Domingo teremos uma derrota CERTA no estádio Olímpico. Não falo do Grêmio, tampouco do Flamengo: o placar do jogo é uma incógnita. Mas teremos uma derrota de um homem. A consumação de um fracasso retumbante de um rapaz que tinha tudo para ser sucesso.
Dizem que o Ronaldinho está dando de ombros para o duelo com o Grêmio. Duvido. Até acredito que ele pouco se importe conosco e de fato só pense no seu dinheiro. Mas por mais frio e mosca-morta que seja um sujeito, e ele é as duas coisas, é impossível ignorar totalmente 8 milhões de desafetos. Ele finge que não é com ele, foge do assunto, tenta transmitir serenidade. Mas domingo vai ter que encarar a situação de frente. Vai sorrir bastante para as câmeras, mas duvido que o faça ao encostar a cabeça no travesseiro à noite, após receber a maior vaia de sua vida de um estádio com 50.000 indignados torcedores.
O mais difícil ele tem: talento. Mas cá estou eu, falando do FRACASSO de um rapaz milionário, campeão por seus clubes e sua Seleção e dono de um carisma ímpar. Na minha concepção de vida ele é sim um fracasso. Um cara que sequer é político ou exerce alguma outra profissão com maior facilidade de conquistar inimigos e não consegue caminhar de cabeça erguida na terra onde nasceu e se criou, pra mim é um fracasso. Isso ele não pode comprar com seu dinheiro.
A última partida de Ronaldinho no Olímpico foi contra o Figueirense. Vitória gremista com direito a golaço de falta do Moreirinha. Mas o jovem promissor já tinha feito sua primeira maracutaia com o irmão metralha: estava acertado às escuras com o PSG. Acerto esse que não contemplava ao Grêmio um tostão sequer. Recebeu duras vaias nesse jogo e torcedores arremessaram moedas no jovem. Recentemente o Assis foi a vítima no Monumental, na despedida do Danrlei: tomou vaia sempre que encostou na bola, inclusive quando marcou um gol. O episódio de 10 anos atrás ficou engasgado.
Não satisfeitos em fazer tudo que fizeram, os irmãos Assis procuraram o Grêmio para ensaiar um retorno triunfal, praticamente acertaram todas as cláusulas do contrato e, novamente por baixo dos panos, as negociatas com outros clubes rolavam soltas. Parece que até brinde de champagne entre Assis e Odone andou tendo para celebrar o acordo e, de repente, surpresa! “Uma vez do Grêmio, Flamengo até morrer”.
Alguns gremistas que não gostavam do R10 por causa do episódio PSG já estavam até relevando tudo, esperando explicações, declarações de amor e uma reconciliação bem-sucedida. Pois tomaram outra botinada na orelha, sem dó. Aí não sobraram defensores. Recebi mensagens pela internet ou celular de gremistas com quem eu tinha discutido por causa do Ronaldinho, todas com o mesmo teor: “tu tinhas razão. Agora tô contigo”.
Ronaldinho será recebido no Olímpico do mesmo jeito que se despediu: com vaias. Mas dessa vez vai ser pior. Aquelas vaias de 2001 não tinham a força de uma segunda traição. Não tinham o rancor de quem o defendera. Não tinham o constrangimento de quem se associou para vê-lo jogar e a decepção de quem sonhou com isso por alguns dias. Essas vaias não serão vaias, serão um recado: “Ronaldo, aqui não és bem-vindo porque tu não presta”.
Nenhum colorado recebeu ou receberá maior hostilidade no Olímpico. Não temos problemas com colorados. Temos amigos e parentes colorados. Amamos colorados e coloradas. É da vida. Hoje ganhamos um Gre-nal, amanhã perdemos. É do jogo. Mas as vaias que ouviremos domingo não dizem respeito a uma rivalidade sadia ou a uma opção clubística. A vaia e as manifestações contra ele serão pessoais. Dirão respeito à honra, à hombridade, ao caráter.
Por isso que eu digo, por mais que o Flamengo vença com 3 gols antológicos de Ronaldinho, ele ainda assim sairá de campo derrotado. O ser humano sempre busca se ancorar em ritos de passagem: casamento, velório, etc. Não basta dizer que agora os noivos estão juntos ou que algum ente querido morreu. Precisamos ver e sentir na pele pra que caia a ficha de vez. Pois esse será o “divórcio” oficial do Ronaldinho com a torcida gremista. Por mais que ele saiba que não deve ser bem quisto por aqui, no seu inconsciente ainda guarda boas lembranças dentro do Olímpico e com a torcida gremista. Agora a ficha vai cair. Agora ele vai entender e sentir na pele que uma Nação o despreza e o considera um desafeto.
“Mas o desprezo não seria a melhor resposta?” Não. Isso aqui não é caso de namorado e namorada. Talvez seja pior ser ignorado do que incomodado após o término de um relacionamento. Talvez doa mais mesmo. Mas nosso caso é diferente. A indiferença a gente já pratica com 99% dos jogadores que pisam no Olímpico. Fazer o mesmo com quem nos traiu duas vezes seria ridículo. Seria avisar ao mundo que não temos orgulho e que, quem quiser, pode nos sacanear à vontade, pois seguiremos indiferentes. Discordo desse pensamento. Temos que mostrar que não se pisa numa Nação gigante e apaixonada por um clube com mais de 100 anos de uma gloriosa história.
Por mais bobalhão que o Ronaldinho seja, ele vai sentir, podem ter certeza. Vai entender o recado, ainda que tente disfarçar com aquele farto e desalinhado sorriso. Sorria, Ronaldinho, sorria. Sorria: você é um derrotado.
OBS1: ontem saiu a notícia de que ele teria sentido um inchaço no olho. Até acho que vem a Porto Alegre e joga. Mas se tratando de um bunda-mole como ele, só acreditarei que não fugirá da raia quando entrar em campo. Mas caso ele venha, que seja mantida a paz no estádio, sem violência. Nossa resposta será nas faixas e na voz.
OBS2: aos colorados e principalmente flamenguistas que debocham do Grêmio e se divertem com o episódio Ronaldinho, indico a leitura de um texto que fiz há um tempo sobre esses casos do futebol. Para refletir: Temos culpa.
OBS3: para quem não acompanhava o Blog na época, ou queira relembrar, seguem dois textos que fiz no começo do ano. O primeiro logo que confirmaram seu destino rubro-negro e o segundo um pouco depois: 1- Vibre, torcedor gremista. 2- Compra isso, Ronaldinho.
Saudações azuis, pretas e brancas.






