedor gremista. 2- Compra isso, Ronaldinho.



Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Vencer e ver

22 de setembro de 2011 34

Há quem diga que ainda podemos sonhar com G4. Muitos outros insistem que nossa briga será até o fim contra o rebaixamento. E um terceiro grupo está resignado, conformado com um iminente e morno meio de tabela. Nenhum desses grupos é completamente louco: qualquer um tem lá sua parcela de fundamento.

Eu confesso que o medo do rebaixamento já tinha sido superado quase que totalmente por mim. Eu via, ainda que distante, o G4 com algo mais próximo do que o Z4. Não só pela pontuação, mas pelas últimas empolgantes partidas do Tricolor. Aí veio a goleada do Vasco e balançou tudo isso.

Vejo semelhança entre esse Grêmio x Botafogo e aquele do ano passado, última rodada do Brasileiro. Em ambos só a vitória nos interessa. E nos dois casos, depois de vencer: ver o que acontece.

Em 2010 o Goiás venceu o Independiente, em Goiás, no primeiro jogo da Final da Sul-Americana. Antes da partida em território argentino tínhamos esse Grêmio x Botafogo pela frente. A vitória gremista nos garantia o G4, mas não a vaga na Libertadores: tínhamos que contar com o fracasso dos goianos no jogo de volta. Só nos restava fazer nossa parte e aguardar. Era vencer e ver o que aconteceria.

Esse ano o contexto é outro, mas a moral da história a mesma: é vencer o Botafogo e ver o que acontece. Antes de qualquer coisa precisamos dessa vitória, aí sim, depois vemos até onde vai esse Grêmio. Ano passado vencemos por 3 x 0 (gols de Douglas, André Lima e Jonas) e a espera valeu a pena. Se esse ano parece improvável esperarmos algo de bom para o Grêmio, ano passado parecia ainda mais. Fomos do Z4 ao G4 e vimos o Independiente buscar um placar improvável contra os Esmeraldinos. Que esse jogo com o alvinegro carioca sirva novamente como um marco para a “virada gremista”.

O horário FINALMENTE é bom: 20h30min. Assim como no ano passado, o Grêmio precisa de ti, torcedor. Todos ao Monumental!



Saudações tricolores.

@lucasvon


Três chances

21 de junho de 2011 57

Foto: gremio.net

Esses dias me dei conta de uma coisa e resolvi compartilhar com vocês: o Grêmio só tem mais TRÊS CHANCES para conquistar algum título relevante no Olímpico. Quer incluir o Gauchão? Ok, então são quatro chances para erguer mais algum caneco no Monumental.

A Arena estará pronta em dezembro de 2012. Até lá, os títulos de expressão que poderemos conquistar em nosso velho lar são apenas:

- Campeonato Brasileiro 2011

- Campeonato Brasileiro 2012

- Libertadores 2012.

Alguns dirão: “mas se não formos para a Libertadores teremos Copa do Brasil e Sul-Americana, uma chance a mais”. Ok, mas se não estivermos na Libertadores do ano que vem significa que não vencemos o Brasileirão 2011. Na prática, ficaria assim:

- Campeonato Brasileiro 2011

- Campeonato Brasileiro 2012

- Copa do Brasil 2012

- Sul-Americana 2012

Meio preocupante, né? Será que o Monumental não presenciará mais nenhum momento de glória?

Esse ano já colocaram o primeiro semestre no lixo. E a lerdeza da direção vem comprometendo até mesmo o segundo semestre já. Ainda dá tempo de buscar uma façanha nesse Brasileiro, mas que no ano que vem ABRAM OS COFRES, montem um time realmente CASCUDO, financeiramente irresponsável, se preciso for. Um time pra protagonizar uma despedida DIGNA ao Estádio Olímpico Monumental. De preferência conquistando algo. Seria lindo. Épico.

Ajude, faça sua parte para que essa irresponsabilidade financeira não seja tão grande: associe-se, compre na Grêmio Mania, vá aos jogos.

Detalhe: esse ano a última rodada do Brasileirão tem Gre-nal no Beira-Rio. Ano que vem provavelmente inverta: último jogo deve ser Gre-nal no Olímpico. Imaginaram que tragédia seria o Inter campeão nesse jogo? Imaginaram o quão master-mega-ÉPICO-plus seria o Grêmio campeão nesse jogo, contra o Inter e se despedindo do Olímpico? Mais uma pimentinha nessa história toda.

E se não der pra ganhar algo relevante, não será épico, mas que ao menos o Gauchão seja nosso. Ou o último título que o Olímpico terá visto em sua história será o Gauchão de 2010, com DERROTA no Gre-Nal.



Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon



Involução

17 de maio de 2011 78

Segundo definições do site Wikipédia, “o termo involução é empregado, na linguagem coloquial, como um processo oposto ao da evolução dos seres vivos. O conceito popular de involução é o de retrocesso, de perda de qualidades benéficas, como força e inteligência, e de retorno a um estado mais primitivo”.

Os letreiros do Olímpico não são seres vivos, mas um deles sofreu uma INVOLUÇÃO violenta. Retrocesso, perda de qualidades como inteligência, retorno a um estado mais primitivo.

O letreiro anterior (abaixo) possuía aquele escudo do Grêmio-Mundo, e os dizeres: “CAMPEÃO DO MUNDO | NADA PODE SER MAIOR”. E logo abaixo, em tamanho reduzido, a relação de todos os demais títulos nacionais e internacionais importantes do clube. Era um letreiro bonito, imponente. Mostrava a grandeza do clube. Já esse novo é fantástico: mesmo falando de um título da magnitude do Mundial Interclubes, consegue ser de uma pequeneza ímpar.

Sempre critiquei a direção colorada por sua ânsia em tentar superar o Grêmio em tudo, até no quesito “show do Paul McCartney”. É um nervosismo acima do normal, até mesmo infantil, pra ser mais malandrinho que o rival e colocar a língua pra fora dizendo “lero-lero”. É o tal do Campeão Mundial FIFA. Enfim, não vou dizer tudo que já falei num post anterior. Mas a realidade é que a direção gremista acaba de ser tão patética quanto a do co-irmão. Ou mais.

O Grêmio é o 1º Campeão Mundial? Ué, mas e, por exemplo, o Santos de Pelé na década de 60? Acho que isso tá errad... Ah, entendi. É o primeiro do Rio Grande do Sul. Em outras palavras: “CONQUISTAMOS O MUNDIAL ANTES DO INTER, LERO-LERO”. É isso que o patético letreiro diz. Se fosse só “CAMPEÃO DO MUNDO” já seria pior que o antigo, que era mais bonito e completo. Mas seria aceitável, talvez estivessem optando por algo mais limpo. Só que, não satisfeitos, colocaram um “1º” antes. E aí ficou patético.

Esse letreiro acima é um orgulho gremístico que carrego comigo. Sugeri, através de e-mails para pessoas de dentro do Estádio Olímpico, que o Grêmio criasse algo nesse sentido. Mandei fotos pra eles do letreiro mentiroso do Beira-Rio que fala em maior e melhor torcida do RS, e, baseado em milhares de pesquisas, defendi a tese de que deveríamos "responder" a essa inverdade. Listei alguns motivos que julgava interessantes para justificar a elaboração dessa placa. Enfim, defendi uma micro-tese.

Recebi um retorno. Pessoas ligadas ao Grêmio deram a entender que meu e-mail andou pela caixa de entrada de muita gente por lá e acabaram decidindo que seria feito. Apesar de nunca terem me agradecido ou dado crédito pela ideia, aproximadamente 1 mês depois lá estava o letreiro, para quem quisesse ver, dentro ou fora do estádio: A MAIOR TORCIDA DO SUL DO BRASIL.

De certa forma é uma resposta ao Inter? Claro que é. Mas muito mais do que uma resposta a eles, ou ao Coxa, Atlético-PR, Avaí, Figueirense, etc, é uma menção que ENALTECE O PRÓPRIO GRÊMIO. Mostra sua grandeza. O Flamengo dizer que é a maior torcida do mundo obviamente é um tipo de “recado” para todas as outras torcidas do planeta. Tipo: “hey, gente, nós somos maiores que todos vocês”. Mas MUITO mais do que isso, é algo que diz respeito exclusivamente ao Flamengo e a um dado maravilhoso referente à sua torcida.

Já esse “1º CAMPEÃO DO MUNDO” fala mais do Inter e pro Inter do que do Grêmio e para os gremistas. Achei ridículo e pequeno, além de mais feio que o antigo.

E antes que digam: “nós precisando de reforços e tu vem falar em letreiro?”, já aviso que eu não sou o responsável por contratações. Se eu fosse, realmente seria idiota falar em letreiro numa hora dessas. Mas o Blog é destinado a assuntos diversos ligados ao Tricolor. Procuro falar de tudo um pouco, sem me limitar a temas únicos. Em breve falei de outras coisas, como contratações, inclusive.


Saudações azuis.
@lucasvon





Oriente Patrolado

18 de fevereiro de 2011 33

Precisou de uns 15 minutos para o Grêmio entrar em campo. Antes disso a equipe boliviana parecia gostar do jogo, e o time do Grêmio parecia nervoso, sem liga, com erros individuais. Parecia primeiro jogo da temporada, com falta de ritmo total, perna pesada.

Mas foram só uns 10 ou 15 minutos mais complicados. Depois disso o Grêmio acordou. Foi como cavar para achar petróleo: no começo a terra é dura, depois vai amaciando, chega uma hora que começa a jorrar. E aí é só correr pro abraço. Foi o que o Grêmio fez.

Ali pelo meio do 1º tempo o Tricolor começou a mostrar suas armas, controlando mais a partida e apresentando algum perigo ao gol dos desorientados petroleros.

No fim da primeira etapa, esse Grêmio que enfim já tinha se achado em campo, acha também um pênalti a seu favor. Lance bisonho, tive que ver o replay umas quatro vezes. Acho que nem pegou na mão do zagueirão, mas enfim, não é problema nosso. Douglas na bola: placar aberto e um pouco mais de tranquilidade no intervalo.

Esse gol foi aquele momento em que jorrou petróleo. No segundo tempo só deu Grêmio. Os 3 x 0 ficaram baratos. Sem se esforçar muito, o Tricolor poderia ter feito ainda mais gols. Depois do gol de Gilson logo aos 2 minutos, o Imortal enfim patrolou. Cadenciou o jogo como quis, sem correr perigo.

O Oriente Petrolero não é nenhum timaço. Não dá pra se iludir com esse esquema montado pelo Renato. Quando o bicho pegar, apesar da boa partida de ontem, eu sacaria Gilson do time e empurraria Lúcio pra lateral. E só um volante é arriscado demais: eu colocaria o alemão Adilson junto ao Rochemback, sacrificando o bom e esforçado André Lima. Gosto dele, mas infelizmente é complicado mantê-lo com Borges. Eles jogam na mesma. André não tem o cacuete de jogar por fora, como segundo atacante.

Talvez Pacheco seria o cara com essas características mais próximas às do Jonas, podendo fazer dupla com o Borges. Mas eu ainda tentaria um 4-2-3-1, com Borges isolado na frente e Douglas vindo de trás no meio, com Carlos Alberto caindo na direita e talvez Escudero pela esquerda. Será que não daria certo? E ao lado de Rochemback, se não for o Adilson, o próprio Fernando, com atuação destacada na Seleção sub-20 campeã sul-americana, surge como opção.

Mas não estou desmerecendo a bela vitória. Não estou dizendo que só vencemos com esse esquema porque o adversário era fraquíssimo. Pelo contrário, o placar foi ótimo e louvável. Só acho que não dá pra arriscar esse esquema sempre. Num Gre-nal, ou contra o Santos, por exemplo.

Aliás, desmerecer essa elástica vitória é burrice. Por mais que seja clichê, repetirei: Libertadores não tem jogo fácil. Quem chegou até ali, necessariamente tem seus méritos. Será que teve jogo fácil pro Corinthians? E os empates dos cotadíssimos Inter, Santos e Fluminense? Sem falar que dos 11 jogadores do Oriente Petrolero, 6 são titulares da Seleção Boliviana, 2 são reservas, e o zagueiro argentino está em processo de naturalização, justamente para ser convocado. Ou seja: 9 jogadores da seleção nacional. Isso é SIM muito relevante. Sobretudo pelo placar e pela tranquilidade.

Agora é Gauchão, mas, confesso: difícil se desligar da Copa. Até mesmo por isso, se eu fosse o Renato colocaria reservas contra o Ypiranga. Se perder, azar, o importante é a Libertadores. Colocaria no máximo um mistão.


Saudações azuis, pretas e brancas.

A guerra começou!

01 de fevereiro de 2011 18


O torcedor gremista já começou 2010 pensando na Libertadores 2011. O Penta da Copa do Brasil seria, além de um belo título nacional, um atalho para o sonho do Tri no ano seguinte. O Tricolor entrou como um dos favoritos, e de fato tinha um dos melhores elencos da competição.

Tivemos azar de encontrar pelo caminho um Santos histórico. Um dos melhores da sua história recente. Robinho, Ganso e Neymar, entre outros nomes de muita qualidade (como André, por exemplo) que viraram coadjuvantes, às sombras desse trio deveras diferenciado. Era um time pra ser dono da América. Infelizmente estavam na Copa do Brasil, no nosso caminho.

O Tricolor não fez feio. Bateu de frente com essa gurizada talentosa. Fez jogo histórico no Olímpico, vencendo por 4 x 3 de virada. Mas na Vila Belmiro, não deu. Paramos nas semifinais. Lá se foi o atalho para a Libertadores com o qual tínhamos mais intimidade.

Depois da parada para a Copa do Mundo, equipe do Silas entra em colapso. Crise na Azenha. Apesar do bom elenco, falta de comando conturba a equipe. Time batendo cabeça. Em meio a isso, Copa Sul-Americana a vista: outro atalho para o Tri em 2011. Mas a crise é tão grande que nosso treinador cai em meio a um duelo decisivo contra o Goiás. Empatamos fora, perdemos o técnico, e tínhamos que jogar em casa.

Chega Renato. No dia do jogo de volta. Desembarcou, conheceu os jogadores, e foi para a casa-mata. Vitória dos Esmeraldinos no Olímpico. Ainda era o time do Silas em campo, mas isso não importa, quem perdeu foi o Grêmio. Outro atalho no lixo. Agora não tinha mais atalho: Libertadores só pelo caminho mais longo, do Brasileirão.

Só que o antigo treinador deixou nosso time com chances muito maiores de rebaixamento do que de G4. A missão do Renato era nos tirar do inferno, e aos poucos foi conseguindo. Libertadores 2011 parecia assunto encerrado. Sair do Z4 era a triste meta.

De repente o time engatou uma segunda marcha, uma terceira, e quando vimos estava adentrando a freeway, ultrapassando todo mundo. Nação Tricolor se empolga, alguns malucos começam a calcular chances de G4, rebaixamento começa a ser passado. De repente os malucos passam a ser aqueles que ignoram o G4. A possibilidade fica cada vez mais real.

Eis que surge mais uma pedra em nosso caminho: roubam a 4ª vaga do Brasileirão. Possibilidades grandes de G4 virar G3. Grêmio sequer estava em 4º na época, mas num embalo alucinante, que faz sua confiante torcida lamentar muito a notícia. O pulso ainda pulsa: basta que nenhum brasileiro vença a Sul-Americana e o G4 está de volta!

Últimas 3 rodadas: Tricolor precisa vencer as 3 para garantir um G4 que nem sabe se vai existir. Grêmio vence as duas primeiras e assiste a um Goiás destroçando o Independiente no Serra Dourada. Banho de água fria na gremistada. Mas, paciência, foi por pouco. Nos resta fazermos nossa parte indo pra cima do Botafogo no Olímpico. O time carioca briga pela mesma vaga, vem com tudo pra cima do Grêmio. Final: 3 x 0 para o time da casa, 4º lugar no Brasileirão 2010. Nada mal pra quem ia cair.

Então, para espanto de muitos, o “Rojo de Avellaneda” consegue devolver o placar necessário para igualar a peleia com o Goiás, e vence nos pênaltis! Tristeza verde e delírio azul no Brasil! Estamos na Copa!

Mas calma, ainda tem a Pré-Libertadores. Nunca foi tão difícil, mas está no fim. Tudo que passamos e vivemos para entrar na briga pelo Tri agora se resume a um empate sem gols ou por 1 x 1, em casa. Deram-se conta da epopéia vivida para chegarmos aqui? Para chegarmos a essa tão sonhada quarta-feira que pode nos levar direto a uma fase de grupos da Copa Libertadores 2011. Faltam 90 minutos!

E não será fácil. A escola uruguaia sempre incomoda. Já vimos no Centenário que o Liverpool não é bobo. Ok, não sejamos hipócritas, somos favoritos. Somos melhores. Perder seria desastre, mas longe de ser impossível. Futebol é futebol.

Fiz todo esse texto para relembrar nossa saga, que começou em 2010 e vai durar até a noite dessa quarta-feira. Escrevi isso para nos darmos conta de o quão especial será esse acesso a uma fase de grupos da Copa. Talvez o mais difícil da nossa história.

Vamos dar valor a isso. Não vamos dar chances ao azar. Vamos com tudo para cima deles, com a ira de quem sofreu pra chegar aqui. Se mora por perto, vá ao Olímpico! Faça sua parte, compareça, grite. Falta pouco!

Além do que, para a Conmebol já é Libertadores! Essa é a primeira fase. A de grupos eles já consideram a segunda. Ou seja, tem jogo de Libertadores no Olímpico, valendo vaga. E aí, quem vai ficar em casa?


Saudações azuis.

Compra isso, Ronaldinho

11 de janeiro de 2011 1

A montagem acima é uma brincadeira: mas eu gostaria que fosse verdade.


DIÁRIO DO FUTURO

Porto Alegre, XX/YY/2011


Ontem os 50.000 torcedores que lotaram o Estádio Olímpico Monumental presenciaram um grande jogo. Grêmio e Flamengo protagonizaram uma das partidas mais esperadas do ano, e não fizeram feio.

Muitos duvidavam que Ronaldinho estivesse em campo. Gremistas não acreditavam que o desafeto aguentaria a pressão, imaginavam que simulasse lesão. Mas se enganaram: Ronaldinho esteve em campo ostentando a camisa 10 rubro-negra. Foi o tempero especial desse duelo que já tinha tudo para ser eletrizante.

A peleia começou bem antes de o juiz apitar. Depois das execuções dos hinos Brasileiro e Rio Grandense, a equipe do Flamengo fez a tradicional fila para cumprimentar o trio de arbitragem e os atletas do time local. Nenhum jogador do Grêmio estendeu a mão para Ronaldinho, que ficou visivelmente constrangido, nervoso e desconcertado.

Ao chegar ao último homem gremista, Paulão, Ronaldinho é surpreendido com uma mão estendida. Ele cumprimenta o zagueiro gremista que, enquanto aperta forte sua mão, diz em seu ouvido: “- Acabei de coçar o saco. Por dentro do calção. Sabe como é, micose”.

Ronaldinho sai limpando as mãos no calção, camisa, esfregando na grama. A cena fica esquisita, ninguém entende direito. Os dois times começam a aquecer com a bola: últimos piques, últimos chutes.

Adilson encosta em Ronaldinho e banca o tiete, dizendo que o viu surgir no Grêmio e torcia muito por ele na época. Ronaldo agradece, e Adilson completa dizendo que também é gaúcho, têm isso em comum. Ronaldinho apenas sorri. Adilson segue conversando enquanto os dois alongam e aquecem:

A: - Cara, sou jovem ainda, talvez um dia vá pra Europa. Lá rola muita grana mesmo?

Ronaldinho, meio desconfiado com a aproximação do jovem, que foi um dos que não o cumprimentou, responde meio sem jeito, quase sem olhar em seu olho:

R: - Bah, pode ter certeza que sim.

A: - Então tu tem muito dinheiro, pode dizer, tem, né?

R: - Hehehe, é, to tranquilo, deu pra juntar bastante.

A: - Um dia eu vou querer juntar fortuna também, viver tranquilo, podendo gastar bastante e comprar o que quiser, como tu.

R: - Tu chega lá sim, pode crer, hehe.

O árbitro manda Adilson voltar pro seu campo, onde o elenco gremista já se reúne para as tradicionais últimas palavras de ordem. Olímpico vai abaixo com os 11 tricolores abraçados, em círculo, vibrantes, gritando.

Começa a partida. Flamengo com a bola. Ela chega em Ronaldinho e o Olímpico não desaba em vaia: é um urro mesmo. Maior que vaia. É o maior bullying que o futebol já viu. O estrondo que paira sobre a Azenha é ouvido nas cercanias de Florianópolis, juram alguns gremistas de Santa Catarina. Ronaldo sente o baque. Nunca foi seu forte crescer na pressão, fora de casa, quando o bicho pega. O camisa 10 do Flamengo fica visivelmente atormentado, tenta um passe simples e a bola sai pela linha lateral. Olímpico quase vai abaixo literalmente. Sorte que a Arena tá encaminhada.

Aos 37 do primeiro tempo o menino Pessali cruza com perfeição, Jonas de voleio guarda: 1x0. Festa azul em Porto Alegre. Ronaldinho mal encosta na bola até então. Aos 42 ele dispara pela esquerda , ao som de vaias estrondosas, como sempre, e Rochemback chega lavrando o relvado e as canelas do dentuço. Ronaldinho cai nas placas publicitárias, Olímpico entra em colapso, juiz dá lateral. Pro Grêmio.

Na segunda etapa o Flamengo entra melhor, levando maiores perigos ao gol de Victor. Aos 14 minutos empatam. Léo Moura aproveita bola na área que sobra pra ele e não perdoa. Geral do Grêmio inflama, como é de costume. Olímpico cresce em apoio. Mesmo assim Flamengo segue mais esperto do que na primeira etapa.

Falta para o rubro-negro na entrada da área, 34 minutos da segunda etapa. Ronaldinho ajeita a bola. Gremistas de Curitiba juram que escutam as vaias vindas do Olímpico. Tensão total. Bola no ângulo: Victor busca com maestria e sai vibrando e batendo no peito. Estádio inteiro pula. Começa a cair farelo de cimento do anel superior. Grêmio retoma o controle da partida. Diretor da OAS ordena que acelerem obras da Arena.

Douglas dribla três adversários, e em jogada épica põe o time da casa na frente mais uma vez: 2x1 para o Grêmio. Torcida delira com seu camisa 10. Mano Menezes vê tudo dos camarotes e aplaude.

Ronaldinho resolve jogar. Vai pra cima. Na primeira investida consegue driblar um e perde pro segundo. Na segunda investida tenta driblar Paulão e quase perde a vida. O zagueiro gremista opera a perna de Ronaldinho, que cai estatelado no chão, gemendo de dor. Olímpico em festa. Paulão recebe amarelo. Flamenguistas protestam com árbitro: queriam o vermelho.

Não dá mais pra Ronaldinho. Será substituído. Sai de campo chorando. Olímpico se mistura entre vaia e festa. Descontrole total. Enquanto o colocam no carro-maca, Adilson se aproxima de Ronaldinho e diz:

A: - Hey, Ronaldo. Eu consigo andar de cabeça erguida aqui, na terra em que nasci e me criei. Compra isso com tua grana.

Ronaldinho fica 6 meses afastado dos gramados. STJD irá julgar Paulão, mesmo tendo tomado só amarelo, e poderá puni-lo com uns 6 jogos, provavelmente. O árbitro também deverá ser punido.

Antes de acabar a partida o Diego Clementino entrou e fez o dele, mas isso nem é preciso dizer, é meio lógico. Final: 3x1 para o Grêmio e torcida gremista de alma lavada.


Essa crônica fictícia e bem humorada foi pra encerrar o caso Ronaldinho Gaúcho por aqui. A partir de agora voltarei a falar de Grêmio e de gremistas.

Post inspirado numa twittada de @SandroScotta, do dia 09/01/11.



Saudações Tricolores.




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