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Uma derrota certa

27 de outubro de 2011 50

Domingo teremos uma derrota CERTA no estádio Olímpico. Não falo do Grêmio, tampouco do Flamengo: o placar do jogo é uma incógnita. Mas teremos uma derrota de um homem. A consumação de um fracasso retumbante de um rapaz que tinha tudo para ser sucesso.

Dizem que o Ronaldinho está dando de ombros para o duelo com o Grêmio. Duvido. Até acredito que ele pouco se importe conosco e de fato só pense no seu dinheiro. Mas por mais frio e mosca-morta que seja um sujeito, e ele é as duas coisas, é impossível ignorar totalmente 8 milhões de desafetos. Ele finge que não é com ele, foge do assunto, tenta transmitir serenidade. Mas domingo vai ter que encarar a situação de frente. Vai sorrir bastante para as câmeras, mas duvido que o faça ao encostar a cabeça no travesseiro à noite, após receber a maior vaia de sua vida de um estádio com 50.000 indignados torcedores.

O mais difícil ele tem: talento. Mas cá estou eu, falando do FRACASSO de um rapaz milionário, campeão por seus clubes e sua Seleção e dono de um carisma ímpar. Na minha concepção de vida ele é sim um fracasso. Um cara que sequer é político ou exerce alguma outra profissão com maior facilidade de conquistar inimigos e não consegue caminhar de cabeça erguida na terra onde nasceu e se criou, pra mim é um fracasso. Isso ele não pode comprar com seu dinheiro.

A última partida de Ronaldinho no Olímpico foi contra o Figueirense. Vitória gremista com direito a golaço de falta do Moreirinha. Mas o jovem promissor já tinha feito sua primeira maracutaia com o irmão metralha: estava acertado às escuras com o PSG. Acerto esse que não contemplava ao Grêmio um tostão sequer. Recebeu duras vaias nesse jogo e torcedores arremessaram moedas no jovem. Recentemente o Assis foi a vítima no Monumental, na despedida do Danrlei: tomou vaia sempre que encostou na bola, inclusive quando marcou um gol. O episódio de 10 anos atrás ficou engasgado.

Não satisfeitos em fazer tudo que fizeram, os irmãos Assis procuraram o Grêmio para ensaiar um retorno triunfal, praticamente acertaram todas as cláusulas do contrato e, novamente por baixo dos panos, as negociatas com outros clubes rolavam soltas. Parece que até brinde de champagne entre Assis e Odone andou tendo para celebrar o acordo e, de repente, surpresa! “Uma vez do Grêmio, Flamengo até morrer”.

Alguns gremistas que não gostavam do R10 por causa do episódio PSG já estavam até relevando tudo, esperando explicações, declarações de amor e uma reconciliação bem-sucedida. Pois tomaram outra botinada na orelha, sem dó. Aí não sobraram defensores. Recebi mensagens pela internet ou celular de gremistas com quem eu tinha discutido por causa do Ronaldinho, todas com o mesmo teor: “tu tinhas razão. Agora tô contigo”.

Ronaldinho será recebido no Olímpico do mesmo jeito que se despediu: com vaias. Mas dessa vez vai ser pior. Aquelas vaias de 2001 não tinham a força de uma segunda traição. Não tinham o rancor de quem o defendera. Não tinham o constrangimento de quem se associou para vê-lo jogar e a decepção de quem sonhou com isso por alguns dias. Essas vaias não serão vaias, serão um recado: “Ronaldo, aqui não és bem-vindo porque tu não presta”.

Nenhum colorado recebeu ou receberá maior hostilidade no Olímpico. Não temos problemas com colorados. Temos amigos e parentes colorados. Amamos colorados e coloradas. É da vida. Hoje ganhamos um Gre-nal, amanhã perdemos. É do jogo. Mas as vaias que ouviremos domingo não dizem respeito a uma rivalidade sadia ou a uma opção clubística. A vaia e as manifestações contra ele serão pessoais. Dirão respeito à honra, à hombridade, ao caráter.

Por isso que eu digo, por mais que o Flamengo vença com 3 gols antológicos de Ronaldinho, ele ainda assim sairá de campo derrotado. O ser humano sempre busca se ancorar em ritos de passagem: casamento, velório, etc. Não basta dizer que agora os noivos estão juntos ou que algum ente querido morreu. Precisamos ver e sentir na pele pra que caia a ficha de vez. Pois esse será o “divórcio” oficial do Ronaldinho com a torcida gremista. Por mais que ele saiba que não deve ser bem quisto por aqui, no seu inconsciente ainda guarda boas lembranças dentro do Olímpico e com a torcida gremista. Agora a ficha vai cair. Agora ele vai entender e sentir na pele que uma Nação o despreza e o considera um desafeto.

“Mas o desprezo não seria a melhor resposta?” Não. Isso aqui não é caso de namorado e namorada. Talvez seja pior ser ignorado do que incomodado após o término de um relacionamento. Talvez doa mais mesmo. Mas nosso caso é diferente. A indiferença a gente já pratica com 99% dos jogadores que pisam no Olímpico. Fazer o mesmo com quem nos traiu duas vezes seria ridículo. Seria avisar ao mundo que não temos orgulho e que, quem quiser, pode nos sacanear à vontade, pois seguiremos indiferentes. Discordo desse pensamento. Temos que mostrar que não se pisa numa Nação gigante e apaixonada por um clube com mais de 100 anos de uma gloriosa história.

Por mais bobalhão que o Ronaldinho seja, ele vai sentir, podem ter certeza. Vai entender o recado, ainda que tente disfarçar com aquele farto e desalinhado sorriso. Sorria, Ronaldinho, sorria. Sorria: você é um derrotado.


OBS1: ontem saiu a notícia de que ele teria sentido um inchaço no olho. Até acho que vem a Porto Alegre e joga. Mas se tratando de um bunda-mole como ele, só acreditarei que não fugirá da raia quando entrar em campo. Mas caso ele venha, que seja mantida a paz no estádio, sem violência. Nossa resposta será nas faixas e na voz.

OBS2: aos colorados e principalmente flamenguistas que debocham do Grêmio e se divertem com o episódio Ronaldinho, indico a leitura de um texto que fiz há um tempo sobre esses casos do futebol. Para refletir: Temos culpa.

OBS3: para quem não acompanhava o Blog na época, ou queira relembrar, seguem dois textos que fiz no começo do ano. O primeiro logo que confirmaram seu destino rubro-negro e o segundo um pouco depois: 1- Vibre, torcedor gremista. 2- Compra isso, Ronaldinho.



Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Trapo para o Mário

04 de outubro de 2011 32

Foto: Tatiana Lopes

Torcedores gremistas fizeram um trapo para nosso lateral direito. Até aí, tudo bem. Nada muito absurdo no fato de uma torcida homenagear um jogador do seu time, muito menos se tratando do melhor do elenco.

O Mário não é meu ídolo. Não tenho um carinho por ele nem PERTO daquele que tenho por Jardel, Danrlei e até mesmo Renato, que sequer vi jogar em Tóquio. É um guri novo que precisa provar muito ainda no clube e, para se tornar ídolo de verdade, precisa de título. Isso é indiscutível.

Entretanto, acompanhei opiniões de jornalistas e torcedores veementemente contrárias à atitude da torcida. Os discursos, de modo geral, seguiam esses moldes:

- Estamos nos apequenando. Homenagear um rapaz que não ganhou nada no clube é vergonhoso.

- Torcida gremista festeja a falta de profissionalismo com homenagens. Absurdo.

Discordo das duas linhas de pensamento. Vou começar falando da última: ok, também acho que não foi a coisa mais legal do mundo ele não ter comparecido ao amistoso da Seleção. Sei que não foi por amor ao Grêmio e sei que aquela cabecinha é um tanto conturbada. Mas, e aí?

Como eu falei em outro texto, a chuva não cai com propósitos, ela simplesmente cai. Se uma chuva cancelar um compromisso ao qual tu não estavas nada afim de comparecer, pode ficar feliz, mesmo que a chuva não tenha caído com aquele propósito específico. O torcedor do Grêmio adorou o fato de um atleta gremista desdenhar quem já nos aprontou algumas: já nos tirou Paulo Nunes da reta final de Libertadores, por exemplo. Eu mesmo fiquei meio feliz ao ver manchetes dizendo que “gremista diz não à Seleção”. Ele disse não à CBF, ao Ricardo Teixeira. Por mais que a negativa tenha sido motivada por razões obscuras, o resultado final é o mesmo.

Some tudo isso a um menino carismático, com fama de louco, talentosíssimo, e defendendo as cores de uma torcida que ostenta o lema VIVEMOS DE LOUCURA. Pronto, manda fazer o trapo. E além do mais, quem disse que ele realmente não estava se sentindo à vontade de ir a Belém? Pode ter sentido algo que só cabe a ele entender. Acho precipitado sentenciar que foi “falta de profissionalismo”. Perder o avião pode ter sido, mas isso acontece toda hora. Até o Ganso já perdeu avião numa apresentação da Seleção. A decisão de não ir mesmo depois é que é a incógnita.

E sobre a idolatria, já mudei de opinião. Antigamente eu achava idiota trapo pro Sandro Goiano. Achava que só Danrlei, Dinho, Lara e companhia mereciam. Quer saber? Por que não pro Mário?

Um amigo meu costuma dizer que existem “fiscais de torcida”. Ele acha patético gremistas e colorados mensurando o quão comemorado pelo rival foi uma Recopa, um Gauchão, uma vaga à Libertadores, etc. Aquela coisa: “nossa, ganharam a Recopa e estão em êxtase”. “Meu Deus, ganharam Gauchão e parece que foi Mundial”. Concordo com ele. Deixa a torcida comemorar o quanto quiser e PARA O QUE QUISER. Nem sei o que esse meu amigo pensa sobre os trapos, mas seguindo essa lógica dos “fiscais de torcida”, acredito que o caso é semelhante.

Vamos ter que esperar surgir um novo Jardel para fazermos bandeiras para nossos atletas? Por que? Futebol é o agora também, não é só título. Nas peladas com amigos, quando faço gols estranhos saio gritando “AFONSÃO, TEU POVO TE AMA!” Meu gremismo vive também de Zé Afonso, Zé Alcino, Marinho. Não só de Adilson Batista, Jardel e Renato. Se o sujeito quiser fazer um trapo para o Itaqui por algum motivo, DEIXA ELE. Tu pode não achar legal o trapo, mas a atitude do cara é válida. Não cabe a mim ou a ti julgar se a atitude dele é legal ou não. A não ser que o trapo fosse pro Ronaldinho ou algum outro sujeito que carregue consigo objeções fortes extra-campo que firam o Grêmio ou os gremistas.

Meu ídolo da infância foi o Gilson Cabeção. Isso antes do Grêmio começar a ganhar tudo na Era Felipão. Eu seria uma criança feliz com o trapo dele. Acharia ridículo ouvir represálias dizendo que ídolo de verdade era o Tarciso e que meu trapo era um reflexo do momento ruim e mimimi.

Muitos trapos que vi já discordei, ou melhor, não gostei. Por isso eu digo que já fui contra essa banalização de homenagens. Por exemplo, Jonas? Não fazia muito sentido. Mas que diferença fez pra mim? Só me “irritei” de graça. Deixa o cara homenagear quem ele bem entender. Cada um virou gremista por um motivo, cada um tem seu jogo da vida específico, seu momento marcante, sua história de gremismo. Deixa cada um ter seu ídolo também, seja ele o Mazaropi ou o Rafael Marques. Seja ele uma múmia de tanto título ou um guri meio louco que já fugiu de Porto Alegre uma vez e logo depois negou a Seleção Nacional justamente para ficar em Porto Alegre. Futebol não precisa de lógica. Quem procura muito por ela pode até acertar às vezes nas análises, mas certamente vive uma vida futebolística mais triste.


Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Paulo Sant'Ana é gênio

01 de setembro de 2011 60

Foto: Vinícius Rebelllo

Há tempos que os bons pagam pelos maus. Não só no futebol, em tudo. Nos privamos de muita coisa na vida porque existe violência, mau-caratismo, etc. Trajetos que poderíamos fazer a pé, às vezes optamos pelo táxi por ser mais seguro. Arminhas de pressão, aquelas que disparam bolinhas, tiveram alguns modelos proibidos por serem muito parecidas com armas reais: assaltantes estavam utilizando “em serviço”. E aí, por causa dos maus, os bons são punidos: perdem oportunidades, gastam mais dinheiro, se privam de lazeres, e por aí vai.

Mas quando teu universo não é uma cidade ou um país, e sim UM ESTÁDIO DE FUTEBOL, será que não é equivocado punir TODOS por causa de meia dúzia? Pô, num estádio é possível identificar os vândalos. É como se numa sala de aula um aluno fizesse baderna e a diretora suspendesse a turma inteira. Não precisa! A punição tem que ser direcionada. Algum partido político é punido quando um de seus integrantes comete crimes?

A impressão que me dá é que falta inteligência ou sobra preguiça: é mais fácil, por exemplo, proibir a cerveja no estádio inteiro a identificar os baderneiros e puni-los. E é aí que entra a questão da Geral: é mais fácil punir UMA TORCIDA INTEIRA a identificar e punir somente os arruaceiros. Isso pode ser feito de mil maneiras, e aí já seria assunto pra outro post inteiro: cadastro, câmeras de vídeo, identificação biométrica na entrada, etc.

Falo de “uma torcida inteira” porque a proibição de faixas e instrumentos musicais da Geral é uma punição que reverbera em todos os setores do Olímpico. A Geral não impulsiona o time sozinha: o grande papel dela é contagiar os demais torcedores do estádio. E, a propósito, a Geral não é essa meia dúzia de brigões. Eu mesmo vou na Geral. A Geral sou eu, é o menino que vai na cacunda do pai, são os sócios que lá estão, os não sócios, as mulheres, o pessoal do interior, da Capital, enfim, pessoas que não têm nada a ver com confusão alguma.

Ouvi dizer que querem deixar a torcida sem seus apetrechos por três meses. Qual o sentido disso? Eu me senti lesado com a notícia, e que culpa eu tenho? Que culpa todos os outros gremistas têm? Por que não pegam os marginais que invadiram o juizado criminal e DÃO O EXEMPLO EM QUEM MERECE? Faz como na Europa: proíbe os caras de pisarem no estádio por três ANOS, e não três meses. E se for reincidente, ou se fizer algo mais pesado, bane para sempre. Pronto, vão pensar duas vezes antes de fazer besteira. Proibir faixas e instrumentos só prejudica o espetáculo e, por tabela, o próprio Grêmio. Não faz nenhum marginal refletir ou sentir-se acuado para fazer bobagem.

A que ponto vamos chegar? Daqui a pouco vão proibir a venda de CANETAS, pois nas mãos de um assassino vira uma arma. O caminho não é esse. Deixem as canetas em paz e cuidem dos assassinos!

Eis que, domingo à noite, pós Gre-nal vencido pelo Tricolor, estou assistindo ao Bate-Bola na TV Com e o convidado da noite é o gremistão Paulo Sant’Ana. Tomando seu Nescauzinho de caixinha no canudinho, bem tranquilo.

De repente esse assunto de punição veio à tona, e o Sant’Ana disse algo parecido com: “esses tempos fizeram algo de uma burrice incrível. Tiraram a torcida do estádio, realizaram partidas com os portões fechados. Isso é um absurdo. Tu não pode dissociar do futebol elementos como bola, jogadores, apito, grama e TORCIDA. Os caras tiraram a torcida do estádio! Mas é de uma burrice sem tamanho”.

Concordo plenamente e vou além: proibir faixas e afins segue na mesma linha disso que muito bem falou o Sant’Ana. Meia dúzia de baderneiros faz confusão e eles punem a torcida toda, punem o clube, punem o espetáculo. Não tem cabimento. É como se a torcida brigasse e a CBF proibisse o time do Grêmio de usar chuteiras por três meses. “Só podem jogar de pés descalços. É pra coibir a violência”. Não faz sentido.

Ninguém vai enforcar ninguém com faixas, tampouco jogar os bumbos no campo, muito menos furar o olho de outrem com a haste de plástico das bandeirinhas. Proibir tudo isso não coíbe nada, apenas estraga o espetáculo.

O que Sant’Ana disse é ÓBVIO, e por isso genial. Muitas genialidades vêm do simples, e só se tornam óbvias porque alguém disse ou fez algum dia. Não dá pra dissociar torcida e jogo de futebol, uma coisa está intrinsecamente ligada à outra.

Um sujeito que entra ao vivo num programa de televisão tomando Nescauzinho de caixinha, ou é senil ou é gênio. Fica mais do que claro que senis são algumas decisões da justiça. Senil é quem tenta “ajudar” e “prestar serviço” ao futebol DESTRUINDO o espetáculo e podando manifestações de incentivo e alegria. Paulo Sant’Ana é gênio.


Saudações tricolores.

@lucasvon

www.foraodone.com


Nós como bons torcedores

29 de agosto de 2011 156

Foto: Mauro Vieira/Agencia RBS

Dia 27 de agosto, véspera do Gre-nal, fez 37 anos da morte do genial Lupicínio Rodrigues, que nos deixou a mensagem: "nós como bons torcedores, sem hesitarmos sequer, aplaudiremos o Grêmio aonde o Grêmio estiver". Meu texto de hoje é por aí.

Quero fazer dois agradecimentos. Primeiro aos gremistas que NÃO FORAM ao Olímpico ontem, como forma de protesto ao Odone. Nada contra quem teve esse pensamento de boicote ao time. Mas no meu ponto de vista é errado. Não vamos discutir as pessoas, e sim os fatos e as ideias.

Agradeço porque não precisávamos de torcedores com esse tipo de pensamento no estádio. Antes 25 mil gremistas que ACREDITAVAM no time, entendiam que o Grêmio é maior que qualquer direção e pessoa, do que 50 mil repletos de “corneteiros”. Um pessoal impaciente, que passaria intranquilidade à atmosfera do estádio e, por tabela, aos jogadores.

Repito, respeito quem queira pensar do jeito que bem entender. Mas EU acho que essas pessoas não terem ido ao jogo foi ótimo. Ontem tínhamos no estádio 25 mil gremistas que sabiam da EXTREMA NECESSIDADE de vitória que esse Gre-nal representava para o Grêmio. Eram gremistas que ESTAVAM SIM insatisfeitos com a direção, mas que souberam separar as coisas. Repetindo pela enésima vez: não estou criticando quem boicotou o jogo em forma de protesto (mesmo achando errado). Estou apenas dizendo que achei ótimo essas pessoas não terem ido.

Vou exemplificar o que estou dizendo: um dos melhores jogos que presenciei no Estádio Olímpico: Grêmio 4 x 0 Caxias, semifinal do Gauchão 2007. Por causa da partida decisiva contra o Cerro na Libertadores, o jogo foi remarcado para uma SEXTA-FEIRA à noite. Horrível. Tínhamos tomado 3 x 0 em Caxias. Tinha gol qualificado fora de casa: o time da serra fazendo um gol no Olímpico nos obrigaria a fazer cinco. Sem falar na proximidade com o jogo da Libertadores, que financeiramente pesa no bolso do torcedor. Enfim, todos os motivos pra afastar a torcida do estádio. Resultado: 19 mil gremistas no Olímpico ENLOUQUECIDOS. Quem estava lá acreditava e QUERIA muito a virada. O time jogou com sangue nos olhos, amassou o Caxias, buscou o resultado e formou um descontrole inesquecível na Azenha. É isso que eu digo: selecionou a torcida. Antes 19 mil empolgados do que 40 mil melancólicos.

E obviamente quero agradecer aos 20 e poucos mil gremistas que ESTIVERAM no Gre-nal, apoiando o time num momento difícil. Com o estádio vazio, como muitos queriam, provavelmente essa vitória não viria, e o time se afundaria rumo ao Z4. Obrigado pela empolgação dos presentes, pela COMPREENSÃO, pela fé, pela chuva na cabeça, pelo GREMISMO.

Eu podia falar que o Saimon decretou oficialmente que sua titularidade é indiscutível. Poderia reafirmar que o Mário é um monstro. Eu poderia exaltar o fato de o Victor não ter falhado. Poderia dizer que o árbitro é fraco, sem critérios e sonegou pênaltis claros ao Grêmio. Poderia dizer que Escudero mostrou ótimo futebol. Poderia falar mil coisas sobre o jogo, mas hoje quero ficar só na torcida mesmo.

Mais do que agradecer aos que foram e aos que não foram ao Olímpico, eu só posso lamentar pelos segundos: perderam um belo jogo e grandes momentos. O final da partida pra mim foi emocionante: time numa fase HORRÍVEL, vitória no Gre-nal, chuva caindo no Estádio Olímpico e torcida cantando “vamos ser outra vez nós dois, vai chover pingos de amor”. Emblemático. Os pingos de amor caindo e a torcida fazendo um pedido ao clube: “vamos ser outra vez nós dois! Nós estamos aqui, somos poucos, mas somos loucos, loucos por ti, Grêmio. Nós não te abandonamos, seguimos fiéis e apaixonados, vamos ser outra vez nós dois, Grêmio. Nós ainda somos aquela velha e boa torcida, só falta tu, Tricolor, voltar a ser aquele velho Grêmio que conhecemos e aprendemos a amar”. E os pingos continuaram caindo: era o céu, que já fora mais azul, dando aval ao nosso pedido.


Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon

www.foraodone.com


Chamado para o Gre-nal

26 de agosto de 2011 59

O Thiago C. Brum, integrante do BloGrêmio (grupo de blogueiros gremsitas do qual faço parte), redigiu esse ótimo texto convocando a torcida tricolor para a peleia de domingo. A maioria dos integrantes do grupo resolveu publicá-lo, e eu me incluo:


"Irmãos Tricolores:

Faz tempo que nosso clube vem cruzando um caminho tortuoso e desafiador. Não é novidade para ninguém que muito já sofremos nas mãos de pessoas ora despreparadas, ora irresponsáveis na hora de administrar nosso tão amado Grêmio. Atualmente, estamos apenas pagando o preço por isso.

No entanto, nós do BloGrêmio estamos mobilizados para este Grenal que acontecerá no próximo domingo no Olímpico. Queremos um Grêmio forte, aguerrido e bravo enfrentando com gana e muita vontade nosso principal adversário histórico. Não, não queremos botar panos quentes sobre a atual gestão, assim como não o fizemos com a gestão passada e não faremos com a futura. Queremos, SIM, chamar a torcida do Grêmio, a VERDADEIRA MAIOR TORCIDA DO RIO GRANDE DO SUL, para empurrar o time rumo a uma importante vitória. Precisamos recuperar posições no Brasileirão e isso só ocorrerá quando nossos 11 representantes em campo virem que estamos mobilizados e lutando junto com eles.

Se você quiser, faça seu protesto! Mostre sua inconformidade! Porém, durante os 90 minutos que o time estiver na cancha peleando, que todo nosso grito seja de apoio ao time. Vamos mostrar a todos que nossa inconformidade maior é com qualquer resultado que não seja a VITÓRIA.

É hora de nós torcedores sermos os protagonistas da reação do Grêmio. Vamos novamente mostrar aos nossos adversários que nossa torcida tem o poder de tornar nosso time imbatível dentro do Olímpico.

Venha com a gente! Vamos lotar o Monumental! Vamos ajudar nosso Grêmio a se reerguer! Esqueçam por ora os dirigentes. Eles apenas ESTÃO dirigentes. Logo passarão. Nós SOMOS Gremistas. Nós temos o poder de mudar! E que esta mudança comece neste domingo.

Pra cima deles, Grêmio!"


Saudações azuis, pretas e brancas.

@lucasvon


Jim Carrey

27 de junho de 2011 55

O ator Jim Carrey, de passagem pelo Rio de Janeiro, passou por um ônibus de torcedores gremistas e registrou o momento.


Detalhe para um torcedor que grita para o carro do cinegrafista famoso, obviamente sem saber quem era: "isso é o Grêmio, rapaz!"

Imediatamente Jim Carrey "responde": "it's great!" (isso é ótimo!)

Ao fim da partida com o Botafogo Renato homenageou o comediante dizendo que a campanha do Grêmio é muito boa. Bela piada.


Saudações azuis.

@lucasvon



Unidos por três cores

02 de junho de 2011 54

Já presenciei discussões e debates muito bons aqui no Blog Tricolor. Muitos leitores conseguem tecer comentários de alto nível, gerando conversas interessantes entre a gremistada.

Mas infelizmente não é o que vem sendo REGRA ultimamente. Os bons debates estão virando exceção. E não só aqui no Blog: o momento vivido pelo Grêmio criou uma série de preceitos, crenças e convicções viciadas entre os torcedores gremistas de modo geral, seja aqui, em outros canais da internet, nas ruas, nos bares, ou em qualquer outro lugar.

Vou tentar expor minha opinião sobre isso da forma mais sucinta possível, listando alguns tópicos:

- APOIO INCONDICIONAL: pessoal, isso não é ruim. Não xinguem ou critiquem as pessoas que são a favor do apoio incondicional. Ele só faz BEM ao clube. Talvez vocês estejam interpretando mal esse termo, e daí venha a confusão e as milhares de discussões sobre o tema. Apoio incondicional significa apoiar o time durante os 90 minutos, independente de quem seja o presidente, de quem sejam os jogadores, de quanto esteja o placar do jogo. Voltar-se contra a equipe enquanto a bola rola NUNCA vai ser melhor para o clube.

Mas isso não significa ser conformista e alienado. ESSE É O GRANDE PONTO. Um torcedor adepto do apoio incondicional tem todo o direito de xingar presidente/técnico/jogador depois do apito final, de fazer protesto em frente ao portão da diretoria, de exigir mudanças, reforços, demissões, etc. E nosso atual momento é uma prova disso. Vimos episódios diversos de protestos, alguns até passando dos limites, talvez. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

- A GERAL É AZARADA: Vamos combinar, esse papinho é bem infantil, né, pessoal? “Desde que a Geral surgiu não ganhamos nada”. Como se isso significasse que a Geral é algo ruim. O que ela fez e representa hoje para a torcida do Grêmio é algo incrível. Mudou a postura do torcedor, transformou o Olímpico em um certame bem mais indigesto para os visitantes. Isso é fato. Se tu contratar só pereba e eleger gestões fracassadas no teu clube, e ao mesmo tempo contratar o PELÉ, talvez não ganhe nada também. E aí vão dizer: “desde que o Pelé chegou não ganhamos nada”. O que é uma verdade, mas não significa que seja culpa dele. Sem ele a coisa provavelmente estaria bem pior.

E outra: a Geral surgiu em 2001, ano em que conquistamos o Tetra da Copa do Brasil. Além de infundado, esse raciocínio é equivocado.

- RENATISTAS E ANTI-RENATOS: incrivelmente muita gente perde a linha por causa disso. E esse é o tema mais fácil de ser solucionado para elevar o nível de nossos debates: vamos respeitar a opinião alheia? Se o cara acredita que o Renato não serve, não significa que ele é um colorado infiltrado ou um amargo idiota. E se a pessoa acha que o Renato é ótimo, não significa que é um cego conformista e abobado que só enxerga o ídolo e não o técnico. Ok? As pessoas podem, simplesmente, ter opiniões diferentes.

Só que pra isso dar certo não basta só respeitar os internautas. O respeito deve ser geral, inclusive para com o Renato. Tu podes muito bem não gostar do trabalho dele e expressar essa opinião com respeito. Mas se falares que ele é um [censurado], [censurado], [censurado], mimado e arrogante e que só quer saber de futevôlei, indiretamente estará ofendendo as pessoas que gostam dele. E aí é até natural que pareça um colorado infiltrado mesmo. Peguem leve. Dá pra criticar sem ofender, e é bem simples.

- DIREÇÃO: o mesmo que falei do Renato vale aqui. Eu mesmo já fui acusado de perseguidor do Duda Kroeff, amiguinho do Duda Kroeff, oposição do Odone, apadrinhado do Odone, conformista e corneteiro. Não é preciso taxar as pessoas sempre de alguma coisa só porque elas têm uma opinião. Vale pra mim e pra todos os leitores do Blog que comentam.

Todo mundo tem o direito de achar que algo está certo, algo está errado, algo está mais ou menos ou algo não está nada. Não significa que a pessoa que opinou é partidária de um, inimiga de outro, chapa-branca, corneteira, comunista, fascista, equilibrista ou cartunista. A pessoa pode não ser absolutamente nada, mas tem opinião. Tá todo mundo liberado aqui para discordar de todo mundo. Se alguém disser que o uniforme do Grêmio é bicolor eu vou aceitar, mesmo discordando. Canso de aceitar críticas a mim. Não existe censura no Blog.

Só não posso aceitar comentários que faltem com o respeito. Sejam de colorados ou até mesmo de GREMISTAS. E alguns ultimamente estão quase sendo reprovados pelo meu crivo. Por isso fiz questão desse post: não quero ser um censor. E acredito que vocês também estão sentindo esse climinha ao qual estou me referindo e serão capazes de me ajudar. Afinal, todos nós somos gremistas e amamos o Grêmio! Todos nós queremos o bem do clube. Não pode ser tão difícil assim haver um entendimento civilizado, mesmo que alicerçado em divergências de pensamentos aqui ou acolá.

- RESUMINDO: seja para analisar o Renato, o Gilberto Silva, o Odone, o texto do Lucas von ou o comentário do João da Silva: discuta o assunto, não a pessoa. Com isso, dificilmente teremos maiores atritos. Discordar é saudável, não é atrito. O problema é quando começam a surgir ofensas.

Esses dias falei com o Nando Gross sobre jornalismo esportivo e lá pelas tantas ele citou uma frase que é bem pertinente: “Podeis reconhecer um mau crítico porque ele começa por falar do poeta e não do poema” (Ezra Pound).



Saudações tricolores.
@lucasvon




Hora de virar o disco

24 de maio de 2011 49

Foto: Ricardo Duarte

Todos nós (ou pelo menos a esmagadora maioria) estamos indignados com a direção do Grêmio, não é mesmo? Sabemos que jogaram um primeiro semestre no lixo. Temos a noção de que toda aquela nossa empolgação oriunda do fantástico fim de 2010 foi por água abaixo através de um córrego chamado “perda de qualidade”. Sabemos que perdemos peças importantes e a atual gestão foi uma vergonha no quesito contratações. Estamos cansados de saber disso tudo.

Para alguns, Renato também errou bastante. Eu não o considero nenhum gênio da casa-mata, até porque esses são poucos, mas, honestamente, não vejo nele o motivo central de nosso insucesso. Talvez com um Felipão ou um Mourinho tivéssemos ido mais longe, concordo. Mas apesar de cometer alguns erros (que até os gênios cometem), Renato já provou no Fluminense, até mesmo no Bahia e no próprio Grêmio que se tiver um time competitivo é capaz de realizar um belo trabalho. Vejo, portanto, a direção como a maior responsável pela nossa eliminação prematura e ANUNCIADA na Libertadores.

Mas só fiz essa introdução para fechar o assunto. Já falei demais disso no Blog e já se falou demais disso na internet de modo geral e até mesmo nas ruas. Sinceramente, acho que chega.

Sabe aquele velho ranzinza e AMARGURADO? Aquele sujeito que reclama de tudo e sempre. Até de notícias boas. Aquela pessoa que vê problema em tudo, não dá um sorriso e fica agourando anseios e sonhos alheios. Temos que tomar cuidado para que a torcida gremista não se transforme nesse estereótipo. “Direção contrata Lionel Messi – Aah, mas só agora? O que adianta? Sem falar que esse guri raquítico não vai se dar bem aqui no Sul, onde o estilo de jogo é mais viril e de pegada. Péssima escolha da direção. E o salário desse argentininho, vai ser de quanto? Aposto que um absurdo. Vão pagar como? Seria melhor investir esse dinheiro em uns 4 reforços médios. E outra: um cara ganhando um valor tão maior assim tá na cara que vai gerar rachas no grupo, briga de egos...

Chegou a hora de virar o disco. Fiz questão dessa introdução não só pra fechar o assunto, mas também para evitar que me acusem de conformista ingênuo. Repito: posso fazer uma LISTA de erros dessa atual gestão, não estou acobertando ninguém, não sou “chapa branca”, nada disso. Mas acredito que acabou o tempo das lamentações. Um mega-planejamento não vai cair de pára-quedas, não vamos ser o clube mais estruturado do mundo do dia pra noite. Muita coisa tem que ser feita e a torcida está cobrando, as pessoas que trabalham no Grêmio já sentiram. Não adianta continuar até dezembro choramingando como um velho ranzinza. É hora de voltarmos a apoiar atletas e comissão técnica, bola pra frente.

Exemplos de amargura ranzinza: vi torcedores RECLAMANDO da contratação do Gilberto Silva, pois o atleta tem 34 anos. Eu já discordo disso, pois acho que pode dar muito certo. Mas concordo que é bem discutível e há sim um risco. Só que algumas dessas MESMAS PESSOAS que fizeram essa crítica, também esbravejaram contra a direção por estar liberando o Borges. O cara não joga UM OVO há mais de ano e, assim como o Gilberto, TAMBÉM ESTÁ NA CASA DOS 30. Pelo menos escolha um dos dois episódios pra reclamar. Os dois juntos me soa um tanto incoerente. Vejo nesse exemplo um caso típico de reclamar por reclamar. É uma forma de desabafar pelas frustrações que a atual gestão causou na torcida. Até entendo, sou um dos frustrados, mas chega, né? Pelo menos agora, finalmente, parece que estão se mexendo. Vamos aguardar, vamos torcer.

Eu não torço pelo Duda Kroeff, tampouco para o Paulo Odone ou ainda para o Antônio Vicente Martins. Muito menos pelo insucesso de algum deles. Torço pelo Tricolor dos Pampas, nada mais. Já fizemos nossa parte, já vaiamos, já protestamos: pra conformistas não servimos. Mas a meu ver acaba aqui essa etapa. Até que a tabela prove o contrário, eu acredito no Tri Brasileiro. Futebol nos dá essas possibilidades. Pra dentro deles, GRÊMIO!


Saudações Tricolores.

@lucasvon




Vamos transgredir as regras

13 de maio de 2011 43

Vamos roubar do Inter? Não contem pra ninguém, mas eu tenho um plano.

É bem simples: a gente LOTA o Olímpico e joga com um a mais. Seremos o 12º jogador gremista. E o juizão não vai poder fazer NADA! Pode até não marcar cama-de-gato, pode expulsar quem merecia amarelo, pode fazer o que quiser. Mas vão ter que engolir a torcida tricolor jogando junto com o time.

O jogador colorado Leandro Damião declarou: “Quando a gente joga fora de casa, vê a torcida deles, faz um gol, a gente vê que a torcida puxa para o nosso lado também. Se fizermos um gol, a torcida não vai continuar apoiando. É algo que temos que fazer”. Será que ele conhece bem o Olímpico? Vamos mostrar ao rapaz que na Azenha a coisa é diferente. Vamos mostrar que aqui, sim senhor, TEMOS UMA TORCIDA QUE GANHA JOGO.

Faça sua parte. Vá ao Olímpico e apóie durante os 90 minutos. Não tem nada ganho, apenas uma pequena vantagem. A peleia vai ser dura. O Grêmio precisa de um Renato num dia bom, de um Leandro inspirado, de um Douglas concentrado... E de nós! Vamos ajudar a fazer a diferença. Nesse domingo, todos os caminhos levam ao Monumental!

Se mora longe e não poderá comparecer, reúna um pessoal e torça também. Mande energia positiva para o Tricolor. É isso que vão fazer mais uma vez os gremistas do Consulado da Catalunya. O pessoal há tempos vem se mobilizando em Gre-nais, reunindo gremistas da Espanha e até mesmo outros lugares da Europa. Se é teu caso, aparece por lá, vivente! Pelas informações que me passaram, o encontro será no Bar 7 (Carrer Escudellers Blancs, 7 - Bairro Gótico), mas antes vai ter uma mateada tricolor, no parque da Ciutadella (entrando pelo Arc de triomf nos canteiros da esquerda). A bandeira tricolor indicará o local, e parece que vai ter, além de chimarrão, comidas típicas dos pampas! Aguante, Tricolor!

Vão ser 11 em campo, mas 8 milhões fora dele. Todos numa só voz. Na busca de um título que, além de ser contra o maior rival, fará com que entremos no 2º semestre com maior confiança e tranquilidade para reiniciar os trabalhos.

Que vença o melhor o Grêmio.



Saudações azuis.
@lucasvon




Não é por aí

06 de maio de 2011 52

Alguns torcedores que foram ao Chile protestaram em frente ao ônibus gremista depois da eliminação de quarta-feira. Acho totalmente compreensível que esse pessoal tenha ficado indignado. Afinal de contas, viajaram horas de ônibus, ou gastaram dinheiro com avião, enfim, perderam tempo e se esforçaram para estar lá e o resultado foi decepcionante. Eu também estaria desolado. Mas o que adianta ameaçar os JOGADORES?

Sem falar que, quando se vai a um jogo fora de casa, a probabilidade maior normalmente é de perder. Sempre que vou ver o Grêmio longe do Olímpico já saio com essa consciência. E ainda mais nesse último jogo, tendo que buscar um placar complicadíssimo. A culpa não é do Grohe nem do Adilson se o cara quis enfrentar 40 horas de ônibus pra ver o Grêmio, mesmo sabendo que seria bem difícil.

Tem vezes que concordo com a cobrança nos jogadores. Tem coisa que não dá pra engolir mesmo. Mas, sinceramente, não acredito que seja o caso desse Grêmio. Que culpa o Lins tem de ser o Lins? Que culpa o Rafa Marques tem de não ser o Mauro Galvão? Que culpa o Leandro tem de não ser o novo Pelé? Não acho que tenha faltado empenho. Faltou qualidade mesmo. Que cobrem de qualquer um, até do Renato, mas não dos jogadores. Eles são os que menos tiveram culpa nisso tudo, a meu ver.

Que a DIREÇÃO seja cobrada. Por que só agora falam em reforços? Não estava nítido antes que o grupo era insuficiente? O Gilson não tem culpa nenhuma de ser o titular do Grêmio. Culpa tem quem o escala e principalmente quem não contrata um titular indiscutível pra posição.

Acho válido ser inquieto e protestar em muitos casos, mas achei um tanto descabida essa atitude desses torcedores. Repito, é muito compreensível que tenham ficado indignados, e têm todo o direito de ficarem irados, mas não souberam canalizar essa ira de forma inteligente. Não direcionaram corretamente. Preocuparam-se apenas em desabafar, jogar pra fora, mesmo que tenha sido pras pessoas erradas. É o típico caso do pai de família que engole sapos o dia todo no trabalho e chega em casa descarregando nos pobres dos filhos e da mulher que não fizeram nada de errado.

Se alguém tem meu apoio irrestrito nessa história toda, são os jogadores. Ainda que alguns deles eu acredite que não sirvam para o Grêmio.

Vídeo em site chileno: "Reacciones cruzadas e hinchas de Gremio fuera de sí"



Saudações azuis, pretas e brancas.
@lucasvon