
A borboleta da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga desta vez voou bem longe nós! Ela passou pela Turquia, no 3º Encontro Global de ONGs!
A psicóloga Natália Lescano representou a Fundação e apresentou a publicação "Perdas Sem Nome - Como superar a ausência de pessoas queridas”! Confere aqui no Diário da Vida tudo o que ela fez por lá!
No primeiro dia, 04 de abril...

"Logo depois de pegar minha identificação e tomar meu café da manhã, deu-se início ao 3º Encontro Global de ONGs, defendendo segurança nas estradas e suas vítimas. Quando cheguei no salão onde seria a abertura já conheci algumas pessoas, cada uma de um lugar do mundo. Pessoas extremamente abertas ao diálogo e esbanjando simpatia e boa vontade.
Tudo começou com um discurso do vice presidente da Associação Internacional de Polícia da Turquia, dando as boas vindas a todos que conseguiram estar ali. Em seguida, mais algumas pessoas falaram, como o Dr. Etienne Krug, Diretor do Departamento de Violência e Traumas da Organização Mundial de Saúde (foto abaixo), ressaltando que o respeito e o valor que damos as vítimas e toda essa violência é o que nos move a trabalhar pela segurança no trânsito.

Em seguida, a Kate, que é uma mãe da Grécia que perdeu o filho faz um ano em um acidente de carro, fez uma linda homenagem a todas as vítimas, oferecendo o grande dom que é sua voz com uma música que ela misturou os idiomas grego e turco. Impossível conter as lágrimas. Logo em seguida, fizemos um minuto de silêncio por aqueles que se foram. No decorrer do dia ocorreram muitas palestras interessantes.
As atividades terminaram um pouco antes pois iríamos para o centro da cidade de Antalya para a “Long Short Walk”. Para quem não conhece, a “Long Short Walk” é para ser uma atividade divertida mas com objetivos sérios. Qualquer pessoa pode fazer uma caminhada, qualquer trajeto, e fazer uma placa dizendo porque você está caminhando, e depois mandar um vídeo ou uma foto deste momento. É uma forma de conscientizar as pessoas de que muitos pedestres tem perdido suas vidas devido no trânsito, e essa caminhada é para que nós pedestres sejamos vistos.

A nossa caminhada em Antalya foi muito bonita. Paramos o trânsito e fomos muitos respeitados pelos motoristas nesse momento, que pararam sem nenhuma reclamação. Cada pessoa caminhando por motivos diferentes mas todos por um bem maior em comum. É tão inspirador ver as pessoas agindo para uma mudança, e quando eu parava para olhar de fora a situação e registrar alguns momentos, me emocionava muito, pois eram tantas pessoas, dos continentes mais diversos indo atrás de alguma mudança em toda essa violência que vivemos no trânsito atual.
Nessa caminhada conheci a Viviam Perrone, presidente da Associación Madres del Dolor em Buenos Aires, Argentina. Uma mulher incrível que faz um trabalho bastante parecido com o da Fundação no seu país. Uma mulher forte e extremamente sensível, andava sempre com uma placa no peito com o rosto de seu filho Kevin que foi atropelado aos 15 anos quase na frente de casa.

Como a vida não é só feita de deveres, logo que acabou a caminhada, fizemos um passeio de barco conhecendo as cachoeiras mais lindas da riveira turca. Uma forma incrível de fechar o primeiro dia com chave de ouro."
No segundo dia, 05 de abril...

"O segundo dia foi bastante intenso para mim. Já acordei com o coração na mão pois eu tinha uma grande responsabilidade nesse dia. Era o dia em que eu apresentaria a publicação que escrevemos ano passado: “Perda Sem Nome - Como superar a ausência de pessoas queridas”. E eu teria que dar voz aos queridos pais com quem eu trabalho faz três anos e que tem um lugar muito especial no meu coração. Até aí, não havia problema nenhum, minha preocupação era conseguir passar tudo que eu sentia só que em inglês.
Rodeada de pessoas carinhosas, antes da apresentação recebi muitos incentivos para me tranquilizar, como o de um bom amigo que fiz lá, que trabalhava em uma ONG no Kenya chamada “Chariots of Destiny Organization”, que me dizia pra ficar tranquila pois ninguém me conhecia ali, então as expectativas não existiam, diferente de quando vamos falar para quem conhecemos.
O tempo voou para mim, sentei no salão para começar a assistir as seis pessoas que falariam antes de mim, e quando me dei conta já era a minha vez. Respirei fundo e naquele momento não era mais só eu que estava ali e sim cada um dos pais que eu respeito, admiro muito e que tocam a minha alma sempre que os vejo.

Comecei a contar o que fazíamos, apresentar o trabalho da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, e lá pelas tantas comecei a ver algumas pessoas chorando. Foi aí que finalmente entendi que estava conseguindo passar a minha mensagem e que nossa publicação tem um valor maior do que muitas pessoas imaginam.
Quando terminei a apresentação fui procurada por muitas pessoas, principalmente pra dizerem que em seus países não existem grupos de apoio para quem fica e como eles tinham achado bonito o nosso trabalho. Inclusive pediam dicas de como fazer isso acontecer. Mas o que mais ouvi foi: é incrível tu dedicar teu tempo livre e fazer um trabalho voluntário com esses pais e mães.
Para mim, saber que consegui dar voz a esses pais e tocar tanta gente de culturas tão diferentes foi o grande ganho de todo esse encontro. E além de tocar as pessoas, eu me senti tocada por todas as histórias também.
Uma boa parte dos fundadores de ONGs, são pessoas que perderam entes muito amados no trânsito e transformaram essa dor em algo maior, para que possam evitar que isso aconteça com outras pessoas. E é exatamente o que a Diza Gonzaga, nossa querida presidente, fez quando a FTMG nasceu. E sinto muito orgulho de fazer parte dessa causa e de poder representar na Turquia todas essas pessoas que trabalham com tanto carinho e paixão.
No final do encontro, tivemos direito a um jantar de gala. E o que poderia se esperar de tantas pessoas apaixonadas e diferentes? Uma grande festa, cheia de momentos alegres, danças, trocas de experiências e também poder conhecer um pouco da cultura local. Tivemos direito a um show exclusivo de dança turca, uma das mais incríveis que já vi na vida.

Ainda estou absorvendo tudo que aprendi e vi nessa viagem. Foi muito rápido mas de uma intensidade absurda. Foi incrível conviver com pessoas tão apaixonadas pelo que fazem, foi inspirador, foi um sopro de vida. Não consigo nem encontrar palavras pra agradecer a Diza por ter confiado em mim para representar a FTMG. Mas sei que posso agradecer com todo o carinho que dedico aos grupos de apoio e a essa causa tão linda com que trabalhamos."
Natália Lescano

Obrigada, Nathália, por representar a Fundação Thiago de Gonzaga e espalhar a mensagem de conscientização pelo mundo!