Pela obrigatoriedade do clichê nas universidades de jornalismo


Em todos aqueles anos de faculdade que passei enfurnado em salas de aula, bibliotecas e bares (ok, nem tanto em salas de aula e bibliotecas) me lembro de sentir falta de uma matéria específica: “Técnica do clichê jornalístico”. É a matéria mais praticada pelo jornalista formado, mas não tem destaque na grade curricular dos alunos. Precisamos de uma cadeira específica, com os módulos:

1. Pautas clichê: No verão, cuidados com o sol; imagem de termômetros marcando temperaturas absurdas e pessoas pegando sol em horários impróprios. No inverno, imagens de fazendas na serra com pastos congelados e um coitado encasacado andando sozinho na rua.

2. Infográficos clichê: quando algo for muito grande, comparar com estádios de futebol. Se muito alto, prédios de vinte andares. Quando for uma grande quantidade de dinheiro, quantos carros populares poderiam ser comprados.

3. Tragédia Clichê: Aprenda a usar os termos “vidas inocentes”, “imagens estarrecedoras”, “desespero dos parentes” e “emoção no enterro”. Zoom em quem chorar primeiro.

4. Economia Clichê:
matéria de economia sem personagem comprando cesta básica não é matéria de economia.

5. Perguntas clichê: “O que a senhora está sentindo depois desta tragédia?” pra quem perdeu tudo; “O que você conhece sobre o Brasil?”, para artistas estrangeiros.

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18 respostas para “Pela obrigatoriedade do clichê nas universidades de jornalismo”

  1. Twitter Trackbacks for Cala a boca, Piangers! » Blog Archive » Pela obrigatoriedade do clichê nas universidades de jornalismo [kzuka.com.br] on Topsy.com diz:

    [...] Cala a boca, Piangers! » Blog Archive » Pela obrigatoriedade do clichê nas universidades de jorna… wp.kzuka.com.br/calaabocapiangers/2010/01/19/pela-obrigatoriedade-do-cliche-nas-universidades-de-jornalismo – view page – cached Em todos aqueles anos de faculdade que passei enfurnado em salas de aula, bibliotecas e bares (ok, nem tanto em salas de aula e bibliotecas) me lembro de sentir falta de uma matéria específica: “Técnica do clichê jornalístico”. É a matéria mais praticada pelo jornalista formado, mas não tem destaque na grade curricular dos alunos. Precisamos de uma cadeira específica, com os… Read moreEm todos aqueles anos de faculdade que passei enfurnado em salas de aula, bibliotecas e bares (ok, nem tanto em salas de aula e bibliotecas) me lembro de sentir falta de uma matéria específica: “Técnica do clichê jornalístico”. É a matéria mais praticada pelo jornalista formado, mas não tem destaque na grade curricular dos alunos. Precisamos de uma cadeira específica, com os módulos: View page [...]

  2. Guilherme diz:

    Por partes:

    Primeira parte. Parte da função do jornalismo é noticiar.
    Segunda parte. O noticiar parte do cotidiano, do corriqueiro. Ou do insólito que foge ao corriqueiro.
    Terceira parte. Os clichês jornalísticos não são nada senão o cotidiano próprio do jornalismo, não? Ou do jornalista.
    Quarta parte. Ato final, o jornalismo jornalisa o próprio cotidiano.

    É o que temos aqui. E não podia ser diferente: humor de primeira.

  3. Modal diz:

    Gênio!

  4. Lívia diz:

    Concordo. E tem coisa mais clichê do que jornalista frustrado criticando o trabalho clichê dos colegas?

  5. Maicon Vinicius Nunes diz:

    Para mais elocubrações sobre unidades de medida clichês, visite http://www.eunaoentendonada.com.br/2009/07/18/unidades-de-medida/

    Na verdade eu copiei a idéia do Piangers, só que ele postou em Novo Hamburgo, então demorou 7 meses pro texto chegar na internet.

  6. Guilherme diz:

    Como eu posto um comentário?

    Asuahsuahsu brink’s!

  7. Wexlei diz:

    E precisa comentar alguma coisa??
    perfeito.

  8. Pedro diz:

    Existe coisa ais clichê que um “jornalista” querendo bancar o malandro? Só para os frustrados.

    E você não falou dos seus projetos, né?

    Vaocê ganha bem dando deserviço.

  9. Leandro diz:

    Faltou a matéria das baleias! Aqui em SC é todo ano, só com imagens “arquivo”..
    haesaiehsaehsae

  10. Chica Bom diz:

    esse blog deveria se chamar ‘Vai Tomar no Cu Piangers’

  11. Jorge Filho diz:

    Jornalista não precisa ser formado mais, então qualquer coisa que funcione ja é válida… Afinal, o que esperar desse profissional que pode ser qualquer um… Qualquer coisa…

  12. Miriam diz:

    Na próxima vez que alguém perguntar para mim qual minha profissão, vou dizer que sou jornalista. Não precisa de diploma, né?

  13. Luísa diz:

    Grande Piangers! Concordo em gênero, número e degrau.

    PS: Qual é o clichê dos comentários?

  14. Claudinei diz:

    Piangers,

    penso que ao invés de disciplina de cliches, deveríamos ter alguns ensinamentos de ciência pra evitar que os jornalistas falem tanta bobagem quando falam de qualquer descoberta científica. Chega a dar nojo. E tb pro KG, teu colega de pretinho, não chamar de chato um ouvinte que tenta ensiná-los um pouquinho sobre a física dos movimentos no assunto dos motociclistas.
    Na verdade o que alunos de jornalismo, e jornalistas em geral, deveriam fazer é estudar. Tomem por exemplo nós que estudamos ciência e desenvolvemos coisas ao invés de contar o que os outros fazem.

    Claudinei
    Professor de Física

  15. LIA diz:

    hahahahaaha
    mto bom!
    Leiam jornalistas, mas leiam livros!!!
    eles irão ajudar voces!

  16. Priscila diz:

    Nossa, quanta hostilidade aí em cima! O Professor Pardal parece não ter se dado conta da importância da comunicação nessa civilização para a qual ele deseja contribuir “desenvolvendo coisas”. Mas esse tipo de reação esnobe faz parte, tu já deve estar acostumado.

    Uma coisa que tu não falou, é das repostagens de época de Natal: shoppings lotados, gente carregando sacolas de todos os tamanhos e SEMPRE aquela menininha tirando foto com o Papai Noel. Será que não é sempre a mesma? Papai Noel eu sei que eles trocam, mas a menininha…

  17. Bel A. diz:

    Claudinei, de que adianta estudar ciência e desenvolver coisas se isso não sai dos laboratórios das universidades? Para que serve uma ciência da qual a sociedade (que é quem banca ela com o seu suado dinheirinho) não toma conhecimento disso?

    É preciso ‘publicizar’ o desenvolvimento da ciência em uma linguagem coloquial, e não ‘academicista’, para que as pessoas saibam no que o dinheiro delas está sendo investido.

    Além disso, Comunicação TAMBÉM é uma ciência.

    Por fim, quem desenvolve ciência são pesquisadores, e não professores. Os professores, assim como os jornalistas, têm a nobre missão de levar esse conhecimento até as outras pessoas.

  18. Pela evolução do jornalismo « Fórmula Global diz:

    [...] entrei numa discussão boboca que um comunicador da Radio Atlântida de Porto Alegre postou em seu blogue sobre os clichês jornalísticos, que realmente existem, mas não era esse o mérito que ele queria [...]

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