Arquivos de julho de 2010

Sedentário e hiperativo

O vídeo da saga de um sedentário em uma academia ficou numa onda documental - vocês podem ver meu quarto com meus bichos de pelúcia, etc… - e, dada a ridicularidade das imagens, lembra um pouco o meu ídolo Louis Theroux.

Enfim, está empiricamente comprovado que ESPORTE MATA. (E quando não mata, machuca).

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Um sedentário na academia

Matéria de capa do caderno Kzuka desta sexta-feira. Vai ser replicada na New Yorker de domingo que vem.

Basicamente, todos os professores de academia se comportam como os testemunhas de jeová  que batem aqui em casa todos os domingos: querem me convencer que eles estão certos. Toda vez que eu disse pra um professor de educação física que orgulhosamente mantenho um retrospecto sem lesões, recebo olhares rancorosos e mau agouro. Basicamente, como o inferno de Jeová, um dia eu vou sofrer muito por não seguir a palavra do Senhor Paulo Cintura.


Spinning


Nome chique (eles adoram esss coisas) para a velha bicicleta ergométrica. A inovação está em apagar as luzes, tocar remixes bagaceiros de músicas da moda a todo volume, e pôr pra funcionar um globo de luz colorida (o qual, verifiquei, não tem nenhum valor medicinal).

00:00 min - A professora me dá dicas com frases que não consigo entender: “domine a bicicleta, não deixe ela te dominar”. Imaginando uma revolta das bicicletas ergométricas dominadoras.
01:00 min - Minha bicicleta é a mais leve da turma (somos apenas três alunos, eu o único homem). Começa a tocar Beyonce muito alto. A professora começa a gritar “Uhu! Vamos lá”.
02:00 min - “Agora lá em cima!”. O terror me acomete ao tentar ficar de pé na bicicleta. Minha perna tenta acompanhar o ritmo da música. A professora tenta ajudar: “Esquece a música”.
02:05 min - Desisto de tentar ficar de pé.
03:30 min - Não consigo encontrar o ritmo da pedalada ao som de bate-estaca. A professora continua gritando: “Vamos guriiiiiaaaaaaaass!”
04:10 min - Levanto a camiseta para secar o suor da testa. A aluna ao meu lado deixa escapar um: “Ai, coitado!”
05:00 min - Minha pressão arterial explode. Não ouço mais os gritos da professora nem a música alta. Tudo tem um lado bom.
06:00 min - Desisto. Não consigo falar nem ouvir nada. É desmoralizante ouvir as pessoas perguntando: “Tudo bem contigo?”. Faço joinha com a mão.

Power Kids


Mais um nome em inglês que, ao contrário do que eu imaginava, não é uma aula onde ficaríamos tomando Nescau e comendo Sustagem. O professor Montanha ensina capoeira e exercícios para crianças de apartamento, que não levantam mais nem pra trocar o canal da tv. Lembro de mim mesmo.

00:00 min - Nenhum dos alunos mirins resolveu aparecer.
00:30 min - Exercícios de andar de quatro (batizei de “ritual de acasalamento do gaúcho”).
01:00 min - Meu pé esquerdo começa a doer
03:00 min - Movimentos de capoeira não são tão fáceis como parecem. Montanha, com o triplo do meu peso, parece leve; eu pareço meu vô tentando alcançar a dentadura.
06:00 min - Aprendo a ginga da capoeira. Montanha elogia: “Lembra uns alemães pra quem dei aula mês passado”.
10:00 min - Acabo no chão, derrubado por um golpe leve do Montanha e pela minha absoluta falta de equilíbrio.


Running Class


Sempre considerei a corrida em esteira um esporte que não leva a lugar nenhum. Principalmente porque, de fato, você não sai do lugar. Mas dessa vez percebi uma incrível inovação: agora as esteiras de corrida têm televisores portáteis, que infelizmente não passam Playboy Tv (obviamente foi a primeira coisa que verifiquei).

00:00 min - Professor César me explica o principal: antes de morrer, devo apertar o botão “parar” da esteira.
01:00 min - Correndo a 5km/h e assistindo SporTv. nada mal.
03:00 min - Levo um choque ao tentar verificar meus batimentos cardíacos no apoio da esteira.
04:30 min - Correndo a 7km/h, meu coração dispara: professor Renam me conta o preço da mensalidade da academia.
09:00 min - Estou completamente vermelho, suado e fedido. Zero chance com qualquer gatinha da aula (não que antes eu tivesse alguma chance).
12:00 min - Renan desliga a máquina antes que eu tenha um AVC. Ele explica: “Seria má publicidade pra academia”.
12:30 min - O bebedouro é meu melhor amigo.

Ginástica funcional


Mais um equívoco da minha parte: esta aula não tem a ver com funcionamento do intestino. Com certeza esta foi umas das experiências mais desagradáveis que tive em toda a minha vida, e me trouxe lembranças de quando as crianças roubavam meu lanche na escola, torcendo meu braço pra trás.

00:00 min - O primeiro exercício é deitado. Fico feliz.
01:00 min - Sinto a primeira dor descomunal do dia. A professora, sádica, ri da minha cara.
03:30 min - Estou profundamente arrependido de ter topado esta pauta. Tento fugir pela primeira vez, mas sou impedido.
05:00 min - Durante os exercícios a professora pergunta se estou sentindo minha panturrilha. Respondo: “Sinto a panturrilha, a coxa, o pé, tronco e braços. Tudo dói.”
08:30 min - A contagem de segundos da professora é a mais lenta do mundo.
10:00 min - Pulando corda eu mando bem. Consegui três sem errar.
12:00 min - “Este é o mais difícil” avisa a professora. É a terceira vez que ela diz isso, e só piora.
15:00 min - Momento de alongamento passivo, onde a professora estica braço e perna até eu desistir da vida de tanta dor. É a primeira vez que reclamo de uma mulher estar por cima de mim.

Kangoo Jump


Professores de ginástica parecem vendedores da Natura ,sempre com um produto novo pra oferecer. O acessório do momento é o Kangoo Jump, uma bota (parece um roller) que tem um sistema de molas embaixo. Pra facilitar, eu calço 44 e a bota era 42.

00:00 min - Minha unha encravada acaba de chegar no meu calcanhar
03:00 min - O Kangoo Jump faz a gente correr muito mais rápido que o normal. Sem prática, quase caio pela janela da academia.
08:00 min - Ao ritmo de um remix bagaceiro, hora de pular. Numa perna, duas pernas, corrida, e uma dança da tesourinha que me fez lembrar a Xuxa.
11:00 min - Descubro meu talento nato para dancinhas aeróbicas (tenho a video aula da Solange Frazão, que comprei com outros fins)
14:50 min  - Coração batendo forte, veias da cabeça saltadas. AVC à vista.
18:00 min - Morri.

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Passatempo da semana

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Sósias de quinta

GuiDaross

@piangers - sósias de quinta :) http://tinyurl.com/2vzrkjd

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Parece tu no espelho do clipe do Bon Iver

Mandou a Marcela Doninni, editora-chefe da redação do Kzuka

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e  o Piangers no super Homem II….
Matheus Freitas
Florianópolis - SC

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Carolina H
Carolina H
carolhenkels

Sósias de quinta (@piangers) http://twitpic.com/27vzwr

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Alcóolicos Anonymus Gourmet

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Cinco lições para compôr um hino

texto publicado no Diário Catarinense de hoje, em virtude da polêmica sobre o novo hino pra SC:

Como fazer um hino em 5 lições

1. Necessário reforçar as cores da sua terra (as mesmas de qualquer outro lugar do mundo) sempre relacionando-as à natureza. “Nosso céu é mais azul, nosso sol mais amarelo, nossas melancias são mais vermelhinhas por dentro mas jamais estragadas, sempre no ponto!”.

2. O instrumental de um hino tem que ter pelo menos uma grande introdução (tempo suficiente para as pessoas ficarem de pé) e uma parte longa no meio, que é pras pessoas pensarem nos itens que precisam comprar no supermercado assim que saírem dali.

3. Compositores de hino tem uma tara por seios. No brasileiro, o autor diz que desafia até a morte se estiver perto das mamas (Édipo bombando). No da bandeira, Olavo Bilac diz que vê o céu, natureza e estrelas no seio. Evidentemente, queria comer alguém com esse poema.

4. Importante fazer uso da sinonímia opulenta. Despois de escrever todo o hino, passe frase a frase substituindo todas as palavras por sinônimos inteligíveis. Grande vira colosso; bandeiras devem ser flâmulas; brilhante não, o certo é fúlgido.

5. Depois do texto pronto, entregue ao revisor final, Mestre Yoda, que embaralhará sujeitos, predicatos, adjetivos e pronomes, criando frases como “OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE” WTF?!

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Ninguém gosta de frio

Texto publicado na Zero Hora de hoje, parte de uma série de textos dos locutores da Atlântida para o jornal, sempre com o tema: frio.

Desafio qualquer pessoa a encontrar alguém que goste de frio. Descobrem o Bin Laden, descobrem a Eliza Samudio, mas não descobrem um vivente que goste de frio. Algum leitor mais desagradável já está discordando, “mas eu gosto de frio”, ok, sem briga. Olha eu discutindo com um leitor imaginário. De qualquer forma: seja real ou imaginário, você não gosta de frio. Você fala isso só pra me irritar.

Eu entendo as mulheres que esperam ansiosas o inverno pra que possam mostrar seus casacos novos para as amigas. Entendo os emos que ficam ali na Redenção aos domingos, vestidos de preto; no verão o sol faz a maquiagem deles ficar toda borrada. Entendo até os populares que parcelam uma viagem em 15 vezes pra ver a neve em Gramado - aquela nevinha de nada, quase uma geada, nada como a Europa, aquilo sim que é neve de verdade, uma neve de primeiro mundo que dá gosto de ver.

Mas todos eles (recapitulando: mulheres, emos e populares) não gostam de frio. Porque usam casacos pra se proteger do frio. Odeiam o vento que quebra os lábios maquiados. Criam um constrangedor empurra-empurra na frente da lareira nos hotéis da Serra Gaúcha. Não há quem goste do frio, há quem goste de brincar de fugir do frio. Mas enfim, há brincadeiras piores e menos saudáveis, uma vez o meu tio me ensinou.

A difamação ao frio está impregnada no jeito que a gente fala. Quando vemos um vulto no escuro sentimos o quê? Um frio na barriga. Uma notícia ruim causa um frio na espinha. O colega que nunca viu o time ganhar no estádio é pé-frio; a criança longe da surpresa “tá frio, tá frio, tá congelaaaaando”. A uma pessoa cruel diz-se que tem o coração gelado. Sair com aquele amigo que sempre pede dinheiro emprestado é “entrar numa fria”. A mulher que não quer saber de sexo é frígida. Você pediu aumento mas levou um balde de água fria do chefe. Ninguém. Eu repito: ninguém-gosta-de-frio.

Mesmo eu, que demonstro aumento salivar considerável quando chega a temporada do chope escuro, mesmo eu que, inimigo do termômetro, tenho mais uma desculpa pra sair da cama mais tarde, abriria mão dos minutos a mais de sono e dos miraculosos copinhos negros de 300ml pra que nunca mais ter que encarar esse frio dos pampas.

Meu leitor imaginário está pensando: “Então vai embora pro deserto!”. Pois é. Quem sabe eu ache o Bin Laden lá; mas não acho alguém que goste de frio.

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Colunismo Sociopata

A coluna especial de férias, publicada hoje em Zero Hora, Diário Catarinense, Diário de Santa Maria, Jornal de Santa Catarina, O Pioneiro e The New York Times (aos domingos).

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O médium gay

Um vidente que usa seus poderes para comer meninos? Ou um médium que apenas acredita no destino e sabe que não se pode lutar contra ele?

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Sósias de quinta

cemgrama
cemgrama
cemgrama mandou essa:

Albino no Flagra:

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MateusCaruccio

@piangers Mais um sósia de quinta: http://bit.ly/bBdjfR

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Participação no filme “Meu nome não é Johnny”. Esta é a única cena do
Piangers no filme, em que ele aparece dando drogas à menores de idade.

Aymée Hasperoy

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