Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.

O que eu gosto no Planeta Atlântida

31 de janeiro de 2011 4

* texto publicado no Segundo Caderno do jornal Zero Hora de hoje

Eu gosto do Planeta Atlântida, basicamente, porque eles me dão uma pulserinha e um crachá. Eu gosto muito de pulserinhas. Não qualquer pulserinha - detesto essa pra desequilibrados, a Power Balance. Tenho uma simpatia pelas pulseirinhas do sexo. Mas gosto muito mesmo de pulserinhas que me identifiquem como uma pessoa que “pode passar”. Duas palavras lindas, essas duas: pode passar. Juntas elas estão na terceira posição das frases mais bonitas de se ouvir, perdendo apenas pra “Eu te amo” e “É benigno”.

Então, como eu falava, eles me dão uma pulserinha no Planeta Atlântida e isso me deixa feliz. Vez ou outra, como eu tenho pulserinha e posso ir onde eu quiser, eu decido me misturar com o público da pista, que eu chamo carinhosamente de “ralé”. Veja bem: de todos os extratos sociais, a ralé é o que eu mais me identifico. Eu tenho telefone pré-pago, adoro amostra grátis de produtos em supermercados (perigosamente raras hoje em dia) e sempre entro naquelas promoções de faqueiro do Diário Gaúcho. A ralé planetária também curte brindes: em determinado momento das duas noites de Planeta sempre vejo um cara com uma bandana na cabeça e outras duas amarradas nos braços, adesivos verdes do tipo “tô livre” colados por todo o corpo, uma bóia inflável de formato fálico na mão, e bastõezinhos luminosos coloridos na outra. São grandes as chances desse cara ter ido ao Planeta só pelos brindes.

Também vou ao camarote vip, mas é algo que sempre me deprime profundamente. As mulheres são incríveis demais, interessantes demais, inteligentes, divertidas, bronzeadas, bem vestidas, ricas e, por isso tudo (e também porque eu sou feio, ah! e também por que eu sou casado) absolutamente inacessíveis. Os homens são elegantes, simpáticos e musculosos e, por tudo isso (ah! e também porque eu sou hétero) igualmente inacessíveis. Não nasci pra ser vip. Na verdade, não nasci pra ganhar pulserinhas de acesso livre. É uma sorte acidental, um acaso. Quando descobrirem o erro e me expulsarem do backstage, vou tentar garantir pelo menos algumas bandanas. 

Comentários (4)

  • Paola diz: 1 de fevereiro de 2011

    A ralé é definitivamente mais divertida que os phynos do camarote. Mas já que tu tem a pulseirinha pode passar, aproveita o momento ryco e phyno que o Planeta te proporciona.

  • Heinrich (Vizinho Porã) diz: 3 de fevereiro de 2011

    Brother, we are in the tape!!! Don\'t be shine...be happy like u are.

  • Matheus diz: 11 de fevereiro de 2011

    Aproveitando, me consegue uma bandana da Coca? do AF-2010 que eu não consegui pegar ): rs

  • O que eu gosto no Planeta Atlântida | Cala a boca, Piangers! diz: 3 de fevereiro de 2012

    [...] texto publicado no na Zero Hora ano passado Início [...]

Envie seu Comentário